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  • Expocrato: clientes dizem ter pago até R$ 330 por doces e relatam constrangimento; Decon aponta falha de informação e empresa nega golpe

    Expocrato: clientes dizem ter pago até R$ 330 por doces e relatam constrangimento; Decon aponta falha de informação e empresa nega golpe

    Relatos de consumidores sobre preços elevados e constrangimento em um stand de doces na Exposição Agropecuária do Crato (Expocrato), no Cariri do Ceará, levaram o Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Decon), do Ministério Público do Ceará (MPCE), a fiscalizar o local. O órgão constatou que os preços não estavam exibidos de forma clara e que os produtos não tinham indicação de tamanho ou peso, o que fazia com que os clientes comprassem sem saber o valor final. Se as adequações exigidas não forem feitas, o estabelecimento pode ser interditado.

    A Doceria Deleites, barraca mineira participante da Expocrato, nega fraude e afirma que vende os produtos por peso, que o cliente escolhe o tamanho da fatia e que, uma vez cortado, o pedaço não pode ser reaproveitado por orientação sanitária. Em vídeo, o representante identificado como Fausto disse que a empresa fabrica doces de leite e cocadas há anos, circula pelo Brasil e anuncia os preços de R$ 19,90 a cada 100 gramas e de R$ 199 o quilo. Segundo ele, não é possível mensurar exatamente 100 gramas em barras de 25 quilos. O representante não comentou as denúncias de constrangimento.

    O g1 ouviu cinco clientes que relataram surpresa com os valores. Entre os relatos, há o de uma consumidora que afirmou ter pago R$ 330 por doces. A pernambucana Priscila Justino, 34 anos, que viajou 125 km de Granito (PE) até o Crato, contou que pediu 100 gramas pensando pagar R$ 19,90, mas foi informada de que não haveria como saber o valor do pedaço antecipadamente. Ela pediu “dois dedos” de espessura, mas disse que o atendente aprofundou a espátula, e que, no caixa, outro funcionário reforçou que “partiu, tem de levar” e que era self-service, recolocando o doce na balança quando ela tentava tirar. Priscila disse ter se sentido coagida, pagou “por vergonha” e afirmou que o episódio mancha a imagem do evento.

    Outra cliente, que preferiu não se identificar, saiu de Juazeiro do Norte e pagou R$ 118 por dois pedaços de doce de creme de avelã com amendoim. Ela disse que o preço por 100 gramas estava sinalizado, mas que os atendentes pediam para o cliente marcar o tamanho do pedaço, o que dificultava estimar o peso.

    O criador digital Wellington Barros relatou ter pago R$ 137 por três pedaços (abóbora; maracujá com coco; e mesclado de goiabada, queijo e doce de leite). Segundo ele, os atendentes “induzem ao erro” por não informar claramente a quantidade correspondente a cada valor. Barros disse que tentou devolver um dos pedaços, mas não conseguiu; diante da insistência para passar no cartão sem juros, pagou para evitar mais transtornos.

    O biólogo Márcio Holanda afirmou ter desembolsado R$ 177 por dois pedaços (banana e misto de doce de leite com goiaba). Ele disse que não ficou claro que não seria possível ajustar o peso após o corte e que, devido ao formato das barras, o cliente não tem noção do peso. Ao questionar o total e pedir devolução, ouviu do vendedor, “em rima, simpatia e voz alta”, que “se cortou, tem que levar”, com oferta de parcelamento no cartão; atordoado, parcelou em duas vezes.

    O empresário Breno de Freitas contou que foi atraído pela simpatia do vendedor, mas desistiu da compra ao ver que dois pedaços somavam mais de 500 gramas e R$ 117. Ao tentar ficar com apenas um sabor, disse ter sido pressionado a levar tudo sob o argumento de que era self-service e que, uma vez pesado, teria de comprar. Ele expressou preocupação com pessoas mais vulneráveis, como idosos, que poderiam ceder ao constrangimento.

    A Doceria Deleites afirma que não pratica golpe nem enganação e que a orientação de não reaproveitar pedaços cortados segue recomendações de vigilância sanitária. Já o Decon aponta falhas de informação no stand e exige correções, sob pena de interdição. A empresa, que veio de Minas Gerais para participar da Expocrato, não respondeu sobre as denúncias específicas de constrangimento durante as vendas.

    Fonte: G1 Globo

    Source: G1 Globo