Uma operação deflagrada na terça-feira (11) investiga a atuação da facção criminosa Comando Vermelho para influenciar as eleições municipais de 2024 em Sobral, na região norte do Ceará, e o processo eleitoral de 2026. Segundo a apuração, criminosos teriam coagido eleitores e cobrado um ‘pedágio’ para que candidatos pudessem fazer campanha em determinados bairros. Três vereadores foram presos. A ação, batizada de Operação Omertá, é conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (FICCO/CE) e pelo Ministério Público Eleitoral, por meio da 3ª Promotoria Eleitoral e do Grupo Auxiliar Eleitoral (GAEL). Ao todo, foram expedidos 14 mandados de prisão preventiva, 25 de busca e apreensão e 5 medidas de afastamento cautelar de cargos públicos. Sete suspeitos foram presos em Sobral; outros sete alvos seguem foragidos, e a polícia acredita que estejam no Rio de Janeiro, considerado o berço do Comando Vermelho. De acordo com os investigadores, o inquérito foi aberto em 2024 e reuniu depoimentos e evidências da influência da facção nas eleições municipais daquele ano. Em 2026, eventos e reuniões políticas teriam sido cancelados após ameaças de morte e de atentados contra estabelecimentos de pessoas ligadas à organização desses atos. A investigação aponta que a facção cobrava um ‘pedágio’ para liberar campanhas em áreas sob seu domínio: R$ 30 mil para candidatos sem mandato e R$ 60 mil para candidatos que já exerciam cargo. Entre os sete presos em Sobral estão três vereadores: Carlos do Calisto (PSB), Junim do Povo (Podemos) e Mário Vicktor (União). Eles também foram afastados dos cargos por 180 dias. Os parlamentares são suspeitos de terem pago o ‘pedágio’ e, com isso, passado a integrar o esquema de manipulação do voto em bairros dominados pela facção, conforme as investigações. A identidade dos outros quatro presos não foi divulgada; entre eles, há um chefe da facção que já estava no sistema prisional e foi alvo de novo mandado. Além dos vereadores, também foram afastados por 180 dias um assessor jurídico da Câmara Municipal de Sobral e uma policial militar. A PM investigada é casada com um chefe de facção com atuação no mesmo município em que ela trabalhava no policiamento ostensivo. Ela ingressou na Polícia Militar do Ceará em 2022, tem a patente de soldado e teve um celular apreendido. O papel dela no esquema não foi detalhado. Um advogado investigado é apontado como integrante da estrutura da organização criminosa, com funções ligadas ao núcleo de liderança e à execução de ordens voltadas à interferência no processo eleitoral. O Ministério Público do Ceará informou que o cumprimento dos mandados contra os foragidos está sendo articulado com forças de segurança de outros estados. A defesa do vereador Mário Vicktor, representada pelo advogado Wentony Morais, disse que ainda não teve acesso integral aos autos: “Assim que tivermos conhecimento do conteúdo e dos elementos do processo, faremos a devida análise. Após essa avaliação, nos manifestaremos oportunamente à imprensa”. A Federação União Progressista afirmou ter solicitado às direções estaduais do União Brasil e do Progressistas (PP) a abertura de procedimento interno para apurar a conduta de Mário Vicktor, filiado ao União Brasil. O PSB, partido de Carlos do Calisto, informou que a abertura de processo ético deve partir do diretório municipal e seguir o rito da Comissão de Ética previsto no estatuto da sigla. As defesas dos outros vereadores e o partido Podemos, de Junim do Povo, não responderam até a última atualização. A Presidência da Câmara Municipal de Sobral, ocupada por Chico Jóia Júnior (União), comunicou que, conforme tiver acesso às informações oficiais, adotará as providências administrativas e institucionais necessárias. Sobral, localizada na região norte do Ceará, é a quinta maior cidade do estado, com mais de 216 mil habitantes, um dos maiores PIBs estaduais e o quinto maior colégio eleitoral cearense, com mais de 150 mil eleitores.
Fonte: G1
Source: G1

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