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  • Após achar petróleo no quintal, agricultor no CE aguarda laudo para perfurar novo poço em busca de água

    Após achar petróleo no quintal, agricultor no CE aguarda laudo para perfurar novo poço em busca de água

    O agricultor Sidrônio Moreira, morador de Tabuleiro do Norte (CE), a cerca de 210 km de Fortaleza, que encontrou petróleo ao perfurar o quintal em busca de água, aguarda um estudo de solo para tentar abrir um novo poço. A família procurou a Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra), que informou que realizará, em agosto, um levantamento para identificar os locais mais adequados a novas perfurações. O estudo começa e deve ser concluído no mesmo mês.

    A perfuração inicial ocorreu em 2024, quando Sidrônio e o filho decidiram cavar um poço artesiano para enfrentar a escassez hídrica. Em vez de água, surgiu um líquido preto com cheiro de combustível. Em maio deste ano, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) confirmou que se tratava de petróleo cru e abriu um processo administrativo para avaliar a área e seu contexto geológico, dimensionar possíveis reservas e estudar a viabilidade de exploração. A agência não estabeleceu prazo para concluir a análise e destacou que não há garantia de exploração comercial.

    Após a confirmação, a família ficou impedida de mexer no ponto onde ocorreu o achado, por questões de segurança ambiental. Com o novo estudo da Sohidra, Sidrônio pode obter a indicação do local mais apropriado para tentar uma nova perfuração. “Fico muito feliz com essa notícia logo agora que vou precisar ainda mais de água. O pasto já está ficando seco e os animais estão consumindo mais água”, disse o agricultor.

    Sidrônio vive em um sítio de 48 hectares com a esposa e dois filhos e relata dificuldades para abastecer os animais e a plantação. Sem saber se já pode perfurar outro poço, recorre à água de uma adutora para tarefas básicas, como cozinhar. Segundo ele, manter a criação e a lavoura se tornou quase inviável, especialmente com as chuvas escassas. “Continua a mesma coisa. Não choveu mais. A adutora nova está funcionando, mas só para o consumo da casa”, afirmou. Em julho, a fatura de água somou R$ 241,44. Além das despesas fixas, o casal paga dois empréstimos bancários, um deles contraído para a perfuração do primeiro poço em 2024. O achado de petróleo frustrou a expectativa de encontrar água.

    Mesmo diante das dificuldades, vender as terras não é uma opção. Sidrônio conta que recebeu propostas antes mesmo da confirmação da ANP, mas recusou todas. Ele espera uma resposta rápida da agência sobre a avaliação do terreno para retomar os planos de plantio e criação.

    Pelo marco legal brasileiro, o subsolo e suas riquezas, como petróleo e gás, pertencem à União. Assim, o óleo encontrado não é propriedade do agricultor. Caso a área venha a ser explorada comercialmente no futuro, o proprietário do terreno pode receber um percentual, que pode chegar a até 1%, conforme previsto em lei e sujeito a diversos fatores técnicos e regulatórios. A ANP ressalta que antes é necessário concluir a avaliação e que achados semelhantes já foram descartados por representarem acúmulos pequenos.

    A agência informou que a análise técnica poderá incluir a eventual oferta da área na Oferta Permanente de Concessão, modalidade atual de licitação para exploração e produção de petróleo e gás. Todo o processo — da avaliação e pesquisas ao leilão, instalação de operações e obtenção de licenças ambientais — pode levar anos.

    Enquanto isso, o estudo da Sohidra previsto para agosto deve orientar se, onde e como o agricultor poderá tentar novamente perfurar um poço artesiano para captação de água.

    Fonte: G1

    Source: G1