{"id":1931,"date":"2026-07-01T05:04:39","date_gmt":"2026-07-01T05:04:39","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.yoapy.com\/index.php\/2026\/07\/01\/numero-de-mortes-por-intervencao-policial-em-2025-no-ceara-foi-o-maior-em-6-anos-maioria-das-vitimas-nao-teve-a-cor-da-pele-informada\/"},"modified":"2026-07-01T05:04:39","modified_gmt":"2026-07-01T05:04:39","slug":"numero-de-mortes-por-intervencao-policial-em-2025-no-ceara-foi-o-maior-em-6-anos-maioria-das-vitimas-nao-teve-a-cor-da-pele-informada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.yoapy.com\/index.php\/2026\/07\/01\/numero-de-mortes-por-intervencao-policial-em-2025-no-ceara-foi-o-maior-em-6-anos-maioria-das-vitimas-nao-teve-a-cor-da-pele-informada\/","title":{"rendered":"N\u00famero de mortes por interven\u00e7\u00e3o policial em 2025 no Cear\u00e1 foi o maior em 6 anos; maioria das v\u00edtimas n\u00e3o teve a cor da pele informada"},"content":{"rendered":"<p>N\u00famero de mortes por interven\u00e7\u00e3o policial em 2025 no Cear\u00e1 foi o maior em 6 anos \u2014 Foto: Jos\u00e9 Leomar\/SVM<\/p>\n<p>O Cear\u00e1 registrou 200 mortes por interven\u00e7\u00e3o policial em 2025, o maior n\u00famero dos \u00faltimos seis anos. Em mais de 57% dos casos, a cor ou ra\u00e7a dos mortos n\u00e3o foi informado pelas for\u00e7as de seguran\u00e7a. Os dados divulgados nesta quarta-feira (1\u00ba) constam na pesquisa Pele Alvo, da Rede de Observat\u00f3rios da Seguran\u00e7a, que analisa o n\u00famero de mortos em interven\u00e7\u00f5es policiais conforme a cor da pele.<\/p>\n<p>Dos 200 mortos no Cear\u00e1, 115 n\u00e3o tiveram a cor informada nos registros policiais, o que corresponde a 57,5%; dos 85 mortos que tiveram a cor informada, 74 eram negros &#8211; o que corresponde a 87,1% dos mortos identificados.<\/p>\n<p>\u2705 Clique aqui para seguir o canal do g1 Cear\u00e1 no WhatsApp<\/p>\n<p>No Cear\u00e1, os n\u00fameros foram analisados pelo Laborat\u00f3rio de Estudos da Viol\u00eancia (LEV), da Universidade Federal do Cear\u00e1 (UFC). Os dados foram obtidos junto \u00e0 Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica (SSPDS) por meio da Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No estudo, os pesquisadores adotam o crit\u00e9rio do IBGE para definir a popula\u00e7\u00e3o negra como o somat\u00f3rio de &#8220;pretos&#8221; e &#8220;pardos&#8221;. Eles analisaram os n\u00fameros de nove estados brasileiros: Amazonas, Bahia, Cear\u00e1, Maranh\u00e3o, Par\u00e1, Pernambuco, Piau\u00ed, Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Com 57,5%, o Cear\u00e1 possui a maior propor\u00e7\u00e3o de mortos em interven\u00e7\u00e3o policial sem identifica\u00e7\u00e3o de cor ou ra\u00e7a dentre os nove estados pesquisados. No segundo colocado, o Maranh\u00e3o, o \u00edndice fica em 54,9%; no terceiro, Amazonas, s\u00e3o 41,9% dos casos. Comparativamente, em S\u00e3o Paulo o n\u00famero \u00e9 de 7,4%; em Pernambuco e no Piau\u00ed, todos os casos tiveram cor ou ra\u00e7a identificados.<\/p>\n<p>\ud83d\udccdAlguns dados da pesquisa feita nos nove estados:<\/p>\n<p>&#8220;Mesmo que tenha ocorrido uma melhoria nas plataformas de solicita\u00e7\u00e3o, na celeridade das respostas e na disponibilidade em portais abertos, \u00e9 preciso destacar que o cen\u00e1rio permanece preocupante. O estado cearense, que j\u00e1 teve 77,2% das v\u00edtimas sem informa\u00e7\u00e3o, fechou o \u00faltimo ano em 57,5%&#8221;, conclui.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros colhidos pelos pesquisadores junto \u00e0 Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica do Cear\u00e1 (SSPDS) mostram um aumento no n\u00famero de mortes por interven\u00e7\u00e3o policial nos \u00faltimos 2 anos. Confira os dados dos \u00faltimos 6 anos:<\/p>\n<p>A pesquisadora Fernanda Naiara, doutoranda em Sociologia e integrante do LEV, destacou que o aumento no n\u00famero de mortes em interven\u00e7\u00f5es policiais vai na contram\u00e3o dos \u00edndices de homic\u00eddio no Cear\u00e1, que apresentou redu\u00e7\u00e3o no \u00faltimo ano.<\/p>\n<p>Do ponto de vista territorial, metade das mortes por interven\u00e7\u00e3o policial se concentrou em 10 munic\u00edpios cearense, sendo Fortaleza (29), Juazeiro do Norte (11) e Canind\u00e9 (11) as cidades com os maior n\u00famero de casos. Dos 11 casos em Canind\u00e9, sete foram mortos em uma \u00fanica a\u00e7\u00e3o policial.<\/p>\n<p>2025: Munic\u00edpios cearenses com o maior n\u00famero de mortes por interven\u00e7\u00e3o policial<\/p>\n<p>O levantamento aponta ainda que 64% dos 200 mortos &#8211; o que totaliza 128 pessoas &#8211; tinham entre 18 e 29 anos. Outras 25 pessoas mortas eram adolescentes, o que corresponde a 12,5% do total &#8211; a porcentagem \u00e9 a maior entre os estados pesquisados.<\/p>\n<p>Os dados do Laborat\u00f3rio de Estudos da Viol\u00eancia mostram que, no total, 76% dos mortos tinham menos 30 anos. 54% n\u00e3o tinham ensino fundamental completo.<\/p>\n<p>&#8220;Se a gente pensa nas pol\u00edticas p\u00fablicas, como as pol\u00edticas p\u00fablicas conseguem alcan\u00e7ar essas juventudes, a gente est\u00e1 falando de uma juventude que n\u00e3o estava na escola, de uma juventude que n\u00e3o concluiu o ensino fundamental completo e que o Estado chegou para essa juventude a partir da morte, a partir da a\u00e7\u00e3o violenta e ostensiva&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Em resposta \u00e0 pesquisa, a Pol\u00edcia Militar do Cear\u00e1 informou, por meio de nota, que atua pautada pelos princ\u00edpios da legalidade e uso proporcional da for\u00e7a, empregando-a apenas quando necess\u00e1rio para proteger a vida, e que o recorte temporal da pesquisa &#8220;desconhece os cen\u00e1rios e a conjuntura de cada momento e faz crer n\u00e3o haver din\u00e2mica criminosa&#8221;.<\/p>\n<p>A corpora\u00e7\u00e3o destacou ainda que a atua\u00e7\u00e3o policial ocorre em um cen\u00e1rio de &#8220;crescente enfrentamento \u00e0 criminalidade organizada e fortemente armada&#8221;.<\/p>\n<p>Confira a nota completa na \u00edntegra:<\/p>\n<p>&#8220;A Pol\u00edcia Militar do Cear\u00e1 (PMCE) atua pautada pelos princ\u00edpios da legalidade e uso proporcional da for\u00e7a, empregando-a apenas quando necess\u00e1rio para proteger a vida, sua ou de outrem, preservar a ordem p\u00fablica e fazer cessar uma injusta agress\u00e3o.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio e o recorte temporal muitas vezes buscado para compara\u00e7\u00f5es desconhece os cen\u00e1rios e a conjuntura de cada momento e faz crer n\u00e3o haver din\u00e2mica criminosa.<\/p>\n<p>Ainda, vale destacar que a atua\u00e7\u00e3o policial ocorre em um cen\u00e1rio de crescente enfrentamento \u00e0 criminalidade organizada e fortemente armada. Em 2025, foram apreendidas 7.221 armas de fogo em todo o Cear\u00e1, o maior n\u00famero da s\u00e9rie hist\u00f3rica iniciada em 2009, evidenciando o elevado potencial ofensivo dos grupos criminosos enfrentados diariamente pelas for\u00e7as de seguran\u00e7a e a cada apreens\u00e3o dessa h\u00e1 um risco real de confronto.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a recente Lei n\u00b0 15.358\/26, a chamada Lei Antifac\u00e7\u00e3o positivou o que j\u00e1 se via nas ruas chamando as organiza\u00e7\u00f5es criminosas de ultraviolentas, o que por si s\u00f3 sugere que a viol\u00eancia praticada por essas organiza\u00e7\u00f5es criminosas est\u00e1 voltada tamb\u00e9m aos agentes do Estado respons\u00e1veis por impedir as a\u00e7\u00f5es criminosas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, recentes altera\u00e7\u00f5es na legisla\u00e7\u00e3o penal e medidas adotadas pelo Governo do Estado refor\u00e7am o enfrentamento \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es criminosas e reconhecem a condi\u00e7\u00e3o de oposi\u00e7\u00e3o armada exercida por indiv\u00edduos que atentam contra a atua\u00e7\u00e3o estatal.<\/p>\n<p>A PMCE permanece comprometida com a preserva\u00e7\u00e3o da vida, o respeito aos direitos fundamentais e a atua\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e respons\u00e1vel em suas a\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>Em fevereiro de 2026, o governador do Cear\u00e1, Elmano de Freitas (PT) assinou um decreto que muda a forma como s\u00e3o feitos os inqu\u00e9ritos de mortes por interven\u00e7\u00f5es policiais. Desde ent\u00e3o, os policiais passam de \u201cautores\u201d para \u201cinterventores\u201d enquanto suspeitos passam de \u201cv\u00edtimas\u201d para \u201copositores\u201d.<\/p>\n<p>O decreto foi anunciado no mesmo dia em que um confronto envolvendo policiais militares e criminosos resultou na morte de cinco suspeitos no munic\u00edpio de Monsenhor Tabosa, no interior do estado.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o altere o C\u00f3digo do Processo Penal brasileiro, o decreto \u00e9 considerada pelos pesquisadores do estudo como preocupante. Eles afirmam que o uso do nome &#8220;opositor&#8221; pode refor\u00e7ar uma ideia de suspei\u00e7\u00e3o mesmo em casos que n\u00e3o h\u00e1 investiga\u00e7\u00e3o ou culpa definida.<\/p>\n<p>&#8220;Esse decreto coloca alguns desafios para a gente pensar, porque, se o Cear\u00e1 vem em uma tend\u00eancia de aumento das mortes por interven\u00e7\u00e3o policial, talvez a gente precisasse de a\u00e7\u00f5es do Estado que pensassem nessa redu\u00e7\u00e3o e que pensassem nessa desnaturaliza\u00e7\u00e3o das mortes por interven\u00e7\u00e3o policial&#8221;, prop\u00f5e Fernanda Naiara.<\/p>\n<p>Assista aos v\u00eddeos mais vistos do Cear\u00e1:<\/p>\n<p class=\"yoapyne-source\">Source: G1 Globo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00famero de mortes por interven\u00e7\u00e3o policial em 2025 no Cear\u00e1 foi o maior em 6 anos \u2014 Foto: Jos\u00e9 Leomar\/SVM O Cear\u00e1 registrou 200 mortes por interven\u00e7\u00e3o policial em 2025, o maior n\u00famero dos \u00faltimos seis anos. 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