Um adolescente ficou mais de 30 horas sem despertar após ingerir, dentro de uma escola particular de Fortaleza, uma mistura de bebida alcoólica com medicamentos, prática associada ao chamado “purple drank” ou “lean”. O caso ocorreu na última quinta-feira (21) e é investigado pela Polícia Civil do Ceará. Segundo a mãe, ouvida no sábado (23), o filho ficou “completamente desorientado” e precisou ser internado em uma UTI de um hospital particular, onde seguia monitorado por apresentar baixa frequência cardíaca. De acordo com ela, a equipe médica administrou medicações para estabilizar os sinais vitais, incluindo drogas para sustentar a frequência cardíaca. Clinicamente, o quadro é estável, mas o jovem ainda requer acompanhamento intensivo. O episódio aconteceu no Colégio Antares, unidade do bairro Papicu. Em nota, a escola informou que a situação “está sendo devidamente tratada”, que acionou as famílias envolvidas, providenciou o encaminhamento médico e registrou boletim de ocorrência. A instituição acrescentou que colabora integralmente com as autoridades e, por ora, não dará mais detalhes. A mãe relatou ter sido avisada inicialmente de que o adolescente estaria bêbado, o que surpreendeu a família, que diz não ter hábito de consumir álcool. Ela descreveu o filho como tranquilo e sem histórico de uso de substâncias, e fez um apelo por maior vigilância dos responsáveis, destacando que a presença ativa dos pais não impede que situações desse tipo ocorram. A Secretaria da Segurança Pública do Ceará informou que equipes da Polícia Militar, por meio do Comando de Prevenção e Apoio às Comunidades (Copac), atenderam a ocorrência na escola. Pessoas que estavam na unidade foram encaminhadas à Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA) para prestar depoimento. O médico Bruno Cavalcante, que atendeu o adolescente, divulgou um alerta nas redes sociais. Segundo ele, o jovem apresentava sinais semelhantes à embriaguez, com sonolência intensa, fala desconexa e desorientação. O profissional afirmou que a combinação de álcool com diferentes medicamentos de uso comum, como anti-histamínicos e outros fármacos, potencializa efeitos sedativos e pode causar quadros graves. Ele orientou pais e responsáveis a ficarem atentos a sintomas como sonolência excessiva, dificuldade para manter-se acordado e alterações na fala e na marcha, além de observar eventuais faltas de remédios em casa. Conhecida como “purple drank” ou “lean” (em português, “bebida roxa”), a mistura é associada ao uso recreativo de substâncias e, segundo relatos médicos, pode incluir xaropes com codeína combinados a outras medicações e refrigerantes, o que eleva riscos e pode levar à morte. A prática, cuja origem é atribuída aos Estados Unidos, ganhou popularidade entre jovens e requer atenção redobrada das famílias e da comunidade escolar. O caso segue em apuração pelas autoridades.
Fonte: G1 Globo
Source: G1 Globo
