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  • Chefe da arbitragem da FCF é acusado por quatro árbitras de assédio e tentativa de estupro; polícia e federação investigam

    Chefe da arbitragem da FCF é acusado por quatro árbitras de assédio e tentativa de estupro; polícia e federação investigam

    Quatro árbitras denunciaram o diretor-presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Cearense de Futebol (FCF), Paulo Silvio dos Santos, por assédio sexual e tentativa de estupro. Após a formalização das queixas, ele se licenciou do cargo por 30 dias. As denúncias são apuradas pela 1ª Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza, da Polícia Civil do Ceará (PCCE), e por uma sindicância aberta pela FCF.

    As mulheres comunicaram o caso à FCF na última sexta-feira (10) e registraram boletim de ocorrência na Polícia Civil na terça-feira (14). Em nota, a defesa de Paulo Silvio negou as acusações, afirmou que ele “jamais praticou qualquer conduta de assédio sexual, importunação sexual, violência sexual ou qualquer outro ato ilícito” e ressaltou que as declarações até o momento representam “versões unilaterais” que deverão ser analisadas na investigação. A defesa destacou a presunção de inocência, informou que o investigado não comentará relatos específicos e disse que ele está à disposição das autoridades, manifestando preocupação com a divulgação pública de alegações antes de sua oitiva e da conclusão do inquérito.

    Segundo os relatos das denunciantes, os episódios começaram em 2018, período que abrange o curso de formação de árbitros e o início da carreira delas. Como presidente da Comissão de Arbitragem da FCF, Paulo Silvio tinha a prerrogativa de definir as escalas de jogos. A Polícia Civil confirmou que apura possíveis crimes contra a dignidade sexual, enquanto a FCF informou ter instaurado sindicância administrativa.

    Uma das árbitras afirmou que, no fim de 2022, passou a receber convites de Paulo Silvio para festas e para ir à casa dele, em horários considerados inoportunos, por volta das 23h, inclusive por meio de terceiros. Ela relatou que, após iniciar um relacionamento, o dirigente teria deixado de procurá-la e ela passou a ser menos escalada para partidas, o que a levou a desistir da arbitragem em 2025.

    Outra denunciante, que ingressou na federação em 2018, relatou que recebia convites para “tomar vinho” na casa do dirigente. Em uma confraternização com um grupo de seis pessoas, após o fechamento do restaurante, todos foram a um motel com piscina. No local, ela afirma que foi chamada ao quarto por Paulo Silvio, que teria tentado agarrá-la e insistido mesmo após sua negativa, chegando a entrar no banheiro. Ela disse ter conseguido sair e ir para casa. Depois do episódio, segundo seu relato, sua carreira estagnou. Outras duas mulheres também apresentaram denúncias por condutas semelhantes.

    A FCF informou que a sindicância será conduzida por uma comissão de três pessoas, presidida por uma mulher, sem prazo definido para conclusão. Em nota, a entidade afirmou que, ao receber as denúncias, adotou providências administrativas e jurídicas para assegurar apuração responsável, imparcial e segura, com atenção à proteção das denunciantes e aos direitos de todos os envolvidos, e disse ter tomado medidas internas, sem detalhá-las. O diretor jurídico da FCF, Eugênio Vasques, declarou que, mesmo após o fim da licença, o investigado não retornará ao cargo enquanto as investigações estiverem em curso.

    Ao término da sindicância, a comissão deverá elaborar relatório final que poderá recomendar a demissão de Paulo Silvio da federação e o encaminhamento do caso à Comissão de Ética da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que pode aplicar sanções desportivas. O advogado das denunciantes, Bruno Vasconcelos, criticou a condução inicial do caso pela FCF e afirmou que a comissão só foi instalada após a entidade tomar conhecimento do boletim de ocorrência, defendendo ações efetivas de proteção às mulheres e de combate a assédio, violência sexual e abuso de poder.

    Fonte: G1 Globo

    Source: G1 Globo