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  • Condenado por morte de delegado em festa, tenente da PM se entrega no Ceará para cumprir 13 anos

    Condenado por morte de delegado em festa, tenente da PM se entrega no Ceará para cumprir 13 anos

    O tenente da Polícia Militar Georges Aubert dos Santos Freitas, condenado pela morte do delegado Jorge Ferreira Mendes durante uma discussão em uma festa, apresentou-se nesta terça-feira (25) ao 2º Batalhão da PM, em Juazeiro do Norte, no Cariri cearense, para cumprir pena de 13 anos de reclusão. Segundo a Polícia Militar, a apresentação foi espontânea, em atendimento a determinação judicial expedida pela Comarca de Jaguaribe. Após os trâmites administrativos, o militar foi encaminhado ao Presídio Militar, em Fortaleza, onde permanece à disposição da Justiça. O crime ocorreu na madrugada de 4 de julho de 2004, no parque de vaquejadas de Nova Jaguaribara. De acordo com a denúncia do Ministério Público do Ceará (MPCE), o tenente estava de serviço e comandava 33 policiais destacados para reforçar a segurança do evento. Por volta das 2h, ele, acompanhado de cinco agentes, foi até a mesa onde o delegado se divertia com amigos. Havia desavença prévia entre os dois, e, conforme a acusação, o tenente proferiu ofensas. Diante da continuidade das ofensas, o delegado sacou a arma e atirou, atingindo o tenente no braço direito. Houve troca de tiros e três pessoas ficaram feridas, entre elas o delegado. Ainda segundo o MPCE, após cessarem os disparos, o delegado foi algemado pelos policiais sob o comando do tenente, agredido e colocado em uma viatura, sendo levado de forma lenta ao hospital, onde morreu. Em abril de 2009, o Juízo da Comarca de Jaguaribe proferiu sentença de pronúncia contra Georges Aubert e contra o soldado Antônio Waderlon de Sousa, motorista do veículo que transportou o delegado. Os dois recorreram ao Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), que, em 2010, manteve a pronúncia. Em 2015, as Câmaras Criminais Reunidas (atual Seção Criminal) determinaram a transferência do processo para Fortaleza, visando à segurança dos réus e à isenção dos jurados. Em novembro de 2016, o Conselho de Sentença da 2ª Vara do Júri da capital condenou Georges Freitas e absolveu Waderlon Sousa. A pena do tenente foi fixada em 13 anos de reclusão, em regime inicialmente fechado, com a decretação da perda do cargo. A defesa recorreu ao TJCE pedindo a anulação do júri, sob a alegação de julgamento contrário às provas, mas, em outubro de 2018, a 2ª Câmara Criminal manteve a sentença de 1º grau, seguindo o voto da desembargadora Marlúcia de Araújo Bezerra. À época, a magistrada destacou a qualificadora de meio que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima e afirmou: “Houve uma conduta comissiva do réu de impedir a adoção de providências médicas que pudessem salvar a vida da vítima e, contra essa conduta do sentenciado, a vítima não teve a menor possibilidade de se defender, uma vez que já estava gravemente ferida, algemada e submetida aos caprichos revanchistas do acusado”. Enquanto respondia ao processo em liberdade, Georges Aubert exerceu o cargo de secretário de Segurança de Milagres. Ele também é investigado por fraude processual relacionada à operação policial que deixou 14 mortos no episódio conhecido como “tragédia de Milagres”.

    Fonte: G1 Globo

    Source: G1 Globo