Youtuber de 16 anos diz viver em pânico após denunciar o pai; Justiça marca audiência por descumprimento de medida protetiva

Uma youtuber e gamer cearense de 16 anos publicou no último sábado (16) um vídeo em que afirma sofrer crises de pânico e permanecer sem sair de casa por medo, após denunciar o próprio pai por abuso. O relato ocorre em meio a uma disputa familiar na qual, segundo ela, o homem tenta reaver a guarda. A adolescente, que soma milhões de seguidores nas redes sociais — quase cinco milhões apenas no YouTube —, teve a identidade preservada, assim como a do pai.

A mãe e a filha possuem medidas protetivas contra o homem. De acordo com a jovem, ele continua se aproximando das duas e teria passado, no domingo (17), por duas vezes em frente à residência onde elas vivem. Nesta segunda-feira (18), a Justiça agendou para 15 de junho uma audiência de instrução sobre suposto descumprimento de medida protetiva por parte do homem.

A Polícia Civil do Ceará informou que apura denúncias relacionadas a dois crimes que teriam ocorrido em Tianguá: um de descumprimento de medida protetiva e outro contra a adolescente. O órgão não detalhou a natureza do crime investigado contra a jovem e afirmou que o caso tramita em segredo de Justiça, razão pela qual não pode fornecer mais informações. O Ministério Público do Ceará (MPCE) acompanha a situação e declarou ter adotado medidas judiciais e extrajudiciais para garantir a proteção da adolescente, no âmbito de um procedimento administrativo conduzido em articulação com a rede municipal de assistência social e de saúde. Segundo o MPCE, a jovem já passou por escuta especializada, prevista na Lei 13.431/2017, com foco em proteção, segurança e acolhimento.

Conforme a reportagem, o pai da adolescente tem antecedentes criminais por violência doméstica contra a ex-mulher, mãe da jovem. No vídeo, a youtuber afirmou ainda que o pai apresentou denúncias que ela classifica como falsas contra a mãe — incluindo supostos maus-tratos e cárcere privado — na tentativa de obter a guarda. A adolescente relatou que, quando tinha 11 anos, foi obrigada a permanecer despida diante do pai, apesar de seus pedidos para se vestir. Ela também disse ter presenciado episódios de violência enquanto os pais eram casados, alegando que o homem agredia a mãe e quebrava objetos durante surtos de fúria.

Para a jovem, ela e a mãe estão sendo injustiçadas pela forma como o caso vem sendo conduzido. O advogado da família, Walisson Oliveira, afirmou que o homem já deveria estar preso pelo descumprimento das medidas protetivas e relatou que, ao registrar novo boletim de ocorrência no domingo (17), mãe e filha ouviram de uma escrivã e do delegado que as informações seriam “muito vagas”.

A família também alega negligência do Conselho Tutelar de Tianguá, argumentando que o pai teria trabalhado no órgão e manteria influência sobre funcionários. Em nota, o Conselho Tutelar repudiou as acusações, afirmou que adota todas as providências cabíveis com responsabilidade, ética e em conformidade com o Estatuto da Criança e do Adolescente, e ressaltou que o caso está sob segredo de Justiça e é acompanhado por Ministério Público, Judiciário, Defensoria Pública, advogados e demais instituições estaduais. O órgão informou ainda que acionou seu setor jurídico para medidas judiciais e administrativas e que mantém interlocução com a Comissão da Criança e do Adolescente da OAB Subseção Ibiapaba, com o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Tianguá e com outras instituições de proteção.

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Fonte: G1 Globo

Source: G1 Globo

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