Uma nova espécie de fóssil de araucária, que viveu há aproximadamente 120 milhões de anos, foi batizada por pesquisadores em homenagem a Menina Benigna, mártir cearense beatificada pela Igreja Católica em 2022. Com o nome científico Araucaria benignae, o fóssil foi encontrado na região do Cariri, no sul do Ceará.
A unidade geológica onde o fóssil foi preservado está localizada na Bacia do Araripe, nas proximidades dos municípios de Nova Olinda, Santana do Cariri e Crato. A espécie foi identificada em uma coleção de fósseis repatriados da França em 2024.
A investigação paleobotânica reúne pesquisadores da Universidade Regional do Cariri (URCA), da Universidade Federal do Ceará (UFC), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), além de cientistas do Museu de História Natural de Chemnitz, na Alemanha.
A descrição da nova espécie amplia o conhecimento sobre a diversidade de araucárias que habitaram a região do Cariri durante o período Cretáceo, intervalo da história do planeta situado entre aproximadamente 145 milhões e 65 milhões de anos atrás.
O epíteto benignae é uma forma latina que significa “de Benigna” ou “dedicada a Benigna”. A homenagem é destinada a Benigna Cardoso da Silva, que nasceu e viveu em Santana do Cariri. Ela foi assassinada aos 13 anos, após recusar uma relação sexual com um rapaz.
A recusa de Benigna transformou a jovem em símbolo para devotos e em referência de resistência contra o feminicídio e a violência contra crianças e adolescentes. Em 2022, ela se tornou a primeira beata do Ceará e a quarta mártir brasileira reconhecida pela Igreja Católica.
Segundo a Secretaria de Cultura, Turismo e Romarias de Santana do Cariri, o holótipo — espécime físico ou ilustração usado como referência para a descrição de uma espécie — permanece no Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, no município.
De acordo com a secretaria, o nome de Benigna passa a integrar registros científicos internacionais ao lado de outras figuras da tradição cristã. Um exemplo é Papulavis, nome dado a um gênero de ave fóssil do período Eoceno, encontrado na França, em homenagem a Papulus, eremita e mártir cristão dos séculos V ou VI.
Outro personagem religioso do Ceará também foi homenageado recentemente na paleontologia. A espécie de crustáceo fóssil Cicero spectabilis recebeu esse nome em referência ao Padre Cícero.
Fonte: G1
Source: G1

Deixe um comentário