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  • MP denuncia motorista de app e grupo por roubo e extorsão com cativeiro em Fortaleza; vítima teve empréstimo de R$ 7,5 mil contratado

    MP denuncia motorista de app e grupo por roubo e extorsão com cativeiro em Fortaleza; vítima teve empréstimo de R$ 7,5 mil contratado

    O Ministério Público do Ceará (MPCE) apresentou, na sexta-feira (24), denúncia à Justiça contra o grupo suspeito de manter em cárcere privado, extorquir e roubar uma passageira de carro por aplicativo em Fortaleza. O crime ocorreu em 9 de julho, após a vítima deixar uma casa de shows no bairro Meireles. Segundo as investigações, o motorista que realizou a corrida integrou a ação criminosa.

    Cinco pessoas foram presas. Quatro delas, apontadas como participantes diretas do crime, seguem detidas com prisão preventiva decretada. Foram denunciados o motorista de aplicativo Matheus Bandeira Fontoura e os comparsas Claudio Natan Barros da Silva, Otavio Joas Martins de Castro e Ana Karolina da Silva Horta pelos crimes de roubo qualificado por concurso de pessoas, extorsão qualificada por privação de liberdade e associação criminosa.

    O MPCE solicitou cópia dos autos à Promotoria para apurar possível tráfico de drogas atribuído a Claudio e Otavio, flagrados com entorpecentes durante a prisão. Também analisou a situação de Rayane da Silva Queiroz, que recebeu dinheiro transferido da conta da vítima e realizou saques para repasse de parte dos valores. Ela foi solta em audiência de custódia. O órgão pediu a quebra dos sigilos telefônico e telemático dos aparelhos apreendidos com os quatro denunciados e, por ora, não avaliou eventual acordo de não persecução penal para Rayane, aguardando dados que delimitem sua participação.

    De acordo com a denúncia, há indícios de atuação conjunta dos investigados com um homem identificado apenas como Ezequiel, ainda não plenamente qualificado. A extração dos dados dos celulares poderá esclarecer comunicações, contatos, arquivos e geolocalizações, além de indicar o papel de cada envolvido.

    No dia do crime, a vítima solicitou corrida pela plataforma Uber e embarcou em veículo conduzido por Matheus. Pouco depois, o motorista alterou deliberadamente o percurso, reduziu a velocidade em ponto combinado e dois comparsas entraram no carro. Armados com uma suposta arma de fogo, os criminosos assumiram o controle do veículo, encapuzaram a passageira, exigiram acesso ao celular e às contas bancárias e a levaram para um imóvel usado como cativeiro, onde ela foi ameaçada de morte, inclusive de ser esquartejada.

    Enquanto a vítima estava rendida, o grupo fez transferências eletrônicas, utilizou cartões, subtraiu o celular, joias e outros objetos, além de contratar um empréstimo de R$ 7,5 mil no banco da passageira. Também houve uma transferência de R$ 620 da conta da mulher.

    Segundo a Secretaria da Segurança Pública, os suspeitos foram presos em flagrante poucas horas após o crime e autuados por roubo com restrição de liberdade, extorsão qualificada e associação criminosa. Um homem de 21 anos também foi autuado por tráfico de drogas. Em um endereço ligado aos investigados, outro homem, de 27 anos, foi encontrado com entorpecentes e igualmente autuado por tráfico.

    Conforme o processo judicial e a Delegacia Antissequestro, parte dos valores subtraídos foi transferida diretamente para a conta do motorista. Ao ser localizado pela polícia, ele confessou participação e apontou Claudio Natan, conhecido como Sorriso, como um dos articuladores. Em outra diligência, equipes localizaram Claudio Natan, Otavio e Ana Karolina em uma residência vinculada ao grupo, onde apreenderam uma arma falsa, dinheiro em espécie, porções de maconha e cerca de 50 gramas de cocaína, além de recuperarem joias da vítima. A investigação indica que Ana Karolina auxiliou na execução de Pix e outras movimentações bancárias, enquanto Otavio atuou na operacionalização das fraudes financeiras e no tráfico. Rayane também foi presa por receber parte do dinheiro roubado.

    A Uber informou que o motorista estava regularmente cadastrado, que colaborará com as autoridades, que a conta dele foi desativada e que todas as viagens contam com seguro. A plataforma afirmou ainda disponibilizar suporte psicológico em parceria com o MeToo Brasil, acionado para a vítima. A defesa de Matheus Bandeira Fontoura declarou que ele é inocente, sustenta que também foi vítima da atuação de outros envolvidos e que apresentará suas provas no momento processual adequado.

    Fonte: G1 Globo

    Source: G1 Globo