Seis são presos sob suspeita de vender doces com drogas e fazer entregas dentro de campus da Uece em Fortaleza

Seis pessoas foram presas preventivamente em uma investigação sobre a suspeita de venda e distribuição de drogas por meio de doces e de um aplicativo de mensagens dentro da Universidade Estadual do Ceará (Uece), em Fortaleza. Os investigados estão à disposição da Justiça.

Segundo a investigação, o grupo atuava no Centro de Humanidades da Uece, no Campus Fátima, no Bairro de Fátima, e em um bar da capital. Os suspeitos estariam divididos em funções relacionadas à compra, à venda e à distribuição de entorpecentes.

A apuração começou após a polícia receber informações sobre a circulação de drogas no campus. Durante a investigação, agentes analisaram o celular de um dos suspeitos e encontraram conversas, áudios, imagens e vídeos que, segundo a polícia, indicariam a prática criminosa.

O Ministério Público do Ceará (MPCE) denunciou inicialmente dois suspeitos por tráfico de drogas. Em setembro, outros quatro também foram denunciados: três por tráfico de drogas e associação para o tráfico, e um por tráfico de drogas.

Em conversas obtidas pela investigação, um dos suspeitos, identificado como Jhonny, escreveu: “Boa tarde, mano. Ei, o RJ pediu para chegar na sua para o resgate de dois pcts (pacotes) mais verde. Pode ser mais tarde, mano”. Outro investigado, identificado como “Câmeras Usadas 2n”, respondeu: “Só quer verde, né?! Ok, 6h falo contigo”.

Em outra conversa, um dos vendedores apresentou os preços dos produtos: “Conta de ontem: R$ 100 verde, R$ 200 pó. Conta de hoje: R$ 100 pó. Total: R$ 400”.

De acordo com a investigação, um dos investigados seria responsável pela revenda; três atuariam como fornecedores; outro faria a intermediação da logística e das entregas; e o sexto seria responsável pela divulgação e pela oferta dos entorpecentes em um aplicativo de mensagens.

Ainda segundo a apuração, os suspeitos publicavam fotos das drogas para que os usuários escolhessem os produtos. Parte das entregas teria sido realizada em espaços da Uece.

A investigação, iniciada no começo do ano, também resultou na apreensão de drogas e celulares em dois imóveis de Fortaleza, em 9 de abril de 2026. Ao longo da apuração, os seis investigados foram presos preventivamente.

Em nota, a Uece informou que tomou conhecimento, ainda em 2025, da possível utilização do Campus Fátima para atividades relacionadas ao tráfico de drogas e comunicou os fatos à Polícia Civil do Ceará. A universidade afirmou que colaborou com as autoridades, que o inquérito foi concluído e encaminhado à Justiça.

Conforme a instituição, a investigação identificou indícios de que um dos envolvidos utilizava o campus como ponto de encontro para a entrega de entorpecentes e de que áreas e equipamentos da universidade poderiam ter sido usados para ocultar drogas destinadas à comercialização. A Uece declarou que, com a atuação policial, foi desarticulada, pela primeira vez, uma organização criminosa com atuação identificada no Campus Fátima.

A universidade afirmou ainda que a divulgação responsável das informações pode contribuir para reduzir a sensação de insegurança na comunidade acadêmica. A Uece ressaltou que não tolera práticas ilícitas em seus espaços e que a responsabilização individual dos envolvidos cabe às autoridades responsáveis pela persecução penal e ao Poder Judiciário.

Fonte: G1

Source: G1

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