Homem que esfaqueou e decepou orelha de ex será julgado em Fortaleza
O homem que esfaqueou e decepou uma das orelhas da ex-companheira por não aceitar fim do relacionamento será julgado nesta sexta-feira (19) em Fortaleza. O caso ocorreu em julho de 2025 no Bairro Lagoa Redonda. O suspeito de 62 anos foi preso em flagrante e aguardava o julgamento no presídio.
Francisco Ricardo Damasio de Oliveira será julgado a partir das 9h no Fórum Clóvis Beviláqua pela tentativa de feminicídio qualificado contra Elisângela dos Santos Gomes, de 48 anos, e por lesão corporal contra a mãe dela, que tentou proteger a vítima.
Homem será julgado por tentativa de feminicídio. — Foto: Reprodução/TV Verdes Mares
Elisângela se relacionou por cerca de 8 meses com Francisco e na semana anterior ao crime havia terminado o namoro. Os dois moravam no mesmo condomínio, porém a mulher morava com a filha caçula de 7 anos, diagnosticada com autismo, enquanto o homem morava em outro apartamento.
Tentativa de feminicídio: vítima relembra agressão sofrida em Fortaleza
Elisângela foi internada no Hospital Instituto Doutor José Frota (IJF). Ela chegou a ser intubada e precisou passar por cirurgias: uma para controlar a hemorragia causada pelas facadas e outra para reconstruir a orelha atingida, deixando-a com uma cicatriz de 283 pontos na cabeça.
Conforme apuração da TV Verdes Mares, Elisângela continua tomando medicamentos antidepressivos por causa do crime e, apesar de ter tido a orelha reconstruída, ela ainda não tem o movimento dos braços.
Homem já apresentava comportamentos violentos, conta vítima. — Foto: Reprodução/TV Verdes Mares
Vítima já sofria ameaças do ex-companheiro. — Foto: Reprodução/TV Verdes Mares
Francisco Ricardo Damasio de Oliveira foi preso no dia do crime, em 21 de julho de 2025, e aguarda o julgamento no presídio. Ele já tinha antecedentes pelos crimes de ameaça e difamação. Após atacar a ex-companheira, o homem foi espancado por populares.
Elisângela terminou o relacionamento após Francisco Ricardo apresentar sinais de abuso e violência. De acordo com a vítima, ele era muito ciumento, já havia batido nela e a ameaçado através de mensagens.
Além das consequências psicológicas, Elisângela também carrega marcas físicas: após as 20 facadas, ela teve 283 pontos na cabeça. Um dos braços ainda está machucado, dificultando sua movimentação:
Elisângela foi internada após ser atacada a facadas pelo ex no Bairro Lagoa Redonda, em Fortaleza. — Foto: Arquivo pessoal
Violência contra mulher: como pedir ajuda
Além de denunciar em distritos policiais e delegacias especializadas, a mulher em situação de violência doméstica pode recorrer a uma rede assistencial de entidades dos poderes municipal, estadual e federal.
O Disque 180 é o telefone exclusivo de atendimento à mulher do governo federal. O número presta apoio e escuta mulheres em situação de qualquer tipo de violação ou violência de gênero. Por meio do canal, os casos são encaminhados a órgãos competentes.
O serviço de denúncia em Fortaleza é direcionado para a unidade especializada de Defesa da Mulher, que fica no complexo da Casa da Mulher Brasileira, no Bairro Couto Fernandes. A delegacia também funciona de forma ininterrupta. Além da unidade na capital, há Delegacias de Defesa da Mulher nas cidades de Pacatuba, Caucaia, Maracanaú, Crato, Iguatu, Juazeiro do Norte, Icó, Sobral e Quixadá.
O equipamento gerenciado pela Secretaria da Proteção Social, Justiça, Cidadania, Mulheres e Direitos Humanos (SPS), do Governo do Estado, atua no atendimento às mulheres que foram vítimas de violência em Fortaleza.
No mesmo espaço, funciona a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), o Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, uma unidade do Ministério Público e uma da Defensoria Pública, além de um centro de referência municipal.
Na Casa da Mulher, também são ofertados cursos de capacitação profissional dentro da Promoção da Autonomia Econômica, bem como alternativas de acolhimento temporário e espaço infantil para as crianças que estejam acompanhando as mães em atendimento.
Em Fortaleza, é disponibilizado o Centro de Referência e Atendimento à Mulher em Situação de Violência Francisca Clotilde. O espaço, que faz parte do complexo da Casa da Mulher Brasileira, promove acompanhamento e encaminha as vítimas aos serviços da rede de atendimento, acolhendo mulheres que sofreram violência psicológica, sexual, física, moral, patrimonial, abuso, exploração, assédio moral e tráfico de mulheres.
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Source: G1 Globo

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