{"id":1684,"date":"2026-06-17T04:00:45","date_gmt":"2026-06-17T04:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.yoapy.com\/index.php\/2026\/06\/17\/ico-preserva-mais-de-400-imoveis-dos-seculos-18-e-19-e-ostenta-o-maior-largo-da-america-latina\/"},"modified":"2026-06-17T04:00:45","modified_gmt":"2026-06-17T04:00:45","slug":"ico-preserva-mais-de-400-imoveis-dos-seculos-18-e-19-e-ostenta-o-maior-largo-da-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.yoapy.com\/index.php\/2026\/06\/17\/ico-preserva-mais-de-400-imoveis-dos-seculos-18-e-19-e-ostenta-o-maior-largo-da-america-latina\/","title":{"rendered":"Ic\u00f3 preserva mais de 400 im\u00f3veis dos s\u00e9culos 18 e 19 e ostenta o maior largo da Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<p>No Centro-Sul do Cear\u00e1, Ic\u00f3 preserva um dos mais expressivos conjuntos hist\u00f3ricos do pa\u00eds: mais de 400 im\u00f3veis dos s\u00e9culos 18 e 19 tombados comp\u00f5em o Conjunto Arquitet\u00f4nico e Urban\u00edstico da cidade, o primeiro do estado a receber prote\u00e7\u00e3o do Iphan, em 1998. Quase tr\u00eas d\u00e9cadas depois, o munic\u00edpio, com cerca de 62 mil habitantes, segue como refer\u00eancia em arquitetura tradicional, somando 288 anos de hist\u00f3ria desde sua eleva\u00e7\u00e3o \u00e0 categoria de cidade, em 4 de maio de 1738.<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o de Ic\u00f3 est\u00e1 ligada \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o de sesmarias ao longo do Rio Jaguaribe, com a instala\u00e7\u00e3o de currais de gado e moradias. O aldeamento de Ic\u00f3 de Baixo desapareceu devido a inunda\u00e7\u00f5es, enquanto o de Cima, o Arraial dos Montes, prosperou e originou a Vila de Ic\u00f3 em 1726. Ponto estrat\u00e9gico no per\u00edodo colonial, a localidade ficava no cruzamento de tr\u00eas vias de comunica\u00e7\u00e3o: a Estrada Geral do Jaguaribe (ligando Cear\u00e1 a Pernambuco), a Estrada das Boiadas (Cear\u00e1 ao Piau\u00ed e \u00e0 Para\u00edba) e a Estrada Nova das Boiadas (de Sobral rumo a Pernambuco e Para\u00edba). A cidade enfrentou crises no fim do s\u00e9culo 19, marcadas pela queda da produ\u00e7\u00e3o algodoeira e pela seca de 1877 a 1879, alternando momentos de instabilidade e desenvolvimento.<\/p>\n<p>Influenciada por portugueses e franceses, Ic\u00f3 abriga arquitetura barroca com tra\u00e7os pr\u00f3prios do Nordeste, al\u00e9m de linhas do neocl\u00e1ssico franc\u00eas. Segundo o Iphan, o conjunto re\u00fane caracter\u00edsticas luso-brasileiras, coloniais, ecl\u00e9ticas, art d\u00e9co, neocl\u00e1ssicas e rococ\u00f3, al\u00e9m de exemplares contempor\u00e2neos, todos adaptados ao sert\u00e3o, com formas simplificadas e uso de materiais locais. No centro, destacam-se fileiras de casas com telhados de mesma altura e inclina\u00e7\u00e3o, sobrados e esquadrias alinhadas. Ic\u00f3 figura entre os primeiros munic\u00edpios brasileiros a instituir legisla\u00e7\u00e3o urban\u00edstica: uma Resolu\u00e7\u00e3o Provincial de 1850 definiu um novo per\u00edmetro urbano. \u201cO plano urban\u00edstico de Ic\u00f3 foi criado atrav\u00e9s de uma carta r\u00e9gia que designava todo o tra\u00e7ado urban\u00edstico, dos arruamentos, logradouros p\u00fablicos, das quadras. Isso traz uma riqueza muito grande porque se comunica com o que a Europa trazia de urbaniza\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m da ocupa\u00e7\u00e3o colonial da coroa portuguesa\u201d, explica o arquiteto M\u00e1rcio Rodrigo Coelho de Carvalho.<\/p>\n<p>Pesquisadores apontam que o tra\u00e7ado inicial da cidade previu tr\u00eas ruas: a da corte ou da elite (de moradia), a de servi\u00e7o (dos escravizados) e a Larga (do com\u00e9rcio). Com o tempo, a rua do com\u00e9rcio se transformou no Largo do Th\u00e9berge, maior interven\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica do s\u00e9culo 20 em Ic\u00f3 e considerado o maior largo da Am\u00e9rica Latina, com 955 metros de extens\u00e3o. O espa\u00e7o, hoje em sua terceira configura\u00e7\u00e3o, segue como palco de manifesta\u00e7\u00f5es culturais, religiosas e profanas, com intensa movimenta\u00e7\u00e3o noturna, pra\u00e7a de alimenta\u00e7\u00e3o e outras atividades. Ao redor, est\u00e3o as igrejas de Nossa Senhora da Expecta\u00e7\u00e3o e do Senhor do Bonfim, a antiga Casa de C\u00e2mara e Cadeia, o Teatro da Ribeira dos Ic\u00f3s, os sobrados do Bar\u00e3o do Crato e do Canela Preta e outras edifica\u00e7\u00f5es relevantes.<\/p>\n<p>O largo homenageia Pierre Fran\u00e7ois Th\u00e9berge, ou Pedro Th\u00e9berge, m\u00e9dico e historiador franc\u00eas que chegou a Ic\u00f3 em 1848. Sua fam\u00edlia, ligada \u00e0s artes, est\u00e1 associada \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do primeiro teatro do Cear\u00e1: o Teatro da Ribeira dos Ic\u00f3s, tamb\u00e9m conhecido como Teatro das Ribeiras, inaugurado em 1860. De estilo neocl\u00e1ssico e detalhes paladianos, o espa\u00e7o recebeu companhias de todo o Brasil e segue emocionando moradores e visitantes.<\/p>\n<p>Muitos im\u00f3veis hist\u00f3ricos t\u00eam uso p\u00fablico. A Casa de C\u00e2mara e Cadeia, antigo centro administrativo e judici\u00e1rio, onde funcionavam a c\u00e2mara municipal e a cadeia p\u00fablica, foi cen\u00e1rio do planejamento da Confedera\u00e7\u00e3o do Equador em 1824 e abrigou a revolucion\u00e1ria B\u00e1rbara de Alencar. Hoje, sedia a Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o. Outro marco \u00e9 o Pal\u00e1cio da Alforria, s\u00edmbolo da luta pela liberdade de pessoas escravizadas no munic\u00edpio e na regi\u00e3o. No local nasceu Ant\u00f4nio Pinto Nogueira Accioly, que governou o Cear\u00e1 tr\u00eas vezes entre 1896 e 1912. O nome Pal\u00e1cio da Alforria remete \u00e0 assinatura, em 25 de mar\u00e7o de 1883, da carta de liberta\u00e7\u00e3o dos escravizados icoenses. Atualmente, o pr\u00e9dio \u00e9 sede da Prefeitura. Na Casa de Cultura Mariinha Gra\u00e7a funcionam a Secretaria Municipal de Cultura e o escrit\u00f3rio t\u00e9cnico do Iphan.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o patrimonial integra a grade escolar. \u201cAs escolas t\u00eam rodas de conversas, palestras. Os alunos visitam os patrim\u00f4nios para aflorar esse sentimento de pertencimento no cora\u00e7\u00e3o, para que sejam cidad\u00e3os protetores do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico\u201d, afirma o secret\u00e1rio municipal de Cultura, Renan Moreira.<\/p>\n<p>Entre os exemplares civis, destaca-se o sobrado do Bar\u00e3o do Crato, pertencente a Bernardo Duarte Brand\u00e3o, cuja impon\u00eancia reflete a influ\u00eancia das elites do per\u00edodo imperial. Hoje, al\u00e9m de resid\u00eancia, abriga dois com\u00e9rcios. O Mercado P\u00fablico, conclu\u00eddo em 1873 e restaurado pela \u00faltima vez em 1998, permanece em atividade, reunindo comerciantes de produtos variados e preservando seu papel social e cultural, em contraste com o com\u00e9rcio contempor\u00e2neo ao redor.<\/p>\n<p>No patrim\u00f4nio religioso, a Capela de Nossa Senhora da Expecta\u00e7\u00e3o, erguida quase 30 anos antes da eleva\u00e7\u00e3o de Ic\u00f3 a cidade, transformou-se em par\u00f3quia em 1722. Com tra\u00e7os barrocos, sofreu altera\u00e7\u00f5es internas, como a abertura de arcadas laterais, mas conserva o sacr\u00e1rio original em talha, prataria e imagens antigas. Em dezembro, a devo\u00e7\u00e3o \u00e0 santa atrai fi\u00e9is de diversas cidades do interior. Outro polo de f\u00e9 \u00e9 o Santu\u00e1rio do Senhor do Bonfim, constru\u00eddo pelo primeiro capit\u00e3o-mor de ordenan\u00e7as, Bento da Silva Oliveira, como pagamento de um voto pela cura de um familiar. \u201cApesar do Senhor do Bonfim n\u00e3o ser a igreja matriz da cidade, aqui \u00e9 o lugar onde as pessoas se achegam mais, t\u00eam mais um carinho, uma devo\u00e7\u00e3o maior \u00e0 imagem que veio da Bahia. Ela ficava em um orat\u00f3rio fechado que s\u00f3 abria nas sextas-feiras para o culto p\u00fablico\u201d, relata o p\u00e1roco de Nossa Senhora da Expecta\u00e7\u00e3o e reitor do Santu\u00e1rio, Yedo Ian.<\/p>\n<p>Os relatos de f\u00e9 atravessam gera\u00e7\u00f5es e atraem novos moradores. A vendedora Claecy Vieira, natural de Acopiara, mudou-se aos 18 anos em busca de trabalho e, duas d\u00e9cadas depois, celebra o que construiu com o marido e os dois filhos. O radialista Gustavo Veras, que veio de Parna\u00edba (PI) h\u00e1 15 anos, diz ter sido acolhido pela religiosidade local: construiu fam\u00edlia, conquistou a casa pr\u00f3pria e mant\u00e9m o agradecimento como motiva\u00e7\u00e3o. A imagem do Senhor do Bonfim sai do altar apenas em 1\u00ba de janeiro de cada ano, mas j\u00e1 foi retirada tr\u00eas vezes por motivos distintos. Na primeira, durante uma grande cheia do Rio Salgado, fi\u00e9is pediram pela baixa das \u00e1guas; o padre levou a imagem at\u00e9 o leito do rio e colocou seus p\u00e9s na \u00e1gua. Segundo o pesquisador Cl\u00e1udio Pereira da Silva, depois de algum tempo, o rio come\u00e7ou a acalmar e baixar.<\/p>\n<p>Mais de 81% dos moradores de Ic\u00f3 s\u00e3o cat\u00f3licos, de acordo com o IBGE. A f\u00e9 tamb\u00e9m se manifesta em outras igrejas hist\u00f3ricas, como a de Nossa Senhora da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, conhecida como Igreja do Monte.<\/p>\n<p>A preserva\u00e7\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel nas ruas: casas e casar\u00f5es habitados mant\u00eam a integra\u00e7\u00e3o entre passado e presente. A artes\u00e3 Vanusa Vitorino da Silva vive h\u00e1 mais de 30 anos em uma casa tombada pelo Iphan, herdada da fam\u00edlia do marido e reformada com autoriza\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o. \u201cOs moradores t\u00eam a plena consci\u00eancia dos tombamentos. Eles preservam at\u00e9 por iniciativa pr\u00f3pria e mant\u00eam os im\u00f3veis pintados, bem apresentados\u201d, refor\u00e7a o arquiteto M\u00e1rcio Rodrigo Coelho de Carvalho, destacando o orgulho e o sentimento de pertencimento das fam\u00edlias. Assista aos v\u00eddeos mais vistos do Cear\u00e1.<\/p>\n<p>Fonte: G1<\/p>\n<p class=\"yoapyne-source\">Source: G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Centro-Sul do Cear\u00e1, Ic\u00f3 preserva um dos mais expressivos conjuntos hist\u00f3ricos do pa\u00eds: mais de 400 im\u00f3veis dos s\u00e9culos 18 e 19 tombados comp\u00f5em o Conjunto Arquitet\u00f4nico e Urban\u00edstico da cidade, o primeiro do estado a receber prote\u00e7\u00e3o do Iphan, em 1998. 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