O Ceará reuniu quatro das cinco cidades com maiores taxas de homicídios entre municípios com mais de 100 mil habitantes em 2024, de acordo com o Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O estudo, divulgado nesta terça-feira (26), aponta Maranguape na primeira colocação, com 87,2 homicídios por 100 mil habitantes. Maracanaú, Itapipoca e Caucaia aparecem na terceira, quarta e quinta posições do ranking.
Ao todo, o Atlas considerou 336 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes. Entre eles, Maranguape é o de menor população (108 mil). A cidade também figurou como a mais violenta do país no Anuário Brasileiro de Segurança 2025, publicado em julho de 2025. No levantamento do Atlas, Maranguape registrou 39 homicídios em 2024 e teve a inclusão de 56 homicídios ocultos — totalizando 95 homicídios estimados.
Segundo a metodologia do estudo, a classificação de homicídios ocultos busca corrigir registros de mortes violentas cuja intencionalidade não é definida no Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde. Para isso, os pesquisadores aplicam modelos de aprendizado de máquina que estimam quantas dessas ocorrências podem, de fato, ser homicídios, incorporando-as ao total estimado.
Com essa abordagem, o Brasil teria registrado 49.673 homicídios estimados em 2024. No mesmo período, foram 42.590 homicídios oficialmente registrados, o que corresponde a uma taxa de 20,1 por 100 mil habitantes — a menor em 11 anos. No recorte estadual, o Ceará registrou taxa de 34,3 mortes por 100 mil habitantes em 2024, a quinta maior entre as 27 unidades da federação, e figurou entre as 18 acima da média nacional. Na comparação com 2023, o estado teve alta de 5,2% na taxa de homicídios. O Maranhão também apresentou elevação, de 7,6%.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) ressaltou que os dados do Atlas se referem a 2024 e afirmou que, em 2026, os municípios citados registraram queda dos Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLIs). No primeiro quadrimestre deste ano, segundo a pasta, Maranguape teve redução de 95,8% (1 CVLI, ante 24 no mesmo período de 2025); Maracanaú, de 90,4% (5 contra 52); Caucaia, de 39,1% (42 contra 69); e Itapipoca, de 16,7% (10 contra 12). No conjunto do estado, houve 585 mortes violentas entre janeiro e abril de 2026, frente a 931 no mesmo período do ano passado, uma queda de 37,2%. Em Fortaleza, a retração foi de 60,8% (104 contra 265); na Região Metropolitana de Fortaleza, de 60,6% (99 contra 251); e no Interior, de 8% (382 contra 415).
A SSPDS também informou que, em 2025, foram apreendidas 811 armas de fogo em Caucaia (346), Maracanaú (245), Maranguape (133) e Itapipoca (86). No primeiro quadrimestre de 2026, as forças de segurança recolheram 155 armas nesses quatro municípios. Em todo o Ceará, 7.221 armas foram apreendidas em 2025, o melhor resultado da série histórica, com a Região Metropolitana de Fortaleza registrando aumento de 18,2% (1.592 armas). As prisões por homicídios também cresceram em 2025: em Caucaia, 135 capturas (contra 100 em 2024); em Maracanaú, 75 (contra 43); em Maranguape, 51 (contra 36); e em Itapipoca, 28 (contra 15).
Entre as medidas adotadas, o governo estadual destacou a inauguração, em dezembro de 2025, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa da Região Metropolitana de Fortaleza (com quatro delegacias e sede em Caucaia), a expansão do CPRaio para 80 municípios, a interiorização do videomonitoramento com 6.068 câmeras e a atuação da Ciopaer com cinco bases (Fortaleza, Sobral, Juazeiro do Norte, Crateús e Quixadá). Citou ainda o Programa de Cumprimento de Mandados de Prisão (Procumpri), regulamentado em 29 de dezembro de 2025, pelo qual foram realizadas 1.935 capturas de pessoas com mandado em aberto ao longo de 2025; o Sistema de Metas Integradas de Segurança Pública (Misp); e a reestruturação das forças de segurança em março de 2025, com criação de comandos, batalhões, delegacias e unidades de inteligência. Entre 2023 e 2026, mais de 5 mil novos profissionais foram nomeados para reforçar as ações no estado.
Fonte: G1
Source: G1
