O candidato ao Governo do Ceará pelo PSDB, Ciro Gomes, foi entrevistado nesta terça-feira (15) pelo CE1, da TV Verdes Mares. Durante a sabatina, ele apresentou propostas para as áreas de saúde, educação e segurança pública, além de comentar alianças políticas e partidárias.
Ciro afirmou que, se eleito, pretende zerar em 90 dias as filas para exames e cirurgias eletivas no estado. Na segurança pública, propôs a implementação do projeto Cinturão da Segurança, a ampliação da inteligência policial e o mapeamento de lideranças de facções criminosas. Para a educação, defendeu a introdução de uma cultura digital nas escolas, com foco em inteligência artificial, programação e uso de redes.
O CE1 está entrevistando os candidatos ao Governo do Ceará entre os dias 14 e 18 de setembro. Dois candidatos participam ao vivo, em dias diferentes, enquanto as outras seis entrevistas são gravadas e exibidas posteriormente. Ciro Gomes foi entrevistado nesta terça-feira.
Alianças políticas
Na primeira parte da entrevista, Ciro Gomes respondeu a perguntas sobre governabilidade e alianças. Ele voltou a abordar a polarização entre os apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou defender uma alternativa aos dois grupos.
O candidato declarou que não mudou de posição política, mas criticou o que classificou como uma estrutura de poder instalada no Ceará. Ciro afirmou que essa situação teria consequências para a população e disse ser necessário superar diferenças políticas para reunir seu atual grupo de apoio.
Ciro ainda não declarou apoio a nenhum candidato à Presidência da República. Nesta terça-feira (15), o senador Flávio Bolsonaro cumpriu agenda em Fortaleza. Ele é apoiado por aliados de Ciro Gomes, como o deputado federal André Fernandes e o deputado estadual Alcides Fernandes.
Questionado sobre a presença de aliados de diferentes campos políticos em seu grupo, Ciro disse que foi necessário superar divergências para reunir nomes como Roberto Cláudio, Wagner e André Fernandes, que já disputaram cargos pelo Ceará em grupos distintos. Segundo ele, a defesa de uma agenda voltada ao estado facilita a união entre os aliados.
O candidato também afirmou que, se eleito, pretende despolitizar a ocupação de cargos públicos e escolher integrantes da equipe por meio de critérios técnicos e seleção meritocrática. Ciro disse que os aliados serão ouvidos, mas que a composição do governo deverá priorizar profissionais preparados.
Propostas para a saúde
Ciro Gomes propôs zerar, em até 90 dias, as filas de espera por exames e cirurgias eletivas nos hospitais do Ceará. Para isso, afirmou que pretende utilizar leitos ociosos da rede privada e ampliar o horário de funcionamento de equipamentos de diagnóstico, inclusive com o pagamento de horas extras para que operem durante 24 horas.
De acordo com o candidato, o programa teria orçamento estimado em R$ 350 milhões. Ele não detalhou, contudo, quantos leitos seriam disponibilizados ou construídos para atender à demanda.
Ciro também defendeu a descentralização do atendimento especializado no interior do estado. Ao falar sobre a saúde pública, criticou as estruturas construídas durante o governo de Elmano de Freitas e afirmou que seria necessário reorganizar o fluxo de atendimento do Sistema Único de Saúde no Ceará. O candidato citou como áreas desassistidas os atendimentos oncológico e psiquiátrico e afirmou que a rede estadual não dispõe de leitos psiquiátricos fora do Hospital de Messejana.
Segurança pública e combate às facções
Na área de segurança pública, Ciro Gomes afirmou que pretende implementar o projeto Cinturão da Segurança, com foco na investigação e na solução de homicídios. Também propôs a presença de delegados nos 184 municípios do Ceará e a ampliação das delegacias da mulher.
Segundo o candidato, 71 municípios não têm delegados e 30 não possuem delegacias especializadas para atendimento às mulheres. Ele afirmou que pretende garantir a presença dessas estruturas conforme a legislação e mudar a estratégia de enfrentamento ao crime organizado, priorizando a inteligência policial em vez do patrulhamento ostensivo isolado.
Ciro disse que planeja contratar mil novos profissionais e oferecer treinamento com referências de escolas de inteligência dos Estados Unidos e de Israel. Outra proposta é mapear as lideranças de facções criminosas no estado. O candidato também mencionou a criação de um sistema de Inteligência Comunitária, por meio do qual a população poderia repassar pistas sem necessariamente prestar depoimento ou se identificar formalmente à Justiça.
Direitos das mulheres
Para combater feminicídios e casos de violência contra a mulher, Ciro afirmou que pretende ampliar a rede de proteção, incluindo as delegacias especializadas e a Patrulha Maria da Penha. Ele também propôs que medidas protetivas iniciais não dependam, em um primeiro momento, de uma decisão judicial, devido ao tempo dos procedimentos.
Entre as medidas citadas estão a disponibilização de botão de pânico e a criação de moradias protegidas pelo governo para mulheres e filhos. Segundo o candidato, essas ações poderiam ser acionadas após o registro de um boletim de ocorrência.
Educação e cultura digital
Ciro Gomes defendeu a introdução de uma cultura digital nas escolas, especialmente com o uso de inteligência artificial. Ele afirmou que pretende requalificar os professores e implementar o programa Cria, voltado à capacitação de estudantes em inteligência artificial, manejo de redes e programação.
O candidato disse que o objetivo é estimular e recompensar os estudantes, inclusive financeiramente, e substituir um modelo pedagógico que considera cansativo e pouco atrativo. Para ele, a adoção da cultura digital pode ajudar a reduzir a evasão escolar, sobretudo no ensino médio.
Trajetória política
Ciro Gomes era deputado estadual quando foi eleito prefeito de Fortaleza, em 1988. Ele tomou posse em 1989 e, em 1990, foi eleito governador do Ceará, deixando o cargo em 1994 para assumir o Ministério da Fazenda no governo de Itamar Franco. Na época, integrava o grupo político do ex-senador Tasso Jereissati, do PSDB.
Em 2003, foi indicado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o Ministério da Integração Nacional, onde permaneceu por três anos. Ciro também disputou a Presidência da República em quatro eleições, a última delas em 2022.
Aliados por muitos anos, Ciro Gomes e o grupo político do irmão, Cid Gomes, passaram a ter uma relação marcada por divergências públicas a partir de 2022, após o fim da aliança de 16 anos entre PT e PDT no Ceará. A articulação havia sido construída pelos dois irmãos, em um período no qual Ciro era considerado o mentor político do projeto e Cid atuava na execução das ações.
Atualmente, Ciro recebe apoio de lideranças de direita e de opositores do PT nos cenários estadual e nacional, entre elas o deputado federal André Fernandes, do PL.
Fonte: G1
Source: G1

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