O Ministério Público Eleitoral (MPE) instaurou um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) para apurar possível interferência de integrantes de organização criminosa na campanha de candidatos em Forquilha, no interior do Ceará. A medida foi adotada após denúncia formalizada pelo prefeito do município e ocorre em meio a prisões de suspeitos de ameaçar e tentar extorquir agentes políticos locais. Segundo o MPE, as apurações começaram a partir de informações de que membros de uma facção teriam intimidado candidatos e agentes públicos, tentando influenciar o andamento da campanha no município. Uma das primeiras diligências será o depoimento do prefeito, marcado para 2 de setembro, na sede da Polícia Federal em Sobral. O gestor deverá apresentar documentos, mensagens, áudios, vídeos e demais dados relacionados aos fatos. O órgão também requisitou informações a forças de segurança e autoridades policiais para aprofundar a investigação sobre a atuação da organização e a eventual influência no processo eleitoral. Em 20 de agosto, dois homens foram presos em Forquilha, suspeitos de ameaçar e tentar extorquir pessoas ligadas ao prefeito Edinardo Rodrigues Filho (PSB). Identificados como Gean Barboza Fontenele, de 19 anos, e Francisco Werlysson Feijão Silva, o “Ratin”, de 28, eles são apontados como membros do Comando Vermelho e teriam exigido R$ 200 mil para permitir que candidatos a deputado aliados ao prefeito realizassem campanha na cidade. No dia 26, a polícia prendeu em São Paulo um homem de 21 anos, também apontado como integrante da facção, suspeito de usar perfis nas redes sociais para ameaçar e extorquir candidatos em Forquilha. Em 27 de agosto, a Delegacia de Forquilha deflagrou operação no Rio de Janeiro para capturar outros envolvidos; um dos detidos foi José Álisson Vitorino da Costa, preso no bairro do Leblon. Na sexta-feira (28), uma mulher de 19 anos foi presa em Forquilha pelo mesmo motivo; sua identidade não foi divulgada. A Secretaria da Segurança Pública do Ceará (SSPDS) informa que, desde o início do período eleitoral, em 16 de agosto, já foram detidas 13 pessoas sob suspeita de tentar interferir no pleito a mando de facção criminosa. Nos últimos dias, foram registradas ações em três municípios: Maranguape, Forquilha e Itapajé. De acordo com a SSPDS, o modus operandi inclui o uso de redes sociais e ligações telefônicas para ameaças, coerção e cobrança de taxas elevadas — em alguns casos, a exigência de milhares de reais para autorizar campanhas e, em outros, a proibição de entrada de políticos em determinadas áreas. A pasta destaca que, com apoio de dados de inteligência, as forças de segurança realizaram 13 prisões de suspeitos de integrar organizações criminosas com tentativa de atuação no contexto eleitoral de 2026.
Fonte: G1
Source: G1

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