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  • Polícia investiga suspeita de interferência de facção em campanha eleitoral no Ceará

    Polícia investiga suspeita de interferência de facção em campanha eleitoral no Ceará

    Pelo menos três pessoas são investigadas por suspeita de extorsão, ameaças, intimidação e violência contra pessoas ligadas a uma campanha eleitoral em Quixelô, no interior do Ceará. Entre os episódios estão disparos de arma de fogo contra o carro de um apoiador político, envio de mensagens ameaçadoras, cobrança de dinheiro e retirada de material de campanha.

    Segundo a Polícia Civil, os suspeitos teriam ligação com o Comando Vermelho. Dois homens foram presos e um adolescente foi identificado durante as investigações. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados.

    Os casos ocorreram durante o mês de setembro e são apurados como parte de uma possível tentativa de interferência de uma facção criminosa na campanha eleitoral do município, localizado a 304 quilômetros de Fortaleza.

    Na terça-feira (15), uma dupla em uma motocicleta chegou a uma via pública e efetuou disparos contra o carro de um morador que atua em uma campanha política em Quixelô. Um homem de 20 anos e um adolescente foram identificados como suspeitos de participação na ação.

    O homem apontado como condutor da motocicleta foi detido em Quixelô e levado para a Delegacia de Polícia Civil de Iguatu, onde permaneceu preso. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ele é suspeito de disparo de arma de fogo, corrupção de menores e integração a organização criminosa. Uma motocicleta, um celular e peças de vestuário foram apreendidos.

    O adolescente prestou depoimento na Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) Sul. Conforme a SSPDS, ele foi liberado por não estar em situação de flagrante, mas continuou sendo investigado.

    Na sexta-feira (18), a Polícia Civil cumpriu um mandado de busca e apreensão contra o adolescente. Segundo a Delegacia de Polícia Civil de Iguatu, o material apreendido durante a ação ajudou a identificar formalmente a participação da dupla nos disparos.

    Outro caso investigado ocorreu em 3 de setembro, quando um homem de 33 anos foi preso durante as apurações sobre uma possível interferência da facção na campanha eleitoral. Conforme a Polícia Civil, ele é investigado por envolvimento direto em uma tentativa de extorsão contra pessoas ligadas à campanha política em Quixelô.

    Uma das vítimas recebeu a seguinte mensagem: “Cuidado pra não levar tiro, você ou sua casa”. Segundo as investigações, as ameaças estariam relacionadas ao fato de o morador pedir votos para um candidato no município.

    A SSPDS informou que o homem foi preso por força de uma ordem judicial relacionada a uma investigação de homicídio. Ele também era investigado por tentar interferir no processo eleitoral. De acordo com a pasta, o suspeito possui antecedentes criminais por ameaça, violência doméstica e contravenção.

    As investigações identificaram ainda outro episódio de intimidação relacionado à campanha. Imagens de câmeras de segurança registradas na quarta-feira (16) mostram um homem apontado como integrante da facção retirando bandeiras de um candidato de uma rua de Quixelô.

    A Polícia Civil informou que a atuação policial faz parte de uma investigação mais ampla para esclarecer uma possível conexão entre os episódios de extorsão, intimidação e violência registrados no município. As diligências também buscam individualizar a participação de cada suspeito e identificar outros possíveis envolvidos na atuação da organização criminosa em Quixelô.

    Segundo a SSPDS, em 2026, a polícia prendeu 29 suspeitos de tentar interferir no contexto político e eleitoral a mando de facções criminosas no Ceará. As ocorrências foram registradas em 12 municípios: Fortaleza, Acaraú, Baturité, Capistrano, Cascavel, Cariré, Forquilha, Itapajé, Maranguape, Santana do Acaraú, São Luís do Curu e Quixelô.

    Nos casos investigados no estado, integrantes de facções teriam utilizado redes sociais e ligações telefônicas para ameaçar e coagir pessoas, além de cobrar valores de candidatos e apoiadores. Conforme as investigações citadas pela SSPDS, em algumas situações os criminosos impõem taxas de milhares de reais para permitir a realização de campanhas. Em outras, determinam que políticos não entrem em determinadas áreas.

    Em Quixelô, a Polícia Civil apura se os episódios de extorsão, ameaças, disparos de arma de fogo e retirada de material de campanha estão relacionados à atuação de uma mesma organização criminosa.

    Fonte: G1

    Source: G1