A Polícia britânica decidiu tratar como “suspeitas” as circunstâncias da morte do brasileiro Samuel de Souza Frota, 23 anos, encontrado em uma linha férrea de Warrington, cidade próxima a Liverpool, no último dia 12 de abril. Antes, o caso era tratado como suicídio. A família foi informada nesta semana de que uma investigação será aberta para apurar o ocorrido.
Natural de Sobral, no norte do Ceará, Samuel havia deixado o Brasil em novembro de 2025, após receber convite de um amigo conterrâneo para trabalhar como telefonista na Inglaterra. Cinco meses depois, foi encontrado morto. A família foi oficialmente notificada do falecimento em 16 de abril.
A família é representada pelo escritório Layanna Pontes Advocacia Internacional, que informou ter reunião marcada com o Consulado-Geral do Brasil em Edimburgo na próxima segunda-feira (27), para tratar da repatriação do corpo e dar início formal aos procedimentos consulares de translado internacional. A defesa também solicitou encontro com o governador do Ceará, Elmano de Freitas, com o objetivo de viabilizar apoio financeiro para a repatriação.
Segundo familiares, a empresa que contratou Samuel deixou de pagar pelos serviços prestados. Uma parente relatou que ele teria ido ao país para cuidar da agenda de garotas de programa, mas, ao chegar, passou a atuar como segurança, em desacordo com a função inicialmente prevista. Após reclamar à agência responsável, ele teria sido ameaçado e passou a enfrentar dificuldades financeiras, pressão psicológica e ameaças constantes, situação que chegou a relatar à família. O g1 procurou as mulheres apontadas como proprietárias da agência, mas não obteve resposta. O amigo que o convidou para ir à Inglaterra preferiu não se manifestar.
Em uma rede social profissional, Samuel se identificava como vendedor de uma marca de roupas. Dias antes de ser encontrado morto, ele desativou sua conta no Instagram.
O Ministério das Relações Exteriores, por meio do Consulado-Geral do Brasil em Edimburgo, informou que acompanha o caso e mantém contato com as autoridades locais e com a família, a quem presta a assistência consular cabível. A Secretaria dos Direitos Humanos do Ceará (Sedih) afirmou que oferece apoio à família por meio da Política Estadual para Migrantes, Refugiados e Apátridas e do Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, com equipe multidisciplinar para acompanhamento psicossocial.
A advogada da família, Layanna Pontes, afirmou estar em contato com a polícia britânica e ter tido acesso, na quinta-feira (16), a um documento oficial: um atestado de óbito provisório com a data da morte e o reconhecimento do corpo por impressões digitais. A defesa informou que solicitará formalmente o laudo de autópsia e demais documentos para esclarecer os fatos. Não foi informado à família se a morte teve causa criminosa.
A família ainda não sabe se o Estado arcará com o traslado. O Ceará foi o primeiro estado do país a aprovar legislação para esse tipo de transferência. Em nota, a Sedih informou que as questões relacionadas ao traslado do corpo serão tratadas conforme a legislação vigente, no âmbito da Lei nº 19.651, de 13 de fevereiro de 2026, que instituiu o Programa Estadual de Apoio Humanitário ao Traslado e ao Sepultamento Digno de Cearenses Vitimados no Exterior, observados os requisitos legais.
Jornais locais de Warrington noticiaram o caso. De acordo com o Warrington Guardian, os serviços de emergência foram acionados por volta das 18h40 de domingo (12), em um trecho entre Winwick e Vulcan, após relatos de uma pessoa nos trilhos.
Fonte: G1 Globo
Source: G1 Globo

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