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  • Fazenda da maconha no CE: dois presos por logística, delegados exonerados e polícia diz ter incinerado plantação

    Fazenda da maconha no CE: dois presos por logística, delegados exonerados e polícia diz ter incinerado plantação

    Dois homens, de 21 e 47 anos, foram presos nesta sexta-feira (10) em Orós, a cerca de 96 km de Acopiara, suspeitos de envolvimento na logística da plantação de cerca de 290 mil pés de maconha descoberta em Acopiara, no interior do Ceará. Contra eles, foram cumpridos mandados de prisão temporária por tráfico de drogas e associação para o tráfico. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) não divulgou os nomes dos detidos.

    A apreensão, uma das maiores da história do estado, tornou-se alvo de investigação após denúncia do deputado federal André Fernandes (PL), que afirmou que a área havia sido deixada sem custódia, com drogas ensacadas e plantas ainda no local. Em meio à repercussão, os delegados Vicente de Paula Rodrigues, então titular da Delegacia de Acopiara, e Marcos Sandro Nazaré de Lira, que atuava como delegado seccional da 4ª Seccional do Interior Sul, foram exonerados das funções de chefia. A Polícia Civil fundamentou a decisão na Lei nº 13.441, de 29 de janeiro de 2004, e ressaltou que a exoneração é efeito legal automático e temporário, sem antecipação de julgamento de mérito; ambos permanecem em atividade, mas fora dos cargos de comando.

    A Associação dos Delegados de Polícia do Ceará (Adepol-CE), por meio de sua assessoria jurídica, classificou a abertura do processo administrativo disciplinar como precipitada e desarrazoada, alegando ausência de apuração preliminar ampla para delimitar responsabilidades.

    A Polícia Civil informou, na última sexta-feira (3), que concluiu a destruição e a incineração controlada da plantação. Segundo a corporação, o material apontado por André Fernandes corresponde a restos da própria plantação e de outras espécies do terreno. A técnica utilizada pelo Corpo de Bombeiros consistiu em cavar valas, queimar as plantas com gasolina e óleo diesel e, em seguida, cobrir o material com terra para evitar a propagação do fogo. A ação teve acompanhamento de servidores da Perícia Forense do Ceará (Pefoce), da Polícia Militar (PMCE), da Vigilância Sanitária, do Ministério Público do Ceará e da Guarda Municipal. Pela legislação brasileira, em apreensões sem prisão em flagrante, a droga deve ser incinerada em até 30 dias, com delimitação da área e preservação das provas.

    O caso ganhou novo capítulo quando o deputado afirmou ter retornado à fazenda na noite de 2 de julho e encontrado pés de maconha enterrados. Ele iniciou escavações e tentou acionar um trator, mas foi interrompido por uma equipe da Polícia Civil que chegou durante a gravação. Na sequência, tratores da Superintendência de Obras Públicas auxiliaram na revolvimento total da área.

    O governador Elmano de Freitas (PT) visitou a fazenda em 29 de junho, ao lado dos chefes das forças de segurança estaduais, e afirmou que toda a plantação seria destruída e que eventuais falhas seriam apuradas. A Controladoria Geral de Disciplina (CGD) abriu investigação para verificar a conduta dos policiais responsáveis pela preservação do local, e o Ministério Público do Ceará acompanha o caso por meio do Gaesp e do Gaeco.

    A plantação foi descoberta em 25 de junho durante operação da Polícia Civil, que localizou aproximadamente 160 mil pés em fase de cultivo e outros 130 mil já colhidos, além de um acampamento com estrutura de trabalho e indícios de fuga recente, como feijão ainda cozinhando. A estimativa é de cerca de 5 toneladas do entorpecente apreendidas.

    A Polícia Civil informou que a fazenda estava arrendada e que já identificou o proprietário e o arrendatário. Em 2 de julho, o dono do imóvel, João Holanda Neto, foi preso temporariamente e liberado no dia 3. Familiares dele afirmaram que o responsável pela droga seria o arrendatário, Cristiano Rodrigues de Lima, que segue foragido.

    Fonte: G1 Globo

    Source: G1 Globo