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  • No trânsito de Fortaleza, avô catador ensina neto de 7 anos a ler “Vitória” em ônibus; vídeo viraliza

    No trânsito de Fortaleza, avô catador ensina neto de 7 anos a ler “Vitória” em ônibus; vídeo viraliza

    Uma cena registrada no trânsito de Fortaleza viralizou nas redes sociais desde o domingo (12). Sentado em um carro usado para a coleta de materiais recicláveis, o menino Moisés Lincoln, de 7 anos, aprende a ler a palavra “Vitória” estampada na traseira de um ônibus, com a ajuda do avô, o catador Carlos André Marques, de 44 anos. O episódio ocorreu na Avenida Mister Hull, importante via que liga Fortaleza a Caucaia.

    Moisés aprendeu a ler na escola e acompanhava o avô no fim de semana. Segundo André, o neto gosta de ir com ele quando está de folga das aulas e costuma fazer muitas perguntas durante o trajeto. No momento que foi filmado, a criança olhou para a palavra “Vitória” — nome da empresa de ônibus que atua em Caucaia — e achou que estivesse escrito “ônibus”, tendo dificuldade para soletrar. O avô então se aproximou do veículo e foi mostrando letra por letra, explicando também que o nome é o mesmo de uma tia do menino, Vitória Emily. Ao notar a curiosidade sobre as letras “I” e “T” estarem “coladas”, André esclareceu que aquilo fazia parte da marca da empresa.

    O vídeo foi gravado pela fisioterapeuta Alline Santiago, que passava pela avenida e se emocionou com a cena. As imagens se espalharam por diversos perfis e acumularam comentários de apoio.

    A família se sustenta com a coleta de materiais recicláveis. Embora sejam avós, Moisés é criado como filho do casal e chama André de pai e Luciana de mãe. O menino cursa o 2º ano do Ensino Fundamental em uma escola da rede municipal de Caucaia. Antes de entrar na escola, ele acompanhava o avô com mais frequência durante o trabalho nas ruas.

    O casal tem cinco filhos, com idades entre 15 e 22 anos, e relata orgulho ao ver o interesse deles por estudo e trabalho; a filha mais nova frequenta escola pública em tempo integral. Em 2023, Luciana foi diagnosticada com fibromialgia, condição que provoca dores intensas e dificulta até tarefas domésticas.

    Moradores do bairro Parque das Nações, em Caucaia, a família enfrenta problemas como a falta de água encanada e de saneamento básico. A casa, à beira de um córrego, tem acesso difícil para caminhões que poderiam buscar os recicláveis, o que, segundo Luciana, já levou à perda de vendas para redes que pagam melhores preços.

    Durante a pandemia, com a suspensão das aulas presenciais, os filhos acompanharam os pais nas coletas. Sem receber auxílio emergencial, a família obteve um tablet para que as crianças mantivessem o contato com os estudos.

    André conta que sempre buscou apresentar coisas novas aos filhos e à esposa durante os trajetos pela cidade. Ele relembra que, quando conheceu Luciana, há cerca de 20 anos, não tinha documento de identidade; foi ela quem o incentivou a ir à delegacia para tirar o RG e, antes disso, fez questão de ensiná-lo a assinar o nome completo.

    Ao perceber a repercussão, a reação de André foi: “Olha aí, Moisés. Nós dois estamos bombando”. Desde então, a família tem recebido diversas mensagens de pessoas que se emocionaram com a cena. Uma moradora do bairro Henrique Jorge, em Fortaleza, ofereceu reforço escolar gratuito para Moisés. Emocionada, Luciana diz que pretende aproveitar a oportunidade, apesar da distância de cerca de 7 quilômetros até o bairro, e reconhece que não tem a mesma facilidade para ensinar em casa.

    Fonte: G1

    Source: G1