{"id":2767,"date":"2026-08-19T05:04:21","date_gmt":"2026-08-19T05:04:21","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.yoapy.com\/index.php\/2026\/08\/19\/dia-mundial-da-fotografia-por-que-os-albuns-fisicos-resistem-em-plena-era-digital\/"},"modified":"2026-08-19T05:04:21","modified_gmt":"2026-08-19T05:04:21","slug":"dia-mundial-da-fotografia-por-que-os-albuns-fisicos-resistem-em-plena-era-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.yoapy.com\/index.php\/2026\/08\/19\/dia-mundial-da-fotografia-por-que-os-albuns-fisicos-resistem-em-plena-era-digital\/","title":{"rendered":"Dia Mundial da Fotografia: por que os \u00e1lbuns f\u00edsicos resistem em plena era digital"},"content":{"rendered":"<p>No Dia Mundial da Fotografia, celebrado nesta quarta-feira (19), ganham destaque as hist\u00f3rias de quem mant\u00e9m o h\u00e1bito de registrar o cotidiano em papel, preservando \u00e1lbuns e impress\u00f5es mesmo diante da abund\u00e2ncia de imagens digitais e do armazenamento em nuvem.<\/p>\n<p>A data remete a 19 de agosto de 1839, quando o franc\u00eas Louis Daguerre apresentou ao mundo o processo que resultou no daguerre\u00f3tipo, marco considerado o nascimento da fotografia. No s\u00e9culo 19, a produ\u00e7\u00e3o de imagens exigia est\u00fadios, condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas e dom\u00ednio t\u00e9cnico, o que conferia a cada fotografia o status de pe\u00e7a \u00fanica \u2014 a ponto de algumas serem entregues em caixas adornadas com ouro, como explica o historiador David Fel\u00edcio Ara\u00fajo, t\u00e9cnico em Preserva\u00e7\u00e3o e Digitaliza\u00e7\u00e3o do Museu da Imagem e do Som do Cear\u00e1 (MIS-CE).<\/p>\n<p>A populariza\u00e7\u00e3o viria em ondas. Internacionalmente, a Kodak simplificou o acesso com o lema que transferia ao laborat\u00f3rio a parte t\u00e9cnica do processo. No Brasil, a cria\u00e7\u00e3o do Polo Industrial de Manaus, a partir de 1967, barateou c\u00e2meras e filmes, ampliando o alcance da fotografia entre diferentes camadas sociais. Em Fortaleza, a rede Aba Film, ativa at\u00e9 o in\u00edcio dos anos 2000, fomentou o h\u00e1bito de fotografar e montar \u00e1lbuns, chegando a operar dezenas de lojas nas d\u00e9cadas de 1980 e 1990.<\/p>\n<p>Com a fotografia digital, o cen\u00e1rio se transformou em excesso de imagens e consumo instant\u00e2neo, tend\u00eancia observ\u00e1vel em conte\u00fados que ficam dispon\u00edveis por apenas 24 horas nas redes. Ainda assim, muitas pessoas optam por desacelerar, valorizando rituais anal\u00f3gicos e impress\u00f5es.<\/p>\n<p>Entre elas est\u00e1 In\u00eas Ramalho. Quando come\u00e7ou a trabalhar, destinou o segundo sal\u00e1rio \u00e0 compra de uma c\u00e2mera e, desde ent\u00e3o, construiu seu pr\u00f3prio acervo. Natural de Quixad\u00e1 (CE), lembra que, nas d\u00e9cadas de 1950 e 1960, as fotos eram raras e, \u00e0s vezes, vistas em mon\u00f3culos \u2014 pequenos cones com lente de aumento. Naquele per\u00edodo, fot\u00f3grafos costumavam atuar sobretudo em escolas. Hoje, aos 70 anos, aposentada do com\u00e9rcio em Fortaleza e ativa em grupos de literatura, viagens e projetos culturais, ela segue fotografando com o celular, imprime as melhores imagens em laborat\u00f3rio, plastifica algumas e re\u00fane tudo em \u00e1lbuns, porta-retratos e pain\u00e9is. Entre os registros est\u00e3o viagens aos Estados Unidos para visitar a filha e a neta, participa\u00e7\u00f5es em grupos de teatro e encontros com escritores. As fotos tamb\u00e9m a ajudam a revisitar mem\u00f3rias de amigos e familiares que j\u00e1 partiram.<\/p>\n<p>A funcion\u00e1ria p\u00fablica Christiane Myrta, 57, viu a transi\u00e7\u00e3o de uma inf\u00e2ncia em que as imagens dependiam de fot\u00f3grafos profissionais para a adolesc\u00eancia em que as fam\u00edlias passaram a adquirir c\u00e2meras. O filho mais velho nasceu nos anos 1990, quando ela ainda fotografava de forma anal\u00f3gica. Mesmo com a nuvem e o celular, mant\u00e9m o h\u00e1bito de organizar \u00e1lbuns de fam\u00edlia e de eventos, recorrendo a plataformas que permitem diagramar os livros e solicitar impress\u00e3o com entrega em casa. Em sua rotina, folhear \u00e1lbuns \u00e9 parte de uma narrativa afetiva compartilhada com os filhos.<\/p>\n<p>A servidora p\u00fablica Ana Paula Alc\u00e2ntara, 55, amiga de Christiane, tamb\u00e9m v\u00ea nos \u00e1lbuns um patrim\u00f4nio afetivo. Com poucos registros da pr\u00f3pria inf\u00e2ncia, apaixonou-se pela fotografia ao ganhar de uma prima, trazida da Europa, sua primeira c\u00e2mera anal\u00f3gica. Passou a usar filmes de 36 poses e a registrar eventos de fam\u00edlia, viagens e trilhas off-road. Migrou depois para a c\u00e2mera digital e, mais tarde, para o celular, sem abrir m\u00e3o de compilar \u00e1lbuns de batizados, formaturas, anivers\u00e1rios e casamentos \u2014 para o acervo pessoal e para presentear parentes e amigos. Costuma reunir tamb\u00e9m fotos feitas por outras pessoas e compartilhadas nas redes.<\/p>\n<p>O cientista de dados Madson Dias, 36, transformou a fotografia em hobby. Ao sair de Cedro, no interior do Cear\u00e1, para morar em Fortaleza, come\u00e7ou a registrar a vida adulta com o celular e, aos poucos, incorporou equipamentos anal\u00f3gicos, incluindo uma c\u00e2mera compacta do tipo saboneteira que pertenceu \u00e0 m\u00e3e. Hoje, re\u00fane quatro c\u00e2meras anal\u00f3gicas e tr\u00eas digitais. Al\u00e9m de digitalizar revela\u00e7\u00f5es quando necess\u00e1rio, imprime as preferidas e guarda um \u00e1lbum com fotos instant\u00e2neas do casamento. Para ele, a pr\u00e1tica ajuda a desacelerar em meio aos est\u00edmulos constantes e a recuperar rituais que refor\u00e7am a rela\u00e7\u00e3o com as m\u00eddias anal\u00f3gicas, lembrando que a maior parte das experi\u00eancias acontece no mundo f\u00edsico.<\/p>\n<p>A arquiteta Lara Carioca, 24, \u00e9 outra entusiasta. Com passagens por forma\u00e7\u00f5es na Casa Amarela Eus\u00e9lio Oliveira (UFC) e participa\u00e7\u00e3o em um grupo de estudos no Museu da Fotografia Fortaleza, ela ganhou uma c\u00e2mera digital aos 15 anos e, dois anos depois, uma anal\u00f3gica. Desde ent\u00e3o, constr\u00f3i uma cole\u00e7\u00e3o com equipamentos usados, que tamb\u00e9m circulam entre amigos. Profissionalmente, trabalha com fotografia digital aplicada \u00e0 arquitetura; fora do expediente, opta pelo anal\u00f3gico, registrando praias, viagens e marcos pessoais. Costuma carregar uma c\u00e2mera e, fotografando quase toda semana, leva cerca de um m\u00eas para concluir um filme. Ap\u00f3s o envio ao laborat\u00f3rio, a revela\u00e7\u00e3o e a digitaliza\u00e7\u00e3o levam, em m\u00e9dia, 20 dias para serem entregues.<\/p>\n<p>No MIS-CE, David Fel\u00edcio atua na preserva\u00e7\u00e3o de um acervo em diversos suportes \u2014 pel\u00edculas cinematogr\u00e1ficas, fitas de v\u00eddeo, fotografias em papel e arquivos digitais. Ele ressalta que nenhuma forma de armazenamento \u00e9 totalmente segura: impressos podem rasgar ou se desgastar; discos r\u00edgidos podem ser corrompidos, perdidos ou danificados pela umidade; e servi\u00e7os de nuvem n\u00e3o garantem perman\u00eancia. Por isso, recomenda combinar estrat\u00e9gias e, quando poss\u00edvel, manter as pel\u00edculas com negativos, que permitem gerar novas c\u00f3pias no futuro.<\/p>\n<p>Fonte: G1 Globo<\/p>\n<p class=\"yoapyne-source\">Source: G1 Globo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Dia Mundial da Fotografia, celebrado nesta quarta-feira (19), ganham destaque as hist\u00f3rias de quem mant\u00e9m o h\u00e1bito de registrar o cotidiano em papel, preservando \u00e1lbuns e impress\u00f5es mesmo diante da abund\u00e2ncia de imagens digitais e do armazenamento em nuvem. A data remete a 19 de agosto de 1839, quando o franc\u00eas Louis Daguerre apresentou [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2768,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[961],"class_list":["post-2767","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized","tag-diamundialdafotografia-fotografia-albunsdefotos-memoriaafetiva-ceara"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wp.yoapy.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2767","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wp.yoapy.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wp.yoapy.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.yoapy.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.yoapy.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2767"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/wp.yoapy.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2767\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.yoapy.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2768"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wp.yoapy.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2767"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.yoapy.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2767"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.yoapy.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2767"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}