Moradores da comunidade Barreirão, no bairro Cajazeiras, em Fortaleza, deixaram suas casas às pressas entre a quarta-feira (29) e a quinta-feira (30) após receberem ameaças atribuídas a integrantes de facções criminosas. A Polícia Civil investiga o caso, e a Polícia Militar intensificou o patrulhamento na região.
Segundo apuração da TV Verdes Mares, mensagens atribuídas ao Comando Vermelho (CV), que tenta dominar a área, foram enviadas a moradores, indicando monitoramento da comunidade e determinando que algumas pessoas deixassem o local. Ao menos duas famílias saíram de suas residências nesse intervalo; em um dos casos, os moradores não conseguiram retirar móveis e outros pertences antes da partida.
Ainda conforme a apuração, os criminosos citaram nominalmente cinco moradores, acusando-os de apoiar uma facção rival, e alertaram que, se não deixassem o Barreirão, poderiam ser alvo de ataques.
Na noite de quarta-feira, testemunhas registraram em vídeo integrantes da facção Massa realizando pichações na comunidade, cobrindo inscrições atribuídas ao Comando Vermelho e divulgando a frase: “Nossa bandeira jamais será vermelha”. O episódio reforça a disputa entre grupos criminosos pelo controle da região.
Moradores relataram que o clima de medo modificou a rotina local, antes marcada por crianças nas ruas, que agora permanecem vazias. Uma moradora disse temer ser vítima de violência mesmo sem envolvimento com o crime e afirmou que deixaria a comunidade se tivesse para onde ir.
A PM acompanhou a mudança de parte dos moradores e reforçou a presença ostensiva, com viaturas circulando constantemente. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), atuam na área policiais dos Comandos de Prevenção e Apoio às Comunidades e do Raio.
A SSPDS informou que a Polícia Civil realiza diligências sobre o “deslocamento forçado” na comunidade — termo utilizado para saídas motivadas por ameaças de facções. As investigações estão a cargo da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), com apoio do 13º Distrito Policial e de setores de inteligência da SSPDS e da Polícia Civil. A pasta orienta que vítimas registrem boletim de ocorrência e que informações relevantes sejam repassadas pelo Disque-Denúncia 181, pelo WhatsApp (85) 3101-0181, pelo serviço e-denúncia ou diretamente à Draco, no telefone (85) 3101-7591. O sigilo e o anonimato dos denunciantes são garantidos.
Até o momento, não há um número oficial de moradores expulsos. Equipes de reportagem apuraram que, pelo menos até a tarde de quarta-feira, duas famílias haviam deixado as casas em razão das ameaças.
Fonte: G1
Source: G1
