O empresário Rafael Elisario Ferreira será submetido a júri popular pela morte de Kauã Guedes, de 18 anos, em um acidente de trânsito ocorrido em Fortaleza, em 18 de junho de 2025. Um amigo de Kauã, Igor Lima da Silva, também foi atingido e sobreviveu após passar semanas hospitalizado. Rafael está preso desde novembro do ano passado.
Segundo o Tribunal de Justiça do Ceará, após recurso da defesa, a 4ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza manteve a decisão que determina o julgamento de Rafael pelo Tribunal do Júri. Ele responde por homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificada.
De acordo com as investigações, Rafael dirigia uma Ford Ranger em alta velocidade, avançou a preferencial em um cruzamento no Bairro Meireles e atingiu a motocicleta em que estavam Kauã e Igor. O acidente ocorreu no cruzamento da Rua República do Líbano com a Rua Osvaldo Cruz.
Kauã foi arrastado por mais de 20 metros antes de o carro parar. Ele foi levado a um hospital, mas morreu horas depois. Igor foi arremessado com o impacto e ficou gravemente ferido.
As vítimas estavam voltando para casa após passar com amigos em uma lanchonete próxima à Avenida Beira-Mar.
Laudos da Perícia Forense apontaram que Rafael dirigia a mais de 98 km/h em uma via cujo limite era de 30 km/h. Imagens de câmeras de segurança mostram o veículo trafegando em zigue-zague e em alta velocidade momentos antes da colisão. Conforme testemunhas, o empresário teria quase atropelado uma família no mesmo trecho.
Após o acidente, Rafael procurou abrigo em um condomínio e não prestou socorro às vítimas, conforme denúncia do Ministério Público do Ceará. O órgão afirmou ainda que ele apresentava “hálito etílico, fala desconexa e desorientação”. No veículo, a polícia apreendeu dois papelotes de cocaína, latas de cerveja e comprimidos psicotrópicos.
Na noite do acidente, Rafael foi preso em flagrante. Na delegacia, recusou-se a fazer o teste do bafômetro e permaneceu em silêncio durante o depoimento. Após pagar fiança de aproximadamente R$ 15 mil, foi solto.
Inicialmente, o empresário foi autuado por lesão corporal culposa no trânsito, quando não há intenção de matar. Após a morte de Kauã, passou a ser investigado por homicídio doloso no trânsito.
Na denúncia, o Ministério Público afirmou que, ao avançar na via preferencial em alta velocidade, Rafael teria criado uma situação de imprevisibilidade e impossibilitado qualquer reação das vítimas. Segundo o órgão, a dinâmica do acidente teria configurado o elemento surpresa previsto na qualificadora.
O Ministério Público também informou que a picape conduzida pelo empresário acumulava 24 multas em pouco mais de um ano, sendo 16 delas por excesso de velocidade.
Fonte: G1
Source: G1
