Uma passageira de 27 anos sequestrada após solicitar corrida por aplicativo em Fortaleza relatou ter sido encapuzada e ameaçada de morte e esquartejamento caso denunciasse o crime. Ela voltou à delegacia nesta segunda-feira (13). O sequestro ocorreu na noite da última quinta-feira (13).
A corrida foi solicitada pela plataforma Uber após a jovem sair de um estabelecimento na Avenida Desembargador Moreira. Segundo a investigação, ela embarcou em um carro conduzido por Matheus Bandeira Fontoura, motorista regularmente cadastrado. Após a primeira curva, o condutor disse que estava sem internet e perguntou se ela conhecia o caminho até a residência. A passageira ofereceu o GPS, momento em que o motorista reduziu a velocidade em um ponto combinado e permitiu a entrada de dois comparsas.
De posse do que parecia ser uma arma de fogo, os criminosos assumiram o controle do veículo, encapuzaram a vítima e exigiram acesso ao celular e às contas bancárias. A mulher foi levada para um imóvel usado como cativeiro, onde permaneceu sob ameaças constantes contra ela, familiares e animais de estimação. Enquanto a mantinham sob vigilância, o grupo realizou transferências via Pix, contratações de empréstimos e uso de cartões.
De acordo com o processo judicial ao qual a reportagem teve acesso, a vítima foi mantida em cárcere privado e roubada. O motorista e outras quatro pessoas foram presas em flagrante pela Polícia Civil poucas horas após o crime. O grupo foi autuado por roubo com restrição de liberdade, extorsão qualificada e associação criminosa. Um homem de 21 anos também foi autuado por tráfico de drogas. Em uma residência ligada aos investigados, outro homem, de 27 anos, foi encontrado com entorpecentes e igualmente autuado por tráfico. Uma quinta suspeita, de 25 anos, foi autuada por lavagem de dinheiro por ter cedido sua conta bancária para receber parte dos valores subtraídos. As prisões em flagrante foram convertidas em preventivas, e todos permanecem à disposição da Justiça.
A Delegacia Antissequestro (DAS) apurou que parte do dinheiro foi transferida diretamente para a conta do motorista. Ao ser localizado, ele confessou participação e apontou Claudio Natan Barros da Silva, conhecido como Sorriso, como um dos articuladores do sequestro. Policiais também localizaram Claudio Natan, Otavio Joas Martins de Castro e Ana Karolina da Silva Horta em um imóvel associado ao grupo, onde recuperaram joias da vítima e apreenderam uma arma falsa, dinheiro em espécie, porções de maconha e cerca de 50 gramas de cocaína. Conforme a investigação, Ana Karolina auxiliou nas transações por Pix e demais movimentações bancárias enquanto a vítima estava no cativeiro, e Otavio atuou na operacionalização das fraudes financeiras e no tráfico de entorpecentes. Rayane da Silva Queiroz também foi presa por receber parte do dinheiro roubado.
O Ministério Público informou que todos os suspeitos foram presos em flagrante e devem responder por roubo majorado, extorsão qualificada pela restrição de liberdade da vítima, associação criminosa e tráfico ilícito de drogas.
Em nota, a Uber afirmou que colabora com as autoridades, desativou a conta do motorista, que todas as viagens contam com cobertura de seguro e que, em parceria com o MeToo Brasil, disponibilizou suporte psicológico à vítima.
A defesa de Matheus Bandeira Fontoura sustenta sua absoluta inocência, afirma que apresentará elementos ao Judiciário no momento adequado e alega que ele próprio teria sido vítima da atuação de outros envolvidos. Ressalta ainda que o investigado tem 30 anos, é primário, possui bons antecedentes, não respondeu a processos criminais anteriores e mantém histórico de trabalho lícito e conduta ilibada.
O auto de prisão inclui a foto de Matheus Bandeira Fontoura, que, segundo a investigação, se apresentou como motorista no momento do embarque da vítima.
Fonte: G1 Globo
Source: G1 Globo
