Direção nacional valida convenção no CE; racha pode decidir tempo de TV e fundo entre Ciro e Elmano

A direção nacional da Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas, confirmou a validade da convenção estadual realizada no domingo (26) no Ceará, que aprovou apoio à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do estado. O posicionamento foi apresentado nesta quarta-feira (29) pelo presidente estadual da federação, Capitão Wagner.

A manifestação foi enviada à executiva estadual na terça-feira (28), após os diretórios cearenses do União Brasil e do Progressistas acionarem a Justiça para anular a convenção que declarou apoio a Ciro. Os dois partidos haviam se posicionado em sentido contrário, defendendo a reeleição do governador Elmano de Freitas (PT).

No Ceará, a federação é presidida por Capitão Wagner (União), opositor de Elmano e candidato ao Senado na chapa de Ciro. Já os partidos que integram a federação são comandados por aliados do governador: o deputado federal AJ Albuquerque preside o Progressistas, enquanto o deputado federal Moses Rodrigues lidera o União Brasil no estado.

Segundo o documento da direção nacional, pelas regras da federação, a convenção estadual é a instância competente para formar a vontade eleitoral comum no estado, sendo válidas e obrigatórias as deliberações sobre coligações majoritárias e a escolha de candidatos a governador, vice e senador. O texto ressalta que a decisão da federação estadual — de apoiar Ciro — prevalece sobre resoluções individuais dos partidos federados, uma vez que o estatuto prevê atuação conjunta como se fosse um único partido no processo eleitoral, preservando a personalidade jurídica, os órgãos de direção e a autonomia interna das siglas, mas subordinando-as às decisões dos órgãos federativos.

O documento é assinado por Antônio Rueda, presidente nacional da federação e do União Brasil, ao qual Moses Rodrigues é filiado, e pelo vice-presidente nacional da federação, o senador Ciro Nogueira, presidente do Progressistas, partido ao qual AJ Albuquerque é filiado.

De acordo com Capitão Wagner, o documento será anexado ao processo movido pelos partidos no Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE), que pede a anulação da convenção estadual. O resultado pode definir, em favor de Ciro ou de Elmano, o uso dos recursos da federação, como tempo de propaganda e fundo partidário.

Em âmbito nacional, União Brasil e Progressistas decidiram formar a Federação União Progressista para potencializar candidaturas de seus filiados. A aliança foi firmada em 2025 e tem validade até 2029. A Executiva nacional, contudo, liberou as executivas estaduais para apoiar os candidatos locais que julgarem adequados.

Nas federações, os partidos passam a atuar como um único ente político, dividindo Fundo Partidário e tempo de televisão, com o objetivo de fortalecer candidaturas proporcionais. A federação administra os recursos financeiros e o tempo de propaganda que caberiam às siglas nas eleições — motivo central da disputa no Ceará.

No estado, a federação é presidida por um opositor ao governo, enquanto os partidos são liderados por aliados do governador. Esse arranjo alimenta, há meses, a disputa pelo comando da agremiação, que também chegou à Justiça Eleitoral, a qual confirmou Capitão Wagner como presidente estadual.

No domingo (26), em convenções separadas realizadas no mesmo prédio, a federação e os diretórios do União Brasil e do Progressistas tomaram decisões divergentes: a federação aprovou apoio a Ciro Gomes, enquanto os partidos declararam apoio à reeleição de Elmano de Freitas. O quadro gerou uma situação singular: o União Brasil, que tem um filiado como candidato a vice na chapa de Ciro, apoiará o adversário dele, Elmano.

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Fonte: G1

Source: G1

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