Francisco Dionatas Mota de Sousa, de 18 anos, foi preso preventivamente por suspeita de matar a universitária Ana Rerica de Messias, de 19 anos, em Morrinhos, no interior do Ceará. Ele foi detido pela Polícia Civil na terça-feira (23), em Bela Cruz, cidade a cerca de 23 quilômetros do município onde o crime ocorreu.
O corpo de Ana Rerica foi encontrado em 29 de maio, abandonado em uma via pública na localidade de Bom Princípio, em Morrinhos, com lesões causadas por objeto perfurocortante. Segundo a investigação, Dionatas teria atraído a vítima para um local ermo e, após uma discussão, a atacado. Além do mandado de prisão preventiva, a Polícia Civil cumpriu três mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao suspeito, apreendendo celulares e outros objetos que poderão contribuir para o aprofundamento das apurações.
A vítima e o investigado tiveram um relacionamento amoroso, já encerrado à época do crime. Os dois se conheciam desde a adolescência, e o jovem compareceu ao velório de Ana Rerica.
Em nota, a defesa de Francisco Dionatas, representada pela advogada Mikaelly Barros, afirmou que vai recorrer da prisão preventiva. A defesa manifestou solidariedade à família da vítima e destacou que a comoção não pode substituir a análise técnica das provas, ressaltando garantias como presunção de inocência, contraditório e ampla defesa. Segundo a advogada, a acusação é frágil: o moletom apontado pela investigação como a roupa que o suspeito usaria no dia do crime não apresentou material biológico de Ana Rerica no laudo pericial. Para a defesa, em crimes com lesões por instrumento perfurocortante, é comum a presença de respingos de sangue e outros vestígios, e a ausência desses indícios na peça de roupa indicaria a não participação do investigado. A nota sustenta ainda que os elementos reunidos até agora seriam majoritariamente relatos indiretos, suposições e interpretações sobre deslocamentos e vestimentas. O suspeito nega o crime, diz colaborar com as autoridades e adotará medidas judiciais para impugnar a custódia.
Familiares descrevem Ana Rerica como querida e dedicada. Pela manhã, ela trabalhava como Profissional de Apoio a Crianças com Necessidades Especiais na rede municipal; no início da tarde, dava aulas de reforço; e entre o fim da tarde e o início da noite, ajudava na loja de uma tia. Frequentava a Assembleia de Deus Bela Vista e cursava Pedagogia online. No tempo livre, costumava visitar amigos e andar de moto. Na noite em que foi morta, havia saído para dar uma volta. Colegas relatam que ela se relacionava muito bem com crianças e, ocasionalmente, fazia bicos como babá.
O velório ocorreu em 30 de maio, na igreja que a jovem frequentava, seguido de cortejo até o cemitério. Dezenas de pessoas participaram, algumas com cartazes pedindo justiça. A Escola Municipal de Ensino Fundamental Coronel Virgílio Távora, onde ela trabalhava, publicou nota de pesar destacando suas qualidades. O caso segue em investigação, e o suspeito permanece sob custódia preventiva, resguardados os princípios legais do devido processo.
Fonte: G1 Globo
Source: G1 Globo

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