{"id":3249,"date":"2026-09-11T00:00:00","date_gmt":"2026-09-11T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.yoapy.com\/index.php\/2026\/09\/11\/operacao-da-pf-mira-editoras-no-ceara-e-aponta-conexoes-com-emendas-de-mario-frias-e-filme-dark-horse\/"},"modified":"2026-09-11T00:00:00","modified_gmt":"2026-09-11T00:00:00","slug":"operacao-da-pf-mira-editoras-no-ceara-e-aponta-conexoes-com-emendas-de-mario-frias-e-filme-dark-horse","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.yoapy.com\/index.php\/2026\/09\/11\/operacao-da-pf-mira-editoras-no-ceara-e-aponta-conexoes-com-emendas-de-mario-frias-e-filme-dark-horse\/","title":{"rendered":"Opera\u00e7\u00e3o da PF mira editoras no Cear\u00e1 e aponta conex\u00f5es com emendas de M\u00e1rio Frias e filme &#8220;Dark Horse&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>A Opera\u00e7\u00e3o Make Up, deflagrada pela Pol\u00edcia Federal na quinta-feira (10), investiga poss\u00edveis desvios de recursos de emendas parlamentares e revelou conex\u00f5es entre distribuidoras de livros did\u00e1ticos, o deputado federal M\u00e1rio Frias (PL-SP) e empresas e entidades ligadas ao filme &#8220;Dark Horse&#8221;, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.<\/p>\n<p>Parte das empresas investigadas est\u00e1 localizada em Fortaleza e foi alvo de mandados de busca e apreens\u00e3o. O cearense Dayvid Moreira Medeiros, propriet\u00e1rio de editoras sediadas em S\u00e3o Paulo, tamb\u00e9m foi alvo da opera\u00e7\u00e3o, assim como suas empresas.<\/p>\n<p>No centro da investiga\u00e7\u00e3o est\u00e1 o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama, produtora do filme &#8220;Dark Horse&#8221;. Segundo a PF, o instituto firmava contratos com \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos para executar projetos sociais e, posteriormente, subcontratava empresas para realizar as atividades. Os investigadores descrevem alguns desses procedimentos como suspeitos ou fraudulentos.<\/p>\n<p>Entre as empresas apontadas como suspeitas est\u00e3o a HD Cultural e a Din\u00e2mica Editora, ambas ligadas a Dayvid Medeiros.<\/p>\n<p>De acordo com a decis\u00e3o judicial que autorizou a opera\u00e7\u00e3o, os recursos de emendas parlamentares destinadas por M\u00e1rio Frias percorreriam um &#8220;circuito fechado&#8221; entre as empresas investigadas. O objetivo, segundo o documento, seria fragmentar os repasses e dificultar o rastreamento do dinheiro.<\/p>\n<p>Dos 49 mandados de busca e apreens\u00e3o cumpridos na Opera\u00e7\u00e3o Make Up, sete foram realizados no Cear\u00e1, nos munic\u00edpios de Fortaleza e Aquiraz. Os alvos foram endere\u00e7os ligados a editoras e a seus s\u00f3cios-propriet\u00e1rios, a maioria deles familiares de Dayvid Moreira Medeiros.<\/p>\n<p>A PF tamb\u00e9m cumpriu mandados contra Dayvid, descrito pelos investigadores como uma &#8220;figura central do grupo editorial&#8221; contratado pelo ICB. As empresas dele, a HD Cultural e a Din\u00e2mica Editora, t\u00eam sede em Rio Claro (SP). N\u00e3o foi poss\u00edvel confirmar se os mandados contra o empres\u00e1rio foram cumpridos no Cear\u00e1 ou em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o apura poss\u00edveis desvios de recursos de emendas parlamentares para pessoas relacionadas a M\u00e1rio Frias e para empresas ou entidades ligadas a elas. Em 2025, o ICB recebeu R$ 2 milh\u00f5es provenientes de duas emendas destinadas pelo deputado para executar projetos de educa\u00e7\u00e3o digital e esportes de combate em Pirassununga (SP).<\/p>\n<p>Segundo a PF, o instituto subcontratou empresas para realizar os projetos, que n\u00e3o teriam sido conclu\u00eddos integralmente. Em uma dessas iniciativas, a Din\u00e2mica Editora recebeu R$ 400 mil. O material teria sido produzido pela HD Cultural, tamb\u00e9m pertencente a Dayvid, mas o projeto n\u00e3o teria sido executado pelo ICB.<\/p>\n<p>A Cometa Livraria, que funciona no mesmo endere\u00e7o da antiga empresa de Dayvid e de seu irm\u00e3o Dawyson, teria participado da pesquisa de pre\u00e7os que levou \u00e0 contrata\u00e7\u00e3o da Din\u00e2mica Editora. Para a PF, a concorr\u00eancia teria sido fraudulenta.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o fortes, portanto, os ind\u00edcios de que houve montagem na pesquisa de pre\u00e7o, que j\u00e1 se encontrava, desde o in\u00edcio, direcionada para a contrata\u00e7\u00e3o da Din\u00e2mica Editora&#8221;, afirmou a Pol\u00edcia Federal em documento obtido pelo g1.<\/p>\n<p>O papel da Mecla Solu\u00e7\u00f5es Editoriais no suposto esquema n\u00e3o foi detalhado no documento consultado pela reportagem. A PF, contudo, destacou que a empresa movimentou dezenas de milh\u00f5es de reais em alguns meses, principalmente em transa\u00e7\u00f5es com a Cometa Livraria.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o judicial tamb\u00e9m n\u00e3o esclarece se Dayvid ou Dawyson Medeiros tinham rela\u00e7\u00e3o direta com M\u00e1rio Frias. Dayvid, no entanto, foi s\u00f3cio de Heric Fabiano Dias, propriet\u00e1rio da NTT Brasil. Essa empresa transferiu R$ 750 mil para a produtora do filme &#8220;Dark Horse&#8221;.<\/p>\n<p>Heric \u00e9 irm\u00e3o de Pamella Cristiane Dias, propriet\u00e1ria do Instituto Super Poder Educacional. Tanto Pamella quanto o instituto foram alvos da opera\u00e7\u00e3o. Ela tamb\u00e9m ocupa o cargo de coordenadora editorial da HD Cultural, empresa de Dayvid e da qual Heric foi s\u00f3cio.<\/p>\n<p>Ao autorizar a Opera\u00e7\u00e3o Make Up e os mandados de busca e apreens\u00e3o, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Fl\u00e1vio Dino proibiu as empresas HD Cultural, Din\u00e2mica Editora, Cometa Livraria, Mecla Solu\u00e7\u00f5es Editoriais, Instituto Super Poder Educacional e NTT Brasil de participar de licita\u00e7\u00f5es envolvendo \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos.<\/p>\n<p>O g1 procurou Dayvid Medeiros, Dawyson Medeiros, Georgia Helena, a Mecla Solu\u00e7\u00f5es Editoriais e a HD Cultural para que comentassem a opera\u00e7\u00e3o. At\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o da reportagem, n\u00e3o houve resposta. Ana Patr\u00edcia Aguiar e a Cometa Livraria n\u00e3o foram localizadas. A reportagem informou que ser\u00e1 atualizada caso os investigados se manifestem.<\/p>\n<p>Projeto Jovem Empreendedor<\/p>\n<p>Em fevereiro de 2025, o projeto Jovem Empreendedor, do ICB, recebeu R$ 1 milh\u00e3o do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o, por meio de uma emenda parlamentar indicada por M\u00e1rio Frias. O objetivo era desenvolver materiais educativos para 2.250 estudantes de escolas p\u00fablicas e capacitar 250 multiplicadores.<\/p>\n<p>Os livros encomendados \u00e0s editoras foram entregues, mas, segundo a investiga\u00e7\u00e3o, o projeto n\u00e3o foi executado. A iniciativa estava prevista para Pirassununga, no interior de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>O ICB contratou uma empresa para fornecer um kit pedag\u00f3gico com tr\u00eas livros did\u00e1ticos. Seriam produzidos 2.500 kits, ao custo de R$ 400 mil. A Din\u00e2mica Editora, de Dayvid Medeiros, foi contratada para executar essa etapa.<\/p>\n<p>Segundo a PF, a empresa participou de uma licita\u00e7\u00e3o simulada organizada pelo ICB, na qual as demais concorrentes tamb\u00e9m teriam liga\u00e7\u00e3o com Dayvid. Ao final, a Din\u00e2mica foi selecionada, mas o material acabou sendo produzido pela HD Cultural.<\/p>\n<p>Uma nota fiscal foi emitida em fevereiro de 2025, mas os livros s\u00f3 foram entregues em junho de 2026, mais de 465 dias depois da emiss\u00e3o, ap\u00f3s o ICB ser cobrado pelo minist\u00e9rio. O prazo de execu\u00e7\u00e3o do projeto havia terminado em janeiro de 2026, e o p\u00fablico-alvo n\u00e3o recebeu o material, conforme a investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O mesmo projeto previa R$ 300 mil para a produ\u00e7\u00e3o de um kit pedag\u00f3gico digital. Nessa contrata\u00e7\u00e3o, foi escolhido o Instituto Super Poder Educacional, cujo endere\u00e7o registrado no CNPJ corresponde ao de uma loja de roupas em Guarulhos (SP).<\/p>\n<p>A empresa recebeu R$ 300 mil e entregou dez videoaulas em uma plataforma on-line. Juntos, os v\u00eddeos acumulavam sete visualiza\u00e7\u00f5es, n\u00famero considerado incompat\u00edvel pela investiga\u00e7\u00e3o com a meta de alcan\u00e7ar 2.500 pessoas.<\/p>\n<p>Movimenta\u00e7\u00f5es da Cometa Livraria<\/p>\n<p>A Cometa Livraria, localizada no bairro Quintino Cunha, em Fortaleza, foi criada em 2022. De acordo com a PF, desde ent\u00e3o a microempresa recebeu mais de R$ 36 milh\u00f5es em recursos do Fundo de Manuten\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (Fundeb) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o (FNDE).<\/p>\n<p>Entre maio de 2025 e abril de 2026, a empresa recebeu e, posteriormente, transferiu mais de R$ 28 milh\u00f5es. Segundo a PF, a maior parte dos recursos teve origem em contratos com prefeituras e secretarias de Educa\u00e7\u00e3o do Nordeste. No documento analisado pelo g1, a Pol\u00edcia Federal n\u00e3o apresentou ind\u00edcios de ilegalidade nesses contratos.<\/p>\n<p>A PF tamb\u00e9m n\u00e3o apontou ilegalidade nas transfer\u00eancias, mas chamou aten\u00e7\u00e3o para o volume de saques em esp\u00e9cie, muitos deles no valor de R$ 49.991. A quantia fica abaixo de R$ 50 mil, limite cuja movimenta\u00e7\u00e3o pode gerar comunica\u00e7\u00e3o \u00e0s autoridades monet\u00e1rias.<\/p>\n<p>Somente em mar\u00e7o de 2026, foram realizados 11 saques que totalizaram R$ 549 mil. Para a PF, as opera\u00e7\u00f5es s\u00e3o ind\u00edcios de uma poss\u00edvel tentativa de burlar sistemas de controle. Os investigadores afirmaram ainda que o per\u00edodo dos saques \u00e9 compat\u00edvel com os fatos apurados, mas n\u00e3o esclareceram se o dinheiro tinha rela\u00e7\u00e3o direta com as suspeitas de desvio de emendas destinadas por M\u00e1rio Frias.<\/p>\n<p>Conex\u00e3o com o filme &#8220;Dark Horse&#8221;<\/p>\n<p>A PF identificou uma poss\u00edvel conex\u00e3o indireta entre recursos relacionados ao ICB, empresas vinculadas ao grupo empresarial de Heric Dias, a NTT Brasil e a Go Up Entertainment, respons\u00e1vel pelo filme &#8220;Dark Horse&#8221;, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.<\/p>\n<p>A Din\u00e2mica Editora e o Instituto Super Poder Educacional s\u00e3o apontados como integrantes de um mesmo grupo empresarial. A Din\u00e2mica pertence a Dayvid Medeiros, enquanto o instituto est\u00e1 em nome de Pamella Cristiane Dias, apresentada tamb\u00e9m como coordenadora editorial da HD Cultural.<\/p>\n<p>As duas empresas receberam cerca de R$ 700 mil do ICB. Posteriormente, a NTT Brasil, administrada por Heric Dias, que j\u00e1 foi s\u00f3cio de Dayvid, transferiu R$ 750 mil para a Go Up Entertainment, no mesmo per\u00edodo em que o filme estava sendo produzido.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria Pol\u00edcia Federal ressalvou que os elementos dispon\u00edveis n\u00e3o permitem afirmar que os R$ 750 mil transferidos pela NTT Brasil tenham origem direta nos recursos recebidos pelo ICB. Para os investigadores, por\u00e9m, a coincid\u00eancia entre os valores e a proximidade temporal das opera\u00e7\u00f5es s\u00e3o circunst\u00e2ncias relevantes para a an\u00e1lise financeira.<\/p>\n<p>Fonte: G1<\/p>\n<p class=\"yoapyne-source\">Source: G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Opera\u00e7\u00e3o Make Up, deflagrada pela Pol\u00edcia Federal na quinta-feira (10), investiga poss\u00edveis desvios de recursos de emendas parlamentares e revelou conex\u00f5es entre distribuidoras de livros did\u00e1ticos, o deputado federal M\u00e1rio Frias (PL-SP) e empresas e entidades ligadas ao filme &#8220;Dark Horse&#8221;, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. 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