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  • Estátua de 11 m ao Diabo no Ceará: quem é a líder religiosa que diz atender políticos e bancou R$ 100 mil no projeto

    Estátua de 11 m ao Diabo no Ceará: quem é a líder religiosa que diz atender políticos e bancou R$ 100 mil no projeto

    Uma estátua de 11 metros em homenagem ao Diabo foi erguida no Palácio Estrela Negra da Quimbanda, em Taíba, distrito de São Gonçalo do Amarante, no litoral do Ceará. A responsável é a líder religiosa que se apresenta como Mãe Rainha das Trevas e se define como feiticeira dentro da quimbanda. Com quase 800 mil seguidores no Instagram, ela exibe rituais e compartilha os preceitos de sua fé, afirmando ser procurada por parlamentares interessados em vitórias eleitorais. A idade, diz, é “mistério”.
    O Palácio Estrela Negra da Quimbanda, onde ela mora, completou 29 anos de fundação em 25 de julho, mesma data escolhida para a inauguração da estátua. Antes de se estabelecer na propriedade em Taíba, ela viveu por quatro anos no bairro Montese, em Fortaleza, onde comandou a chamada “Casa dos Caixões”, pintada de preto e com quatro caixões no interior. Também se define como bruxa e, nas redes, adota o título de “Feiticeira dos políticos”.
    Segundo a líder, a obra custou cerca de R$ 100 mil, totalmente financiados por ela. O projeto foi assinado por um engenheiro civil e construído integralmente dentro de sua propriedade particular. Para evitar problemas legais, buscou todas as licenças necessárias. A Prefeitura de São Gonçalo do Amarante confirmou que o templo está em conformidade com normas urbanísticas e ambientais, tendo recebido alvará e autorização inclusive da Secretaria do Meio Ambiente do Ceará (Sema), já que a área fica em uma Área de Proteção Ambiental (APA). “Na parte burocrática, eu mesma fui atrás de toda a liberação da construção e obtive, como qualquer cidadã brasileira pode chegar a qualquer prefeitura de seu município e pedir uma autorização para fazer uma construção em suas terras”, disse.
    Sobre a figura do demônio, ela afirma ter uma visão acolhedora: “Eu falo o nome demônio com muito amor, pois os demônios são bons, os demônios ajudam”. O palácio abre ao público uma vez por mês durante giras (rituais) e festas mensais, reunindo entre 200 e 300 pessoas. A líder também promove ações de caridade, como a doação anual de toneladas de carne provenientes de oferendas rituais e a distribuição de centenas de brinquedos no Dia das Crianças, em outubro. Apesar de ataques virtuais, ela diz não temer vandalismo: “Toda a minha comunidade sabe da minha fé, me respeita. Aqui nós mantemos muito a situação do respeito”.
    A quimbanda, prática que orienta seus seguidores, não é oficialmente reconhecida como religião. Assim como tradições de matriz africana, seus fundamentos são transmitidos oralmente, sem um livro sagrado. Barok, Tata N’ganga de Quimbanda brasileira (sacerdote e mestre ritualista), afirma que a quimbanda foi por muito tempo associada ao “eixo ruim” da umbanda, visão que ele atribui ao preconceito. Segundo ele, trata-se de um culto ancestral que busca evolução espiritual. Não há consenso sobre quando e onde surgiu; o nome teria sido emprestado de povos bantos, em que curandeiros eram chamados de “kimbanda”. Um dos pilares é a crença na reencarnação, vista como “castigo espiritual”. O objetivo, diz o sacerdote, é evoluir para não retornar a este mundo e, no plano espiritual, tornar-se exus e pomba-giras.

    Fonte: G1

    Source: G1