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  • Caso Clarissa: júri é retomado após convulsão do réu; enfermeira foi morta com 34 facadas

    Caso Clarissa: júri é retomado após convulsão do réu; enfermeira foi morta com 34 facadas

    O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) informou, na manhã desta terça-feira (14), que o julgamento de Matheus Anthony Lima Martins Queiroz foi retomado às 9h37, após a suspensão das atividades na segunda-feira (13) por razões médicas. O réu, de 26 anos, responde pela morte da enfermeira Clarissa Costa Gomes, assassinada com 34 facadas em julho de 2025, em Fortaleza.

    Segundo apuração, Matheus Anthony tem epilepsia e sofreu uma convulsão durante a sessão de segunda-feira, caiu e bateu a cabeça. Ele recebeu atendimento médico e foi encaminhado a uma unidade de saúde. O júri ocorre no Fórum Clóvis Beviláqua. Antes da suspensão, cinco testemunhas de acusação foram ouvidas. Para a manhã desta terça, a previsão é a oitiva de quatro testemunhas de defesa, seguida do interrogatório do réu.

    Matheus será julgado pelo júri popular por feminicídio qualificado, com agravantes apontadas pelo Ministério Público do Ceará (MPCE): motivo torpe (por supostamente não aceitar o término do relacionamento), uso de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Ele está preso preventivamente desde a noite do crime, quando foi detido na saída do condomínio da mãe.

    O crime ocorreu na casa onde Clarissa morava com a mãe, no Bairro Jardim Cearense. No dia 9 de julho, por volta das 13h30, Clarissa e Matheus chegaram à residência. Às 14h, a enfermeira participou de uma reunião on-line de trabalho, sem ligar câmera e áudio, comunicando-se apenas por escrito. Ao fim da reunião, por volta de 15h, ela enviou uma mensagem de ‘SOS’ para uma amiga que também participara do encontro; a destinatária inicialmente entendeu que o alerta se referia a dúvidas sobre a reunião.

    Por volta de 15h20, vizinhos relataram ter ouvido gritos de pedido de socorro, com som abafado, e pancadas atribuídas ao agressor batendo a cabeça da vítima contra diferentes superfícies. Conforme o MP, uma faca da própria residência foi usada no ataque. Após o crime, o autor teria tomado banho, trocado de roupa e deixado o local por volta de 15h30. Vizinhos o viram sair com o portão da rua aberto, enquanto o portão interno permanecia trancado. Um irmão de Matheus chegou em seguida com a chave que o suspeito havia levado. Dentro da casa, testemunhas encontraram sangue em diversos cômodos e acionaram o Samu e a Polícia. A morte de Clarissa foi constatada no local pela equipe do Samu.

    Em depoimentos, familiares e amigos afirmaram que a vítima e o acusado se conheceram na igreja e estavam juntos desde outubro de 2023. Eles relataram que Matheus foi o primeiro namorado de Clarissa e que, nos meses anteriores ao crime, ela pensava em encerrar o relacionamento. A suspeita de familiares, de amigos e do MP é que, no dia do crime, ela tenha tentado terminar o namoro. Em declarações à Polícia Civil, o réu primeiro disse que não encontrou Clarissa naquele dia e, depois, afirmou não se lembrar do ocorrido.

    Relatos reunidos na investigação apontam episódios de ciúmes do acusado, que teriam levado Clarissa a tornar privadas suas redes sociais. Em junho de 2025, ela contou a uma amiga que considerava o término. Mensagens mostram desgaste no relacionamento, inclusive por faltas frequentes do companheiro ao trabalho: ‘Ele vive faltando esse emprego dele de experiência, tipo agora faz três dias seguidos que ele falta o trabalho. Não fala comigo mas eu tenho que ficar buscando ele [de carro], aí eu fico brigando, me desgastando’, escreveu a enfermeira.

    Matheus tem formação como técnico em gestão ambiental pelo IFCE, mas não atuava na área. Segundo depoimentos, teria sido demitido de um emprego em um hospital particular, indicado por Clarissa, por grosseria com clientes. Trabalhou como motorista de aplicativo por um período, vendeu a motocicleta e, com currículo preparado por Clarissa, conseguiu vaga em uma empresa de energia solar, onde faltava com frequência. Foi demitido após a prisão.

    Clarissa, de 31 anos, era formada em Enfermagem pela Universidade Federal do Ceará (UFC), especializada em neonatologia, e trabalhava em dois grandes hospitais públicos de Fortaleza: o Hospital Geral de Fortaleza (HGF) e o Hospital Dr. César Cals. Segundo amigos, ela estava prestes a iniciar novos vínculos no Hospital Universitário do Ceará (HUC) e na Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (MEAC). Colegas a descrevem como tranquila, acolhedora, dedicada e competente. Um amigo afirmou: ‘Ela sempre foi estudiosa, correta e muito pacata. Moça inteligente, simpática e amável. Desde criança nunca gostou de nada que fugisse do correto. Teve uma mãe extremamente presente que a amava e cuidava dela em toda etapa da vida’. Uma colega do Hospital César Cals disse que a equipe ficou em choque: ‘Reservada, jamais imaginávamos que algo do tipo poderia acontecer ou estar acontecendo com ela’.

    Fonte: G1

    Source: G1

  • Caso Clarissa: júri do ex-namorado acusado de feminicídio começa nesta segunda (13); vítima enviou ‘SOS’ minutos antes do crime

    Caso Clarissa: júri do ex-namorado acusado de feminicídio começa nesta segunda (13); vítima enviou ‘SOS’ minutos antes do crime

    Começa nesta segunda-feira (13) o júri popular de Matheus Anthony Lima Martins Queiroz, 26 anos, acusado de matar a enfermeira Clarissa Costa Gomes em Fortaleza, em julho de 2025. Ele responde por feminicídio com qualificadoras de motivo torpe — por supostamente não aceitar o término do relacionamento —, uso de meio cruel e emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima, conforme denúncia do Ministério Público do Ceará (MPCE).

    Segundo a investigação, o crime ocorreu na casa onde Clarissa morava com a mãe, no bairro Jardim Cearense. No momento do crime, ela estava sozinha com o então companheiro. Antes de ser morta, enviou uma mensagem de “SOS” para uma amiga, que inicialmente pensou se tratar de assunto relacionado a uma reunião de trabalho realizada minutos antes.

    De acordo com depoimentos, Clarissa e Matheus se conheceram na igreja e estavam juntos desde outubro de 2023. Amigas relataram à polícia que, nos meses anteriores ao crime, a enfermeira pensava em encerrar o relacionamento. Familiares, amigos e o MP suspeitam que ela tenha tentado terminar o namoro no dia do fato, hipótese que não teria sido aceita pelo acusado.

    Ainda conforme a denúncia, o casal chegou à residência por volta das 13h30 de 9 de julho. Às 14h, Clarissa participou de uma reunião virtual sem ligar câmera ou microfone, comunicando-se por escrito. Por volta de 15h, enviou a mensagem de “SOS” à amiga que também estava na reunião. Cerca de 20 minutos depois, vizinhos ouviram pedidos de socorro e ruídos de pancadas. O MP afirma que o réu utilizou uma faca da casa para golpear a vítima 34 vezes; em seguida, ele teria tomado banho, trocado de roupa e deixado o imóvel por volta de 15h30.

    Testemunhas relataram ter visto Matheus sair, deixando o portão externo aberto, enquanto o portão interno permaneceu trancado. Em seguida, o irmão do acusado chegou ao local com a chave que, segundo relatos, havia sido levada por Matheus. Ao entrar na casa, vizinhos encontraram sangue em diversos cômodos e acionaram o Samu e a Polícia. A morte foi constatada no local. O suspeito foi preso preventivamente na noite do mesmo dia, na saída do condomínio onde mora sua mãe.

    Em depoimento à Polícia Civil, Matheus primeiro negou ter se encontrado com Clarissa no dia do crime e, depois, disse não lembrar do que ocorreu.

    Relatos de amigas apontam que Matheus foi o primeiro namorado de Clarissa e que ela tornou privadas suas redes sociais diante de episódios de ciúmes. Elas também descreveram desgaste na relação, associado à ociosidade e a episódios de grosseria do acusado. Matheus tem formação técnica em gestão ambiental pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE), mas, segundo os depoimentos, não trabalhava na área. Ele teria sido demitido de um emprego em um hospital particular, indicado por Clarissa, por mau atendimento aos clientes; chegou a atuar como motorista de aplicativo em uma moto, depois vendida; e foi contratado por uma empresa de energia solar, com faltas recorrentes. “Ele vive faltando esse emprego dele de experiência, tipo agora faz três dias seguidos que ele falta o trabalho. Não fala comigo mas eu tenho que ficar buscando ele [de carro], aí eu fico brigando, me desgastando”, disse Clarissa, em mensagem enviada a uma amiga.

    Clarissa Costa Gomes tinha 31 anos, era formada em Enfermagem pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e trabalhava nos hospitais públicos Hospital Geral de Fortaleza (HGF) e Hospital Dr. César Cals. Especialista em neonatologia, ela se preparava para iniciar atividades no Hospital Universitário do Ceará (HUC) e na Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (MEAC).

    Amigos e colegas descreveram Clarissa como estudiosa, correta e amável. “Ela sempre foi estudiosa, correta e muito pacata. Moça inteligente, simpática e amável”, disse um amigo. Uma colega do Hospital Dr. César Cals afirmou que a equipe ficou em choque: “Ela era uma pessoa tranquila, acolhedora, de convivência muito leve. Profissional dedicada, comprometida, inteligente e competente. Reservada, jamais imaginávamos que algo do tipo poderia acontecer com ela”.

    O MPCE pediu que o caso fosse submetido a júri popular e sustenta as qualificadoras de motivo torpe, uso de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. O réu segue preso preventivamente e será julgado por feminicídio qualificado.

    Fonte: G1 Globo

    Source: G1 Globo