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  • Petróleo confirmado em sítio no Ceará: agricultor enfrenta escassez de água e espera decisão da ANP

    Petróleo confirmado em sítio no Ceará: agricultor enfrenta escassez de água e espera decisão da ANP

    O agricultor Sidrônio Moreira, de 63 anos, que encontrou um poço de petróleo no quintal de casa em Tabuleiro do Norte (CE), afirma que não pretende abandonar a propriedade, apesar das dificuldades para abastecer os animais e a plantação. A descoberta ocorreu em 2024, quando ele perfurou um poço artesiano para amenizar a escassez de água; em maio deste ano, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) confirmou que o líquido é petróleo cru.

    Com a confirmação, Sidrônio foi impedido de abrir novos poços artesianos e passou a adotar cuidados adicionais para evitar risco de contaminação do solo e dos recursos hídricos da região. A ANP abriu um processo administrativo para avaliar a área e seu contexto geológico, a fim de estudar o tamanho das reservas e a viabilidade de exploração. Não há prazo para a conclusão da análise, e não há garantia de exploração comercial, já que interessados ainda precisam avaliar a viabilidade econômica.

    A propriedade tem cerca de 48 hectares, fica na zona rural de Tabuleiro do Norte e é acessada por quase uma hora de estrada de terra. Sidrônio mora no sítio com a esposa, Maria Luciene, e os dois filhos; com o filho Sidnei Moreira, cuida de cerca de 20 animais e cultiva feijão e milho. Mesmo após a repercussão do caso, a principal preocupação permanece: encontrar água para o rebanho e para as lavouras.

    O abastecimento de água encanada na casa foi parcialmente solucionado com a chegada de uma nova adutora na região, o que permite atividades básicas, como cozinhar. Adutoras são grandes tubulações que transportam água de reservatórios, rios ou estações de tratamento até cidades e comunidades, garantindo o fornecimento contínuo. Ainda assim, o cuidado com animais e plantações segue comprometido.

    A ANP informou que, antes de qualquer exploração, a região de interesse é dividida em blocos exploratórios a serem leiloados. Todo o processo — da avaliação técnica à conclusão das pesquisas, passando pelo leilão, instalação da operação e licenças ambientais — pode levar anos. A agência destacou também que descobertas semelhantes podem ser descartadas se os acúmulos forem pequenos.

    A amostra do material foi inicialmente colhida por equipe do IFCE e encaminhada para análise pela ANP. Mesmo com a confirmação de que o líquido é petróleo, Sidrônio não é proprietário do recurso: a Constituição Federal estabelece que o subsolo e suas riquezas, incluindo petróleo e gás, pertencem à União. Caso a área venha a ser explorada comercialmente no futuro, o dono da terra poderá receber um percentual de até 1%, conforme a legislação e a avaliação técnica.

    Sidrônio relata que recebeu propostas de compra da propriedade antes mesmo da confirmação da ANP, mas descartou todas. Ele diz esperar uma resposta célere da agência sobre a avaliação do terreno para poder continuar seus planos de plantio e criação, reafirmando que não pretende deixar o sítio.

    Fonte: G1 Globo

    Source: G1 Globo