{"id":2999,"date":"2026-08-30T06:01:04","date_gmt":"2026-08-30T06:01:04","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.yoapy.com\/index.php\/2026\/08\/30\/turismo-dos-ventos-entenda-como-o-kitesurf-movimenta-a-economia-e-muda-o-litoral-do-ceara\/"},"modified":"2026-08-30T06:01:04","modified_gmt":"2026-08-30T06:01:04","slug":"turismo-dos-ventos-entenda-como-o-kitesurf-movimenta-a-economia-e-muda-o-litoral-do-ceara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.yoapy.com\/index.php\/2026\/08\/30\/turismo-dos-ventos-entenda-como-o-kitesurf-movimenta-a-economia-e-muda-o-litoral-do-ceara\/","title":{"rendered":"Turismo dos ventos: entenda como o kitesurf movimenta a economia e muda o litoral do Cear\u00e1"},"content":{"rendered":"<p>Como o kitesurf movimenta centenas de milh\u00f5es de reais e transforma o litoral do Cear\u00e1<\/p>\n<p>Os ventos constantes e o mar &#8216;flat&#8217;, g\u00edria do surf para dizer que as \u00e1guas est\u00e3o calmas e tranquilas, atra\u00edram a nutricionista Carolina Sasaki, de 47 anos, at\u00e9 a praia do Cumbuco, em Caucaia, na Grande Fortaleza. Carolina faz kitesurf h\u00e1 cerca de dois anos e esta \u00e9 a segunda vez que vem ao Cear\u00e1 aproveitar a temporada de ventos.<\/p>\n<p>Na mesma regi\u00e3o, o empres\u00e1rio e kitesurfista Gl\u00e1ucio Esteves, de 52 anos, se divide entre administrar uma pousada e um hostel voltados a turistas interessados no esporte, e tamb\u00e9m aproveitar as horas livres onde mais gosta de estar: no mar. \u201cO kite muda a vida\u201d, resume.<\/p>\n<p>\ud83c\udfd6\ufe0f Esporte n\u00e1utico que gerou para o Cear\u00e1 uma receita de R$ 210 milh\u00f5es s\u00f3 em 2025, o kitesurf \u00e9 uma atividade radical em que o praticante fica sobre uma prancha e usa a for\u00e7a do vento e da pipa para se equilibrar. Nos \u00faltimos anos, esportes que usam a for\u00e7a dos ventos, como o kite, o windsurf e wing foil, cresceram no estado e se tornaram ativos importantes da economia.<\/p>\n<p>\u27a1\ufe0f Nesta reportagem, entenda como o kitesurf tem impulsionado o turismo cearense. Al\u00e9m disso, saiba quais implica\u00e7\u00f5es ambientais e sociais o chamado &#8216;turismo dos ventos&#8217; pode causar em comunidades praianas.<\/p>\n<p>Turismo dos ventos: como o kitesurf movimenta centenas de milh\u00f5es de reais e transforma o litoral do Cear\u00e1. \u2014 Foto: Arquivo pessoal<\/p>\n<p>Carolina Sasaki, 47 anos. \u2014 Foto: Arquivo pessoal<\/p>\n<p>Natural de Bras\u00edlia, mas moradora do Rio de Janeiro, Carolina Sasaki experimentou o kitesurf pela primeira vez nas \u00e1guas cariocas, mas \u00e9 no Cear\u00e1 onde se sente mais segura para praticar com liberdade.<\/p>\n<p>A nutricionista est\u00e1 no Cumbuco com o esposo e os filhos, que tamb\u00e9m praticam kite. A atividade, mais do que exerc\u00edcio f\u00edsico, representa um momento divertido em fam\u00edlia para eles, que devem passar cerca de oito dias no litoral.<\/p>\n<p>Nesta segunda viagem, Carolina optou por alugar um apartamento por temporada. O local conta com cozinha equipada, espa\u00e7o amplo e piscina. A hospedagem fica a cerca de cinco minutos (a p\u00e9) do Centro do Cumbuco, onde a fam\u00edlia encontra bares, restaurantes e outras op\u00e7\u00f5es de lazer.<\/p>\n<p>\ud83c\udfc4\ud83c\udffc\u200d\u2640\ufe0f O Cumbuco \u00e9 um bairro tur\u00edstico e famoso de Caucaia, localizado a cerca de 40 minutos de Fortaleza. Os passeios de buggy, esportes radicais e vida noturna chamam aten\u00e7\u00e3o de turistas de todo o mundo.<\/p>\n<p>&#8220;De dois anos para c\u00e1 o neg\u00f3cio evoluiu consideravelmente. Ent\u00e3o, voc\u00ea tem bastante op\u00e7\u00e3o, bastante variedade para poder escolher, e de diversos pre\u00e7os. Para quem est\u00e1 aprendendo, o Cear\u00e1 \u00e9 muito prop\u00edcio. Faz uns dois anos que estamos envolvidos com isso. A gente n\u00e3o veleja maravilhosamente bem, ainda estamos s\u00f3 de aprendizado (&#8230;) Aqui \u00e9 maravilhoso, me sinto segura&#8221;, conta Carolina Sasaki.<\/p>\n<p>Gl\u00e1ucio Esteves, 52 anos. \u2014 Foto: Arquivo pessoal<\/p>\n<p>Na mesma regi\u00e3o do Cumbuco e a um minuto da praia, o pernambucano Gl\u00e1ucio Esteves, de 52 anos, se divide entre administrar uma pousada e um hostel voltados a interessados no kitesurf, e tamb\u00e9m aproveitar as horas vagas para praticar o esporte.<\/p>\n<p>Gl\u00e1ucio conheceu o kite h\u00e1 16 anos e revela que a pr\u00e1tica mudou completamente sua vida. Jornalista de forma\u00e7\u00e3o, ele j\u00e1 morou nos Estados Unidos, na Austr\u00e1lia e em estados brasileiros, como Paran\u00e1 e S\u00e3o Paulo. No entanto, foi em solo cearense onde aprendeu a equilibrar uma paix\u00e3o e o seu sustento.<\/p>\n<p>&#8220;Eu vinha muitas vezes no ano para o Cear\u00e1 para desenvolver [o kite]. Depois comecei a vir para per\u00edodos maiores, fui fincando ra\u00edzes, comprei apartamento. Comecei a ver [que precisava] fazer alguma coisa aqui para ocupar meu tempo, ajudar a desenvolver o pr\u00f3prio turismo na cidade. Surgiu a oportunidade de ter uma pousada e entrei de cabe\u00e7a&#8221;, conta ao g1.<\/p>\n<p>Gl\u00e1ucio concorda que as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas fazem do Cear\u00e1 uma refer\u00eancia nos esportes n\u00e1uticos. Os ventos, a temperatura da \u00e1gua e o calor formam o cen\u00e1rio perfeito para se aventurar sobre a prancha.<\/p>\n<p>Gl\u00e1ucio Esteves, 52 anos. \u2014 Foto: Arquivo pessoal<\/p>\n<p>O empres\u00e1rio comanda uma pousada na regi\u00e3o h\u00e1 cerca de quatro anos. J\u00e1 a cria\u00e7\u00e3o do hostel \u00e9 recente. O espa\u00e7o tamb\u00e9m oferta pacotes de aulas de kitesurf.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do pr\u00f3prio Cumbuco, Gl\u00e1ucio \u00e0s vezes tira uma folga para praticar kite em outras regi\u00f5es prop\u00edcias, como a Ta\u00edba, Ilha do Guajiru, Paracuru e Tatajuba. Para ele, \u00e9 um privil\u00e9gio poder se desconectar e relaxar.<\/p>\n<p>Como o kitesurf se tornou um ativo econ\u00f4mico para o Cear\u00e1. \u2014 Foto: Tavares J\u00fanior (@tavaresjuniorphotography).<\/p>\n<p>As hist\u00f3rias de Carolina e Gl\u00e1ucio, dois turistas que escolheram o Cear\u00e1 para passear e trabalhar, ajudam a entender como o chamado \u2018turismo dos ventos\u2019 tem se tornado um grande indutor da economia do estado.<\/p>\n<p>\ud83d\udcb0 As pr\u00e1ticas esportivas movimentaram no Cear\u00e1, em 2025, o montante de R$ 1,4 bilh\u00e3o, dos quais R$ 210 milh\u00f5es est\u00e3o relacionados somente ao kitesurf.<\/p>\n<p>No primeiro semestre deste ano, mais de 2 milh\u00f5es de pessoas visitaram o estado. Boa parte delas procurava o turismo esportivo, em especial o kite. Os dados s\u00e3o da Secretaria do Turismo do Cear\u00e1 (Setur-CE).<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 quase 20 anos o estado foca no desenvolvimento do Cear\u00e1 enquanto destino tur\u00edstico e tamb\u00e9m como destino desse turismo de aventura voltado para os esportes n\u00e1uticos, esportes de ventos. Uma das pautas \u00e9 promover o estado no restante do pa\u00eds, no restante do mundo, para que cada vez mais a gente consiga atrair mais visitantes para o nosso estado&#8221;, explica Gustavo Montenegro, secret\u00e1rio de Turismo .<\/p>\n<p>De acordo com o gestor, os turistas que aqui desembarcam s\u00e3o, principalmente, de pa\u00edses europeus, como Portugal, Fran\u00e7a, It\u00e1lia e Espanha. Da Am\u00e9rica do Sul, argentinos e uruguaios tamb\u00e9m lotam o estado. J\u00e1 no Brasil, o maior fluxo vem do Rio de Janeiro e de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Como o kitesurf se tornou um ativo econ\u00f4mico para o Cear\u00e1. \u2014 Foto: Tavares J\u00fanior (@tavaresjuniorphotography).<\/p>\n<p>Nem s\u00f3 de entusiasmo deve viver o setor do \u201cturismo dos ventos\u201d do Cear\u00e1, aponta um especialista consultado pelo g1. O professor Alexandre Queiroz, do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Cear\u00e1 (UFC) e pesquisador do Observat\u00f3rio das Metr\u00f3poles, explica que os impactos da chegada de visitantes \u00e0s comunidades praianas devem ser medidos, priorizando o bem-estar da popula\u00e7\u00e3o que ali j\u00e1 vive.<\/p>\n<p>Alexandre \u00e9 membro do Laborat\u00f3rio de Planejamento Urbano e Regional (LAPUR). Em abril deste ano, ele publicou um artigo em parceria com Eust\u00f3gio Wanderley Correia Dantas, intitulado &#8220;Correla\u00e7\u00e3o entre segundas resid\u00eancias e esportes n\u00e1uticos no litoral do Cear\u00e1, Brasil&#8221;.<\/p>\n<p>\ud83c\udfd6\ufe0f A pesquisa indica uma liga\u00e7\u00e3o entre a dissemina\u00e7\u00e3o do kitesurf no estado e o crescimento do mercado imobili\u00e1rio sazonal, com a constru\u00e7\u00e3o de hot\u00e9is, pousadas e outros estabelecimentos voltados para o kite e demais esportes do mar. Segundo Queiroz, essas edifica\u00e7\u00f5es podem gerar danos ambientais e sociais.<\/p>\n<p>&#8220;A constru\u00e7\u00e3o desses empreendimentos causa impactos ambientais, como a ocupa\u00e7\u00e3o intensiva das zonas de praia por pousadas, que vai gerar uma transforma\u00e7\u00e3o intensa no campo de dunas e \u00e1reas de restinga. No futuro, pode haver impactos que acelerem a eros\u00e3o costeira ou que gerem problemas no len\u00e7ol fre\u00e1tico. Isso \u00e9 um derivado da atividade do kitesurf, que motiva e acelera a incorpora\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria&#8221;, pontua o pesquisador.<\/p>\n<p>\u00c1rea do Parque Nacional de Jericoacoara \u00e9 uma das \u00e1reas protegidas no Cear\u00e1. \u2014 Foto: Jessyca Marques\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Outro impacto apontado pelo especialista \u00e9 de n\u00edvel social e envolve relatos de trabalhadores dessas regi\u00f5es praianas. S\u00e3o pescadores que criticam as pr\u00e1ticas esportivas por elas restringirem as \u00e1reas poss\u00edveis de uso para a pesca ou gerarem acidentes com as embarca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cMuitos pescadores relatam que isso (esportes no mar) impede algumas pr\u00e1ticas de pesca e de extra\u00e7\u00e3o de mariscos ou de outras atividades. De certa maneira, isso tamb\u00e9m monopoliza os usos da praia em alguns casos, porque eles s\u00e3o muitos, em grande quantidade\u201d, pontua Alexandre.<\/p>\n<p>\ud83d\udd0e N\u00e3o se trata, no entanto, de estigmatizar o kitesurf ou qualquer outro esporte n\u00e1utico no Cear\u00e1. Dados do Governo do Cear\u00e1 mostram que a presen\u00e7a dessas pr\u00e1ticas representa gera\u00e7\u00e3o de renda e empregos em diferentes munic\u00edpios. O que Alexandre pontua \u00e9 a necessidade de medir poss\u00edveis riscos ao funcionamento social e ambiental preestabelecido e garantir que as comunidades antigas n\u00e3o sejam afetadas.<\/p>\n<p>Sobre as problem\u00e1ticas, o titular da Secretaria do Turismo do Cear\u00e1, Gustavo Montenegro, explica que a pasta atua para fiscalizar e mitigar poss\u00edveis danos ambientais e sociais. Para ele, o turismo de natureza e a sustentabilidade devem andar juntos.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 necess\u00e1rio que a gente preserve o ambiente, que a gente preserve o nosso pr\u00f3prio produto tur\u00edstico. E o praticante que vem ao Cear\u00e1, vem justamente buscar isso, buscar os nossos recursos naturais. Ent\u00e3o, se a gente n\u00e3o tiver eles, acaba esse turismo. O governo do Estado vem investindo muito em saneamento, em saneamento sanit\u00e1rio, em ordenamento, em preserva\u00e7\u00e3o ambiental e tamb\u00e9m enxergando essas adapta\u00e7\u00f5es que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas precisam acompanhar junto aqui com o crescimento da atividade&#8221;.<\/p>\n<p>A expans\u00e3o dos esportes do mar, em especial kitesurf e wingfoil, tamb\u00e9m movimentou a Assembleia Legislativa do Cear\u00e1 (Alece). A casa discute a cria\u00e7\u00e3o de regras para as modalidades, com medidas voltadas ao fomento, \u00e0 seguran\u00e7a, \u00e0 profissionaliza\u00e7\u00e3o e ao incentivo ao turismo esportivo gerado por elas.<\/p>\n<p>\ud83d\udcc4 O Projeto de Lei n\u00ba 25\/2026, de autoria do Governo do Estado, prop\u00f5e regulamentar a pr\u00e1tica dos esportes de vela em praias, lagoas e demais corpos h\u00eddricos p\u00fablicos do Estado. A pauta est\u00e1 em tramita\u00e7\u00e3o na Alece.<\/p>\n<p class=\"yoapyne-source\">Source: G1 Globo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como o kitesurf movimenta centenas de milh\u00f5es de reais e transforma o litoral do Cear\u00e1 Os ventos constantes e o mar &#8216;flat&#8217;, g\u00edria do surf para dizer que as \u00e1guas est\u00e3o calmas e tranquilas, atra\u00edram a nutricionista Carolina Sasaki, de 47 anos, at\u00e9 a praia do Cumbuco, em Caucaia, na Grande Fortaleza. 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