A Prefeitura de São Gonçalo do Amarante, na Região Metropolitana de Fortaleza, afirmou que a estátua de 11 metros em homenagem ao Diabo erguida na Taíba é regular e foi licenciada conforme a legislação municipal, após autorização do Governo do Ceará. O monumento fica no Palácio Estrela Negra da Quimbanda, em propriedade privada. Como o templo está situado na Área de Proteção Ambiental (APA) das Dunas do Litoral Oeste, a obra exigiu aval da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Mudança do Clima (SEMA). Segundo a gestão, a Licença Ambiental e o Alvará de Construção foram emitidos de acordo com as normas urbanísticas e ambientais vigentes. Em nota, a prefeitura destacou compromisso com a legalidade, transparência e respeito à liberdade de crença e de culto, garantida pelo artigo 5º, inciso VI, da Constituição Federal. A inauguração ocorreu em 25 de julho, durante cerimônia pelos 29 anos da casa religiosa liderada por Mãe Rainha das Trevas, que se define como feiticeira e preferiu não revelar a idade, chamando-a de “mistério”. Ela afirmou que a obra foi feita em sua propriedade, com as devidas autorizações, e que cuidou pessoalmente dos trâmites burocráticos. A líder religiosa disse ter investido mais de R$ 100 mil na idealização e construção, com projeto assinado por engenheiro civil. Ela não informou o tempo de execução. Segundo declarou, todo o financiamento foi próprio. Mãe Rainha das Trevas afirma que a estátua é a maior do mundo, mas não há registro oficial que comprove a informação. A líder acumula quase 800 mil seguidores no Instagram, onde divulga práticas de magia e registrou a inauguração do monumento, recebendo tanto mensagens de apoio quanto ataques preconceituosos. Em defesa da laicidade do Estado e da liberdade de culto, ela pediu respeito às diferenças de crença. A legislação brasileira classifica como crime a intolerância religiosa quando envolve discriminação, preconceito, impedimento de direitos ou incitação ao ódio, com punição prevista na Lei nº 7.716/1989. A líder relembrou que críticas não começaram com a estátua, mas na época em que chefiava a “Casa dos Caixões”, no bairro Montese, em Fortaleza, onde viveu por quatro anos. Depois, mudou-se para a Taíba e ergueu o Palácio Estrela Negra da Quimbanda. O local é aberto ao público para giras mensais (sessões e rituais) e festas dedicadas a entidades cultuadas, com participação estimada entre 200 e 300 pessoas. Apesar de ataques virtuais, ela disse não temer vandalismo, citando o respeito mantido na comunidade. A líder também mencionou ações sociais, como doação anual de toneladas de carne (frango, boi e bode) oriunda de animais sacrificados em rituais, além de distribuição de brinquedos no Dia das Crianças. A quimbanda não é reconhecida como religião formal; é definida como um culto a entidades como exus e pombagiras. Seus fundamentos são transmitidos oralmente. O título de Tata N’ganga de Quimbanda refere-se a um mestre ritualista, ou sacerdote supremo, na linhagem Congo-Angola. Antes confundida como o “lado ruim” da umbanda, a prática é defendida por sacerdotes como um culto ancestral voltado à evolução espiritual. O sacerdote Barok afirma não haver consenso sobre origem, período ou local de surgimento e explica que o nome teria sido tomado dos povos bantos, em referência aos curandeiros conhecidos como “kimbanda”. Entre as crenças centrais está a reencarnação, vista como “castigo espiritual” — um ciclo de retorno à Terra para vivenciar dores e experiências diversas. O objetivo, segundo Barok, é evoluir para não reencarnar e, no plano espiritual, tornar-se exu ou pomba-gira. Imagens do monumento foram registradas por Carlos Marlon/TVM, e o g1 publicou infográfico sobre a obra.
Fonte: G1 Globo
Source: G1 Globo
