Um estudante do Colégio Antares, no bairro Papicu, em Fortaleza, desmaiou cerca de cinco minutos após ingerir uma mistura de bebida alcoólica com remédios dentro da sala de aula, segundo relato da mãe ao g1. O adolescente, que não será identificado, foi levado ao hospital e permanece internado na UTI desde quinta-feira, recebendo medicações e com necessidade de desmame. De acordo com a mãe, os médicos aplicaram adrenalina para manter a frequência cardíaca; o quadro é considerado clinicamente estável, mas o jovem ainda não consegue ficar bem sem suporte medicamentoso. A responsável afirma que um colega levou a mistura para a escola e ofereceu ao grupo de amigos; apenas seu filho consumiu. Minutos depois, ele desmaiou. Ela relata ter encontrado o filho desorientado: não conseguia andar, estava sonolento e com fala desconexa. O marido carregou o adolescente até o carro para encaminhá-lo ao hospital. Ao retornar à escola, familiares e colegas localizaram no lixo uma lista com substâncias usadas na mistura; um estudante teria admitido ter preparado o conteúdo. Em nota, o Colégio Antares informou que o caso ‘está sendo devidamente tratado’. A escola disse ter acionado as famílias, providenciado atendimento médico e registrado boletim de ocorrência. A unidade acrescentou que colabora integralmente com as autoridades e não dará mais detalhes por ora. A Secretaria da Segurança Pública do Ceará comunicou que equipes da Polícia Militar, por meio do Comando de Prevenção e Apoio às Comunidades (Copac), foram acionadas e acompanharam a ocorrência. Pessoas que estavam na instituição foram levadas à Delegacia da Criança e do Adolescente para prestar depoimento. O médico Bruno Cavalcante, que atendeu o estudante e publicou um alerta nas redes sociais, afirmou que o adolescente parecia estar embriagado, mas apresentava sinais de letargia, fala desarticulada e desorientação, sem reconhecer pessoas. Segundo o profissional, neste caso específico a mistura incluía álcool (gin), anti-histamínicos de classes diferentes — um deles fenergan —, além de dipirona, ibuprofeno e outras cinco medicações. Ele explicou que a presença de álcool potencializa os efeitos dos anti-histamínicos e de outros fármacos, aumentando o risco. Popularmente conhecida como ‘purple drank’ ou ‘lean’ (um apelido que remete à cor roxa), a combinação tem origem atribuída aos Estados Unidos e pode incluir codeína, anti-inflamatórios e refrigerante; seu consumo oferece risco grave e pode ser fatal. Cavalcante orienta pais e responsáveis a observarem sinais como sonolência excessiva, dificuldade de se manter acordado, instabilidade ao andar, fala arrastada e desorientação, além de verificar se medicações comuns em casa estão faltando. A mãe do adolescente, arquiteta, ressaltou que o filho é tranquilo e não tinha histórico de uso de substâncias lícitas ou ilícitas. Ela reforçou o alerta às famílias: a presença ativa dos pais não elimina riscos, e a vigilância deve ser constante.
Fonte: G1 Globo
Source: G1 Globo
