Assalto forjado e seguro de R$ 60 mil: júri condena professor a 41 anos pela morte da esposa

Após 26 horas de julgamento, o Tribunal do Júri de Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza, condenou nesta quarta-feira (3) o professor de inglês Leonardo Nascimento Chaves a 41 anos de reclusão pelos crimes de homicídio qualificado (feminicídio), furto qualificado, fraude processual e corrupção de menores. Adriano Andrade Ribeiro, apontado como executor do crime, recebeu pena de 37 anos de reclusão pelos mesmos delitos. O juízo determinou o cumprimento imediato das penas, e ambos permanecem presos. Cada um deverá pagar R$ 50 mil em indenização. Leonardo também foi condenado à perda do cargo público; ele atuava na Secretaria Estadual de Educação e já havia sido demitido pela pasta em março deste ano.
“É um sentimento de alívio”, disse Brenda Bezerra, irmã da contadora Kaianne Bezerra Lima Chaves, morta aos 35 anos em agosto de 2023, durante um assalto forjado na casa onde morava com o marido, em Aquiraz.
O julgamento começou na segunda-feira (1º), no Fórum Manoel Florêncio Filho, e se encerrou na quarta (3). Segundo a investigação da Polícia Civil, Leonardo encomendou o assassinato da esposa para receber cerca de R$ 60 mil de um seguro de vida. Para sustentar a versão de latrocínio (roubo seguido de morte), ele teria pedido aos executores que o agredissem. Imagens de câmeras de segurança registraram Leonardo se encontrando com os envolvidos em um shopping pouco antes do crime. De acordo com o Ministério Público, filmagens, extração de dados de celulares, depoimentos testemunhais e laudos periciais embasaram a responsabilização dos réus.
Após a leitura da sentença, o promotor de Justiça Luís Bezerra afirmou, em entrevista à TV Verdes Mares, que “em favor dos acusados só tinha a própria versão deles” e que as provas apresentadas convenceram o Conselho de Sentença. A defesa de Leonardo, representada por Pedro Brasil, informou que recorrerá da decisão: “A defesa lutou com todas as provas que tinha no processo. Mas, diante do reconhecimento do Conselho de Sentença pela condenação, a defesa da mesma forma recorre”.
A perícia apontou que Kaianne foi morta por asfixia. A investigação indica que, na noite do crime, Leonardo encontrou Adriano e um adolescente de 15 anos no estacionamento de um shopping próximo e orientou que roubassem as alianças do casal. Ele também teria indicado onde estava um pedaço de madeira que seria usado no homicídio e, posteriormente, ajudado a retirar televisores dos suportes e a colocar outros itens, como cafeteiras, bebidas alcoólicas e perfumes, no carro da vítima, para simular o roubo. Os dois envolvidos admitiram a participação de Leonardo após o surgimento das imagens de vídeo.
Além dos condenados, Philipe Azevedo de Araújo foi denunciado como corréu, mas acabou impronunciado por falta de indícios suficientes para levá-lo a júri popular. O adolescente de 15 anos que participou da ação respondeu no sistema socioeducativo e recebeu a medida máxima de internação de 3 anos.
Familiares relataram que Kaianne havia tentado se separar de Leonardo devido a conflitos relacionados aos gastos do marido, embora o casal aparentasse viver em harmonia publicamente.
As penas impostas são de reclusão, aplicáveis a crimes mais graves e, em regra, iniciadas em regime fechado. Diferentemente, a detenção é prevista para crimes menos graves e costuma começar em regime semiaberto ou aberto.

Fonte: G1 Globo

Source: G1 Globo

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