O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) suspendeu, na tarde desta segunda-feira (13), o julgamento de Matheus Anthony Lima Martins, réu pela morte da enfermeira Clarissa Costa Gomes, por “razões médicas”. A sessão será retomada nesta terça-feira (14), no Fórum Clóvis Beviláqua, em Fortaleza. Segundo o TJCE, antes da interrupção foram ouvidas cinco testemunhas de acusação.
De acordo com apuração do g1, Matheus Anthony tem epilepsia, sofreu uma convulsão no plenário, caiu, bateu a cabeça e recebeu atendimento médico, sendo conduzido a uma unidade de saúde.
Matheus será julgado pelo Tribunal do Júri por feminicídio, com qualificadoras por uso de meio cruel e por recurso que teria dificultado a defesa da vítima, conforme denúncia do Ministério Público do Ceará (MPCE). O MP também aponta motivo torpe — supostamente a não aceitação do término do relacionamento — como causa de aumento de pena.
Clarissa foi morta em julho de 2025, aos 31 anos, na casa onde morava com a mãe, no Bairro Jardim Cearense, em Fortaleza. No momento do crime, ela estava sozinha com o então companheiro, o técnico em gestão ambiental Matheus Anthony Lima Martins Queiroz, de 26 anos. Segundo o MP, ele utilizou uma faca da residência e desferiu 34 golpes. Após o crime, ainda de acordo com a acusação, ele tomou banho, trocou de roupa e deixou o local por volta de 15h30.
A investigação aponta que Clarissa e Matheus chegaram à residência por volta de 13h30 do dia 9 de julho de 2025. Às 14h, a enfermeira participou de uma reunião on-line de trabalho, sem câmera e sem áudio, comunicando-se apenas por mensagens. Por volta das 15h, ela enviou um “SOS” a uma amiga que estava na mesma reunião; inicialmente, a amiga acreditou tratar-se de dúvida sobre o encontro virtual. Por volta de 15h20, vizinhos relataram ter ouvido pedidos de socorro abafados e pancadas. Testemunhas viram o réu sair da casa, deixando o portão da rua aberto; o portão interno estava trancado. Com a chegada de um irmão de Matheus, que tinha a chave que o suspeito havia levado, foi possível entrar no imóvel, onde havia sangue em diversos cômodos. O Samu confirmou a morte no local. Matheus foi preso na noite do crime, na saída do condomínio da mãe.
O histórico do relacionamento, iniciado em outubro de 2023 após o casal se conhecer na igreja, indica que a vítima pensava em terminar o namoro nos meses anteriores. Amigos relataram episódios de ciúmes, o que levou Clarissa a tornar privadas as redes sociais. Familiares, amigos e o MP suspeitam que ela tenha tentado encerrar a relação no dia do crime. Em depoimentos, o réu inicialmente disse não ter encontrado a vítima naquele dia e, posteriormente, afirmou não se lembrar dos fatos. Ele está preso preventivamente desde então.
Relatos de pessoas próximas indicam desgaste no relacionamento, inclusive por suposta ociosidade e episódios de grosseria do réu. Formado como técnico em gestão ambiental pelo IFCE, ele não atuava na área. Teria sido demitido de um emprego em hospital particular — conseguido com ajuda de Clarissa — por grosseria com clientes. Também trabalhou como motorista de aplicativo em moto, que depois foi vendida. Com apoio da enfermeira, conseguiu vaga em uma empresa de energia solar, mas faltava com frequência, segundo relatos, e acabou desligado após a prisão. Em conversas com amigas, Clarissa mencionou cansaço com as faltas e cobranças no cotidiano do casal.
Clarissa era enfermeira especializada em neonatologia, formada pela Universidade Federal do Ceará (UFC), e trabalhava no Hospital Geral de Fortaleza (HGF) e no Hospital Dr. César Cals. Amigos afirmam que ela estava prestes a iniciar atividades no Hospital Universitário do Ceará (HUC) e na Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (MEAC). Pessoas próximas a descrevem como estudiosa, tranquila, dedicada e muito reservada; colegas relataram choque com o crime e destacaram seu profissionalismo, acolhimento e competência.
Fonte: G1
Source: G1
