{"id":2719,"date":"2026-08-16T05:00:31","date_gmt":"2026-08-16T05:00:31","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.yoapy.com\/index.php\/2026\/08\/16\/do-chao-da-feira-a-tela-do-celular-trafico-de-animais-no-ceara-migra-para-redes-sociais-e-desafia-fiscalizacao\/"},"modified":"2026-08-16T05:00:31","modified_gmt":"2026-08-16T05:00:31","slug":"do-chao-da-feira-a-tela-do-celular-trafico-de-animais-no-ceara-migra-para-redes-sociais-e-desafia-fiscalizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.yoapy.com\/index.php\/2026\/08\/16\/do-chao-da-feira-a-tela-do-celular-trafico-de-animais-no-ceara-migra-para-redes-sociais-e-desafia-fiscalizacao\/","title":{"rendered":"Do ch\u00e3o da feira \u00e0 tela do celular: tr\u00e1fico de animais no Cear\u00e1 migra para redes sociais e desafia fiscaliza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Traficantes de animais silvestres no Cear\u00e1 t\u00eam migrado das feiras livres para as redes sociais, aproveitando o anonimato e a facilidade de contato com potenciais compradores. Em grupos de Facebook, WhatsApp e Telegram, perfis an\u00f4nimos publicam fotos e v\u00eddeos de macacos, aves e r\u00e9pteis, alguns com pre\u00e7o exposto e outros com indica\u00e7\u00e3o de &#8216;valor no PV&#8217;. As transa\u00e7\u00f5es formam uma esp\u00e9cie de marketplace criminoso que tenta escapar do radar das autoridades.<br \/>\nImagens obtidas pela reportagem mostram ofertas e pedidos em grupos fechados, onde os interessados procuram esp\u00e9cies espec\u00edficas. Procuradas, a Meta (respons\u00e1vel por Facebook e WhatsApp) e o Telegram n\u00e3o responderam at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta mat\u00e9ria.<br \/>\nO Ibama monitora a migra\u00e7\u00e3o para o ambiente virtual h\u00e1 pelo menos sete anos. Segundo o superintendente Saulo Gouveia, o \u00f3rg\u00e3o intensificou investiga\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o e vem se readequando \u00e0s din\u00e2micas do crime online em parceria com outras institui\u00e7\u00f5es.<br \/>\nA Pol\u00edcia Civil e o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Cear\u00e1 (MPCE) tamb\u00e9m refor\u00e7aram o combate. No primeiro semestre de 2026, a Pol\u00edcia Civil registrou 32 pris\u00f5es em flagrante por tr\u00e1fico de animais silvestres, ante 62 no mesmo per\u00edodo de 2025. Houve ainda 91 ocorr\u00eancias no primeiro semestre de 2026, frente a 109 em 2025, conforme a Secretaria da Seguran\u00e7a P\u00fablica e Defesa Social (SSPDS).<br \/>\nEm maio de 2026, um homem de 29 anos foi autuado e multado em R$ 60,5 mil por oferecer animais na internet. Monitorado pelo Ibama, ele foi localizado em Cruz, no interior do Cear\u00e1. No endere\u00e7o, 17 aves e 4 tatus foram resgatados. O suspeito n\u00e3o foi preso na ocasi\u00e3o por estar acamado ap\u00f3s um acidente de motocicleta.<br \/>\nEm 2025, a 12\u00aa fase da Opera\u00e7\u00e3o Fauna Livre desarticulou um grupo de WhatsApp que comercializava jaguatiricas, macacos, tucanos, araras, papagaios e diversas esp\u00e9cies de p\u00e1ssaros, entre elas a jandaia, amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o. A a\u00e7\u00e3o resultou na pris\u00e3o de seis pessoas e no resgate de 90 aves mantidas em cativeiro. A rede tinha ramifica\u00e7\u00f5es em outros estados e refletia a intensifica\u00e7\u00e3o da migra\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio ilegal para as plataformas digitais, estrat\u00e9gia que tamb\u00e9m busca evitar grandes opera\u00e7\u00f5es presenciais. Em novembro de 2025, uma opera\u00e7\u00e3o na Feira da Parangaba, em Fortaleza, capturou mais de 30 pessoas e foi a maior do Ibama naquele ano.<br \/>\nApesar do avan\u00e7o no ambiente virtual, as feiras livres seguem sendo usadas. Em 9 de agosto, o Batalh\u00e3o de Pol\u00edcia do Meio Ambiente (BPMA) apreendeu 205 animais silvestres na Feira da Parangaba e aplicou R$ 329,6 mil em multas. Os agentes encontraram animais com ferimentos, sinais de falta de higiene, alimenta\u00e7\u00e3o inadequada, restri\u00e7\u00e3o de movimento e superlota\u00e7\u00e3o. Em outubro de 2025, outra opera\u00e7\u00e3o no mesmo local resgatou 271 animais em situa\u00e7\u00e3o de maus-tratos.<br \/>\nSegundo o delegado Wilson Camelo, titular da Delegacia de Prote\u00e7\u00e3o ao Meio Ambiente (DPMA), os criminosos se reinventam e migraram para grupos fechados, com ingresso por convite, al\u00e9m de recorrer \u00e0 dark web, \u00e1rea da internet n\u00e3o indexada por buscadores. As investiga\u00e7\u00f5es apontam que o tr\u00e1fico de fauna est\u00e1 associado a outros crimes, como associa\u00e7\u00e3o criminosa, maus-tratos, lavagem de dinheiro e falsifica\u00e7\u00e3o de documentos. Em muitos casos, as multas ultrapassam R$ 1 milh\u00e3o e os suspeitos tentam ocultar valores usando contas de familiares. O delegado ressalta ainda que o comprador tamb\u00e9m pode responder por crime ambiental ao manter animal silvestre em cativeiro.<br \/>\nO MPCE, em parceria com a Pol\u00edcia Civil, conduz desde 2022 a Opera\u00e7\u00e3o Fauna Livre, que j\u00e1 teve 12 fases no estado. Em 2025, o \u00f3rg\u00e3o criou o Grupo de Atua\u00e7\u00e3o Especializada em Meio Ambiente (Gaema), voltado \u00e0 atua\u00e7\u00e3o preventiva e repressiva em crimes ambientais. Para o promotor Marcus Amorim, as redes sociais impulsionam a &#8216;petifica\u00e7\u00e3o&#8217; de animais silvestres, estimulando a demanda por esp\u00e9cies nativas e ex\u00f3ticas e alterando o perfil de interesse do mercado ilegal.<br \/>\nEm outubro de 2025, a Opera\u00e7\u00e3o Libertas mobilizou Minist\u00e9rios P\u00fablicos, pol\u00edcias Civil e Militar e \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o do Cear\u00e1, Minas Gerais, Santa Catarina, Paran\u00e1, Rio de Janeiro, Alagoas, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranh\u00e3o e Bahia. No Cear\u00e1, foram resgatadas 111 aves da fauna silvestre; um autom\u00f3vel, quatro celulares e oito armas de fogo foram apreendidos. A investiga\u00e7\u00e3o mirou uma rede liderada por um alvo j\u00e1 preso anteriormente; a extra\u00e7\u00e3o de mensagens de celular, autorizada pela Justi\u00e7a, levou a outros envolvidos que atuavam na captura e venda de animais, preferencialmente pela internet.<br \/>\nOs impactos ambientais s\u00e3o expressivos, especialmente na Caatinga, segundo Samuel Portela, coordenador de conserva\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Caatinga. A retirada de animais agrava um quadro de perda e fragmenta\u00e7\u00e3o de habitat, queimadas, desmatamento, ca\u00e7a e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Cada indiv\u00edduo capturado desequilibra o ecossistema, comprometendo fun\u00e7\u00f5es essenciais como dispers\u00e3o de sementes, poliniza\u00e7\u00e3o, controle populacional e manuten\u00e7\u00e3o da cadeia alimentar. A pr\u00e1tica tamb\u00e9m favorece a introdu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies invasoras, seja por fugas de cativeiros clandestinos, seja por solturas ap\u00f3s a desist\u00eancia de tutores.<br \/>\nDados do Instituto Ampara Animal, divulgados em 2024, indicam que 37% das buscas por compra de macacos e 18% por cobras e serpentes t\u00eam origem em conte\u00fados do Instagram. A presidente da institui\u00e7\u00e3o, Juliana Camargo, alerta que a exposi\u00e7\u00e3o digital cria a falsa impress\u00e3o de que manter animais silvestres como pets \u00e9 algo natural e seguro, o que incentiva a demanda e coloca em risco animais e pessoas. Para conscientizar o p\u00fablico, o instituto lan\u00e7ou a campanha Algoritmo Selvagem (Reset), que prop\u00f5e reduzir curtidas, compartilhamentos e consumo de publica\u00e7\u00f5es que romantizam a posse de fauna silvestre, refor\u00e7ando que o alcance desses conte\u00fados depende das escolhas dos usu\u00e1rios.<\/p>\n<p>Fonte: G1<\/p>\n<p class=\"yoapyne-source\">Source: G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Traficantes de animais silvestres no Cear\u00e1 t\u00eam migrado das feiras livres para as redes sociais, aproveitando o anonimato e a facilidade de contato com potenciais compradores. 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