Empresário morre durante lifting em clínica de Fortaleza; família cita falta de desfibrilador e caso é investigado

O corpo do empresário João Victor Batista Pinheiro, 45, foi sepultado na manhã desta quinta-feira (20) em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza. O velório ocorreu até 9h30 em uma funerária no bairro Aldeota, seguido de cortejo ao cemitério. João Victor morreu na tarde de terça-feira (18) durante um procedimento estético de lifting no Espaço Michele França, clínica de estética localizada no bairro Aldeota e de propriedade da cirurgiã-dentista Michele França. Em nota de pesar, a clínica afirmou que adotou as condutas médicas cabíveis com atuação imediata diante da intercorrência, que aguarda o laudo pericial oficial e que está colaborando com as autoridades, ressaltando que não comentará possíveis causas até a manifestação dos órgãos responsáveis. As causas da morte ainda não foram oficialmente determinadas; segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará, a Polícia Civil apura o caso por meio da Delegacia do 2º Distrito Policial, e o esclarecimento dependerá do laudo da Perícia Forense do Ceará (Pefoce), que, de acordo com o advogado da família, deve ser concluído em até 30 dias. Conforme documento da Pefoce obtido pelo g1, uma médica informou que o empresário tinha histórico de hipertensão e foi submetido a anestesia para a realização do lifting; em seguida, apresentou espuma na boca e passou por sete ciclos de manobras de ressuscitação, sem sucesso. O procedimento seria realizado na região das têmporas. Não está claro se a reação adversa teve relação com o lifting, com a anestesia ou com outro fator. Natural de Fortaleza, casado e pai de dois filhos, João Victor era dono da Casa de Fogos São João e comandava o negócio da família há mais de 20 anos, fornecendo produtos e montando efeitos pirotécnicos em eventos; trabalhou com artistas como Mari Fernandez, Wesley Safadão, Xand Avião e Taty Girl, além de contratos com prefeituras e grandes eventos no estado. O advogado da família, Alysson Castro, afirmou que João Victor era cliente da clínica havia dois anos e já havia realizado outros procedimentos no local; segundo a família, ele era saudável e praticava exercícios físicos. O advogado disse ainda que, conforme relatos colhidos na clínica, o estabelecimento não dispunha de desfibrilador, e que os familiares acompanharão o inquérito para verificar eventual omissão ou dolo por parte da equipe, podendo buscar responsabilização criminal e reparação cível. Em nota, o Conselho Regional de Odontologia do Ceará lamentou a morte, informou não ter sido formalmente notificado e destacou que a realização de lifting por dentistas é regulamentada; eventuais procedimentos de fiscalização e apuração ética tramitam em sigilo.

Fonte: G1 Globo

Source: G1 Globo

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