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  • Após sequestro em Fortaleza, motorista de app mirava empresário, médica e enfermeira, dizem depoimentos

    Após sequestro em Fortaleza, motorista de app mirava empresário, médica e enfermeira, dizem depoimentos

    O motorista de aplicativo Matheus Bandeira Fontoura, preso por sequestrar e extorquir uma passageira durante uma corrida em Fortaleza, teria planejado novos alvos — um empresário, uma médica e uma enfermeira —, segundo depoimento de Cláudio Natan Barros da Silva, o “Sorriso”, apontado como comparsa no caso. A vítima do sequestro é uma estilista que, após deixar uma casa noturna no bairro Meireles na quinta-feira (9), solicitou uma corrida por aplicativo, foi encapuzada e extorquida.
    De acordo com o depoimento de Natan, Matheus sugeriu sequestrar a própria ex-mulher por ela ser médica e “ganhar bem” e também um proprietário de bar na Cidade 2000. Natan afirmou que Matheus estaria adquirindo o estabelecimento e planejava raptar o antigo dono após efetuar o pagamento. Além disso, o motorista teria indicado como alvo uma amiga enfermeira, funcionária da Maternidade Escola Assis Chateaubriand, por supostamente ter bom salário.
    Matheus não respondeu diretamente às acusações feitas por Natan. Em sua versão, disse ter aceitado participar por “receio de sofrer represálias” e sob “imposição de Natan”, que o teria ameaçado ao afirmar que “saberia onde ele morava” caso recusasse. Ele declarou ter usado seu carro na corrida e permanecido no veículo enquanto outros faziam movimentações financeiras na casa de Natan. Alegou não ter procurado a polícia por medo, já que moravam próximos.
    A investigação aponta que Matheus participou ativamente da manutenção da vítima em cárcere privado e tentou realizar transferências e contratar empréstimos bancários pelo celular da estilista. Natan declarou que o produto do crime seria dividido entre os participantes e que orientou a transferência de parte do dinheiro para a conta de Rayane da Silva Queiroz, mãe de seu filho, para saque posterior, afirmando que ela sabia da origem ilícita. Rayane, porém, relatou que Natan apenas avisou que faria uma transferência via Pix sem explicar a origem dos valores e que depois recebeu R$ 1.500 de Matheus.
    Otavio Joas Martins de Castro negou participação e disse ter sabido do crime apenas no dia da prisão; segundo ele, foi buscar R$ 1.000 a pedido de Natan. Já a atual namorada de Natan, Ana Karolina da Silva Horta, teria auxiliado diretamente nas transações bancárias da vítima enquanto ela era mantida em cárcere na residência de Natan, conforme manifestação do Ministério Público e depoimento de Matheus.
    A defesa de Matheus afirmou sustentar “a absoluta inocência de Matheus Bandeira Fontoura” e disse que apresentará, no momento processual adequado, os elementos que, segundo a defesa, demonstram sua ausência de participação criminosa e indicam que ele também teria sido vítima da atuação dos demais. As defesas dos outros presos não foram localizadas. A foto de Matheus, incluída no auto de prisão, integra o processo ao qual a reportagem teve acesso. O g1 Ceará também divulgou link para seu canal no WhatsApp.
    Quatro suspeitos tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça. Rayane foi liberada após audiência de custódia no sábado (11), com medidas cautelares. O juiz afirmou que, até o momento, não há elemento concreto indicando que ela tenha participado diretamente da abordagem, da privação de liberdade ou de atos de violência e grave ameaça na execução do crime.
    O motorista e outras quatro pessoas foram presas em flagrante pela Polícia Civil poucas horas após o sequestro. Segundo a apuração, o crime ocorreu por volta das 23h50 de quinta-feira (9). A vítima solicitou corrida pela plataforma Uber após sair de um estabelecimento na Avenida Desembargador Moreira. Ela embarcou no carro conduzido por Matheus, que, de acordo com a investigação, alterou deliberadamente o percurso e reduziu a velocidade em ponto combinado para a entrada de dois comparsas. Armados com uma suposta arma de fogo, os assaltantes assumiram o controle do veículo, encapuzaram a passageira e exigiram acesso ao celular e às contas bancárias dela. Em seguida, a mulher foi levada a um imóvel usado como cativeiro, onde sofreu ameaças de morte. Enquanto estava rendida, o grupo fez transferências eletrônicas, contratou empréstimos e utilizou os cartões da vítima.
    Conforme a Secretaria da Segurança Pública, todos foram conduzidos à delegacia e autuados por roubo com restrição de liberdade, extorsão qualificada e associação criminosa. Um homem de 21 anos também foi autuado por tráfico de drogas. Em uma casa, outro homem, de 27 anos, foi localizado com entorpecentes e igualmente autuado por tráfico. Por fim, uma quinta suspeita, de 25 anos, foi localizada e autuada por lavagem de dinheiro por ceder a conta bancária para receber parte dos valores subtraídos.
    Em nota, a Uber informou que colabora com as autoridades, que a conta do motorista foi desativada e que todas as viagens são cobertas por seguro. A empresa acrescentou manter, em parceria com o MeToo Brasil, um canal de suporte psicológico, disponibilizado à vítima.

    Fonte: G1

    Source: G1