Dois adolescentes, de 14 e 16 anos, foram baleados por policiais na última quarta-feira (16), em Fortaleza, enquanto encenavam um assalto para uma produção de conteúdo destinada às redes sociais. Ao todo, os jovens foram atingidos por cinco disparos. Segundo a Polícia Militar, os agentes reagiram ao presenciarem o que aparentava ser um roubo.
O adolescente de 16 anos foi atingido por quatro tiros e precisou passar por mais de uma cirurgia. O jovem de 14 anos foi baleado uma vez, pelas costas, e está com os movimentos das pernas comprometidos, segundo a família. Os dois estão internados no Instituto Dr. José Frota (IJF) e apresentam quadro de saúde estável.
De acordo com a Polícia Militar, as equipes foram acionadas para atender a uma ocorrência de roubo envolvendo dois adolescentes que estariam armados na Rua Perdigão de Oliveira, no bairro Parangaba. Os jovens baleados e uma amiga, que interpretava o papel de vítima, gravavam a chamada “novelinha” no meio da rua quando foram vistos por integrantes do Comando Tático Motorizado (Cotam).
Em nota, a PM afirmou que “os policiais visualizaram dois adolescentes, em cima de uma moto, onde o garupeiro apontava uma arma de fogo para pessoas na calçada e pediam o celular. Diante da ameaça, os militares reagiram”.
A mãe do adolescente de 14 anos relatou que o filho foi atingido nas costas e que o projétil provavelmente alcançou a coluna. Desde a internação, ele não sente as pernas. A família aguarda novos exames para verificar se o jovem recuperará os movimentos. Segundo a mãe, os médicos informaram que há possibilidade de ele ter perdido a capacidade de movimentá-las.
“Foi o pior dia da minha vida, horrível”, disse a mãe. Costureira e mãe solo, ela contou que estava trabalhando quando recebeu uma ligação de uma das amigas do filho informando que ele havia sido baleado. “Se eu sofresse do coração, tinha morrido”, relatou.
A mulher afirmou que os dois adolescentes são amigos, moram no mesmo bairro e estudam. O jovem de 16 anos também trabalha com entregas. Ela disse que só soube que o filho participava das gravações depois de chegar ao hospital e descobrir o que havia acontecido. A mãe afirmou ainda que a única renda da família vem de seu trabalho como costureira e demonstrou preocupação com as consequências de um eventual diagnóstico. “Não sei como eu vou fazer, eu fico pensando como eu vou fazer”, desabafou.
Outras duas adolescentes que participavam da gravação, interpretando as vítimas da encenação, compareceram à Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA), acompanhadas dos responsáveis, para prestar esclarecimentos.
Durante a ação, foram apreendidos um aparelho celular, um simulacro de arma de fogo e uma motocicleta usada pelos adolescentes. Conforme as informações apuradas, o veículo pertence ao pai de um dos envolvidos e teria sido utilizado sem autorização.
O caso foi encaminhado à DCA, onde foi registrado boletim de ocorrência e adotados os procedimentos cabíveis. As circunstâncias da intervenção policial também serão investigadas em um Inquérito Policial Militar (IPM).
A Controladoria Geral de Disciplina (CGD) do Ceará, responsável por fiscalizar a conduta dos agentes de segurança, informou que apura a ocorrência na esfera administrativa.
Fonte: G1
Source: G1

Deixe um comentário