Tag: ceara #eleicoes #politica #justicaeleitoral #racha

  • Racha no Ceará: federação apoia Ciro, partidos apoiam Elmano e caso vai à Justiça Eleitoral

    Racha no Ceará: federação apoia Ciro, partidos apoiam Elmano e caso vai à Justiça Eleitoral

    As executivas estaduais do União Brasil e do Progressistas ajuizaram, na segunda-feira (27), ação no Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) para anular a convenção da Federação União Progressista, realizada no domingo (26). Na convenção, a federação formada por União Brasil e Progressistas aprovou apoio à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao Governo do Ceará, enquanto, em deliberações separadas e no mesmo prédio, os dois partidos decidiram respaldar a campanha de reeleição do governador Elmano de Freitas (PT).

    O pedido ao TRE-CE busca invalidar a ata da convenção da federação. A decisão da Justiça Eleitoral poderá definir para qual candidatura — Ciro ou Elmano — serão destinados os recursos da federação, como tempo de propaganda e cotas do Fundo Partidário.

    Em âmbito nacional, União Brasil e Progressistas constituíram, em 2025, a Federação União Progressista, com validade até 2029. Embora a aliança preveja atuação conjunta, a Executiva nacional liberou as instâncias estaduais para apoiar candidatos locais.

    No Ceará, a federação é presidida por Capitão Wagner (União), ex-deputado federal e um dos principais nomes de oposição ao governador Elmano. Os diretórios estaduais dos partidos que compõem a federação são comandados por aliados do chefe do Executivo: o Progressistas tem à frente o deputado federal AJ Albuquerque, e o União Brasil é presidido pelo deputado federal Moses Rodrigues.

    Na convenção de domingo, a federação declarou apoio a Ciro e lançou o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (União) como candidato a vice; Capitão Wagner foi oficializado para a disputa ao Senado. Já em convenções próprias, União Brasil e Progressistas definiram apoio à reeleição de Elmano e podem, inclusive, respaldar os candidatos do governador ao Senado, em vez da candidatura de Wagner, filiado ao União. O impasse criou um cenário em que o União Brasil, apesar de ter um filiado indicado como vice na chapa de Ciro, formalizou apoio ao adversário, Elmano.

    Federações partidárias diferem de coligações: enquanto coligações são alianças temporárias restritas a cargos majoritários (governador, senador e presidente), as federações obrigam os partidos a atuarem conjuntamente por, no mínimo, quatro anos, como se fossem uma única legenda no Congresso — compartilhando Fundo Partidário, tempo de televisão e diretrizes programáticas. Desde a mudança nas regras eleitorais, coligações não podem mais ser usadas nas disputas proporcionais; para esse fim, partidos que queiram se unir precisam formar uma federação.

    Como a federação é o ente que representa os dois partidos, ela administra o Fundo Partidário e o tempo de televisão que caberiam às siglas. Na prática, isso significa que, mesmo com filiados de União Brasil e Progressistas livres para apoiar Elmano, os recursos da federação ficariam sob gestão de aliados de Ciro, caso prevaleça a deliberação federativa — ponto contestado pelas direções partidárias na ação judicial.

    A disputa interna não é recente: há meses, grupos com posições distintas em relação ao governo estadual disputam o comando dos partidos e da federação. Em maio deste ano, a Justiça Eleitoral confirmou Capitão Wagner como presidente estadual da Federação União Progressista.

    O veículo também informou a existência de um canal no WhatsApp para acompanhamento das notícias locais.

    Fonte: G1 Globo

    Source: G1 Globo