{"id":2725,"date":"2026-08-17T05:04:05","date_gmt":"2026-08-17T05:04:05","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.yoapy.com\/index.php\/2026\/08\/17\/barbalha-180-anos-o-que-esta-sendo-feito-para-salvar-casaroes-templos-e-memorias-no-cariri\/"},"modified":"2026-08-17T05:04:05","modified_gmt":"2026-08-17T05:04:05","slug":"barbalha-180-anos-o-que-esta-sendo-feito-para-salvar-casaroes-templos-e-memorias-no-cariri","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.yoapy.com\/index.php\/2026\/08\/17\/barbalha-180-anos-o-que-esta-sendo-feito-para-salvar-casaroes-templos-e-memorias-no-cariri\/","title":{"rendered":"Barbalha 180 anos: o que est\u00e1 sendo feito para salvar casar\u00f5es, templos e mem\u00f3rias no Cariri"},"content":{"rendered":"<p>Barbalha, no Cariri cearense, conhecida como a terra dos verdes canaviais pelo hist\u00f3rico cultivo de cana-de-a\u00e7\u00facar, celebra 180 anos nesta segunda-feira. Emancipada em 17 de agosto de 1846, a cidade busca equilibrar a preserva\u00e7\u00e3o de sua mem\u00f3ria com as demandas urbanas e econ\u00f4micas atuais. Situado em \u00e1rea de clima ameno, com mananciais formados pela Chapada do Araripe, o munic\u00edpio re\u00fane fauna, flora e terrenos f\u00e9rteis que atraem visitantes de diversas regi\u00f5es. O n\u00facleo urbano nasceu em uma colina pr\u00f3xima ao rio Salamanca e ainda guarda paisagens e identidades materializadas, sobretudo, nos antigos casar\u00f5es do centro hist\u00f3rico, que comp\u00f5em um vasto s\u00edtio arquitet\u00f4nico preservado e atraem turistas e pesquisadores com constru\u00e7\u00f5es dos s\u00e9culos 18 e 19.<\/p>\n<p>Entre os marcos arquitet\u00f4nicos est\u00e1 o antigo Casar\u00e3o Hotel (ou Hotel Casar\u00e3o), de 1859, inspirado nos grandes pr\u00e9dios de Recife. O sobrado de tr\u00eas andares foi erguido pelo comerciante Ant\u00f4nio Manuel Sampaio, dono de engenho e da primeira m\u00e1quina a vapor do Cariri, que faleceu no mesmo ano em Recife e n\u00e3o chegou a habitar o im\u00f3vel. A edifica\u00e7\u00e3o teve senzala no subsolo, armaz\u00e9ns no t\u00e9rreo e resid\u00eancia no primeiro andar, al\u00e9m de um t\u00fanel (\u201cpor\u00e3o\u201d) que daria acesso ao canavial em caso de invas\u00f5es, como a registrada em 1914. O pr\u00e9dio j\u00e1 sediou uma escola de ensino fundamental e hoje abriga a Secretaria de Cultura do munic\u00edpio.<\/p>\n<p>O Pal\u00e1cio 3 de Outubro, constru\u00eddo durante a Grande Seca de 1877 para gerar frentes de trabalho aos retirantes, abriga atualmente a Escola de Saberes de Barbalha. Conhecido como a antiga Casa de C\u00e2mara e Cadeia, o im\u00f3vel teve no pavimento superior o pa\u00e7o municipal e os poderes Legislativo e Judici\u00e1rio. O pr\u00e9dio \u00e9 protegido em \u00e2mbito estadual. Segundo o coordenador municipal de Turismo, Neto Sobral, Barbalha j\u00e1 teve mais de 43 casar\u00f5es protegidos; hoje, 38 permanecem em estado de conserva\u00e7\u00e3o, compondo um conjunto que ajuda a contar a hist\u00f3ria local.<\/p>\n<p>A arquitetura religiosa tamb\u00e9m marca a paisagem. A Igreja Matriz de Santo Ant\u00f4nio, considerada o marco inicial do munic\u00edpio, come\u00e7ou a ser erguida por volta de 1770, passou por reformas e tornou-se par\u00f3quia em 1838. Diante da Matriz, o mastro do Pau da Bandeira \u00e9 erguido todos os anos com a imagem do padroeiro, dando in\u00edcio aos festejos locais. Embora o templo n\u00e3o seja tombado, a Festa de Santo Ant\u00f4nio \u00e9 reconhecida como Patrim\u00f4nio Cultural do Brasil pelo Iphan. Outro destaque \u00e9 a Igreja do Ros\u00e1rio, cuja constru\u00e7\u00e3o come\u00e7ou em 1860 e foi conclu\u00edda no in\u00edcio do s\u00e9culo 20. Segundo o historiador Josier Ferreira da Silva, a comunidade negra, impedida de frequentar as igrejas dos colonizadores, organizou a Irmandade de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio para erguer seu pr\u00f3prio templo, consolidando o direito \u00e0 sua religiosidade.<\/p>\n<p>Entre as edifica\u00e7\u00f5es comerciais hist\u00f3ricas, a Casa Sampaio, fundada em 30 de agosto de 1847, foi por muito tempo o principal ponto de com\u00e9rcio da cidade. Hoje est\u00e1 desapropriada e fechada, mas conserva a fachada. O Solar Maria Ol\u00edmpia, de 1885, \u00e9 exemplar do casario do s\u00e9culo 19 que combinava moradia no andar superior e com\u00e9rcio no t\u00e9rreo; a fachada mant\u00e9m o alinhamento de portas e janelas e o pr\u00e9dio segue com uso comercial embaixo e espa\u00e7os alugados acima, em frente \u00e0 Pra\u00e7a Filgueira Sampaio.<\/p>\n<p>Na arquitetura residencial, destaca-se a Casa de M\u00e3e Yay\u00e1, em frente \u00e0 Pra\u00e7a do Ros\u00e1rio, conclu\u00edda em 1905. Com planta retangular, torre central de dupla altura e alas laterais sim\u00e9tricas, o im\u00f3vel tem telhado de madeira e barro com m\u00e3os-francesas e lambrequins, remetendo aos chal\u00e9s do fim do s\u00e9culo 19. Entre os elementos raros, abriga um mirante e uma cisterna para capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua da chuva. Especialistas ressaltam que a materialidade desses im\u00f3veis \u2014 paredes mais espessas, telhados altos e aberturas sequenciais \u2014 conferia conforto ao clima do Nordeste, e muitas fam\u00edlias optam por conservar as casas por v\u00ednculo afetivo e transmiss\u00e3o de mem\u00f3ria \u00e0s gera\u00e7\u00f5es seguintes.<\/p>\n<p>Outro marco \u00e9 o Palacete dos Alencar, de 1817, em frente \u00e0 Pra\u00e7a da Matriz, com torre central de dupla altura ladeada por volumes sim\u00e9tricos e janelas alinhadas, mantendo uso residencial. Encomendado pelo padre Greg\u00f3rio de S\u00e1 Barreto, primeiro coadjutor da Capela de Santo Ant\u00f4nio, foi vendido ainda inacabado a uma fam\u00edlia de fazendeiros por quest\u00f5es de sa\u00fade do religioso, que faleceu na Bahia sem ver a obra conclu\u00edda. Erguido \u00e0 \u00e9poca em tijolos crus e sem reboco, tornou-se a primeira constru\u00e7\u00e3o monumental da ent\u00e3o vila e segue habitado.<\/p>\n<p>Apesar do acervo, Barbalha perdeu parte de sua mem\u00f3ria edificada e enfrenta desafios para manter a hist\u00f3ria viva. Para o historiador Josier Ferreira da Silva, a falta de consci\u00eancia patrimonial, tanto da popula\u00e7\u00e3o quanto de gestores, somada \u00e0 aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas espec\u00edficas, resultou em desrespeito e depreda\u00e7\u00e3o de bens. Ele lembra que, at\u00e9 a d\u00e9cada de 1970, a economia era canavieira e agr\u00e1ria; com a estagna\u00e7\u00e3o no fim dos anos 1970, o com\u00e9rcio ganhou for\u00e7a e pressionou a estrutura urbana, levando \u00e0 demoli\u00e7\u00e3o ou reforma de sobrados e armaz\u00e9ns para novos usos comerciais.<\/p>\n<p>A gest\u00e3o municipal afirma que h\u00e1 interven\u00e7\u00f5es em andamento para proteger o acervo. Segundo o coordenador de Turismo, est\u00e1 em curso a requalifica\u00e7\u00e3o do centro hist\u00f3rico, com cal\u00e7adas de piso intertravado e acessibilidade, al\u00e9m de ruas revitalizadas e novos cal\u00e7amentos em alguns trechos. H\u00e1 di\u00e1logo com o Iphan para o processo de tombamento do Centro Hist\u00f3rico de Barbalha, enquanto moradores mant\u00eam, por iniciativa privada, casas e casar\u00f5es. As a\u00e7\u00f5es, de acordo com o munic\u00edpio, comp\u00f5em um esfor\u00e7o conjunto para preservar o patrim\u00f4nio local.<\/p>\n<p>Fonte: G1<\/p>\n<p class=\"yoapyne-source\">Source: G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Barbalha, no Cariri cearense, conhecida como a terra dos verdes canaviais pelo hist\u00f3rico cultivo de cana-de-a\u00e7\u00facar, celebra 180 anos nesta segunda-feira. Emancipada em 17 de agosto de 1846, a cidade busca equilibrar a preserva\u00e7\u00e3o de sua mem\u00f3ria com as demandas urbanas e econ\u00f4micas atuais. 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