Ofício falso do MP do Ceará derruba perfil; PF vincula ação a hackers ligados a Daniel Vorcaro

Uma investigação da Polícia Federal (PF) aponta que um grupo de hackers, supostamente a serviço do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, forjou um ofício do Ministério Público do Ceará (MPCE) para remover, em uma plataforma digital, um perfil criado com o nome da então noiva de Vorcaro. Em nota pública divulgada nesta segunda-feira (18), o MPCE informou ter identificado que o e-mail utilizado no pedido não pertencia aos IPs institucionais do órgão e tinha origem no estado de São Paulo. Segundo a PF, Vorcaro recorria a uma organização criminosa estruturada, dividida entre um núcleo de hackers e um grupo de capangas, para executar ataques cibernéticos, monitoramento ilegal e intimidações armadas contra adversários. No episódio da remoção do perfil, os investigadores relatam que os hackers enviaram à empresa responsável pela rede social, em novembro de 2024, um ofício falso com a assinatura de uma servidora identificada como Nayara Maria, em vez da assinatura digital da promotora de Justiça. A plataforma não identificou a fraude e excluiu o perfil no dia seguinte. A PF ainda não concluiu se houve participação da servidora, e o MPCE não informou se ela é alvo de investigação. O MPCE reiterou que o IP do e-mail fraudulento não pertence à rede do órgão e foi rastreado até São Paulo. Detalhes da apuração do chamado caso Master indicam também o uso de inteligência artificial, falsificação de documentos públicos e a participação de policiais e bicheiros. Daniel Vorcaro está preso em Brasília, acusado de liderar fraudes financeiras que, segundo a PF, podem somar até R$ 12 bilhões. No núcleo tecnológico, o hacker Victor Lima Sedlmaier foi detido em Dubai em ação conjunta das autoridades locais, da PF e da Interpol, após permanecer menos de dois dias nos Emirados Árabes Unidos. Ele foi trazido ao Brasil, desembarcou no Aeroporto de Guarulhos e afirmou, em depoimento, que desenvolvia softwares e prestava serviços de tecnologia ao grupo desde 2024, recebendo R$ 2 mil mensais mais bônus. A PF suspeita que parte dos pagamentos também tenha ocorrido por meio de duas drogarias nas quais ele detinha 1% de participação. O g1 Ceará informa que mantém um canal no WhatsApp para acompanhamento de notícias.

Fonte: G1

Source: G1

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