A campanha de Romeu Zema (Novo) confirmou nesta terça-feira que o senador Eduardo Girão (Novo-CE) será o candidato a vice-presidente na chapa. A decisão foi tomada após uma série de conversas entre os dois e integrantes da direção nacional do partido. Com o anúncio, Girão deverá desistir da candidatura ao governo do Ceará, lançada no início de julho.
“Sempre disse que gostaria de um parceiro de chapa que fosse uma pessoa decente e ficha limpa. Em oito anos como senador, Girão demonstrou toda a sua coragem e integridade para enfrentar o abuso de poder, a censura e a farra dos intocáveis de Brasília. Não poderia ser outra pessoa”, afirmou Zema em comunicado à imprensa. Já o senador declarou ter aceitado o convite como uma “missão existencial”. Segundo sua equipe de campanha, ele disse: “Pelos brasileiros sedentos por Justiça, quero levar o que nós acreditamos e já defendemos em nossos mandatos aos quatro cantos do país: mais segurança, mais prosperidade, mais defesa da Vida e Família, e menos abusos dos intocáveis que tomaram conta do poder público”.
A escolha consolida uma chapa composta integralmente por integrantes do Novo. Antes da definição por Girão, outros nomes foram avaliados. Tiago Mitraud (Novo) chegou a ser cogitado, mas foi escolhido para disputar o governo de Minas Gerais como vice de Mateus Simões (PSD). O empresário Geraldo Rufino (Podemos), citado publicamente por Zema, decidiu concorrer ao Senado por São Paulo.
A aproximação entre Girão e Zema começou antes da atual campanha presidencial. Eleito senador em 2018 pelo Pros, Girão ingressou no Podemos no início do mandato e permaneceu na sigla até fevereiro de 2023, quando se filiou ao Novo, tornando-se o primeiro senador do partido. Ao anunciar a mudança, elogiou a gestão de Zema e afirmou ter votado em Felipe d’Avila, candidato do Novo à Presidência em 2022. Desde então, passou a defender Zema como uma das principais lideranças nacionais da legenda. Em 2023, saiu em defesa do então governador após a repercussão de declarações sobre o consórcio de estados do Sul e do Sudeste.
Em julho de 2026, Zema participou do lançamento da pré-candidatura de Girão ao governo do Ceará. Na ocasião, os dois criticaram o PT e o apoio de parte do PL cearense a Ciro Gomes (PSDB), além de defenderem mudanças na gestão pública.
Perfil de Eduardo Girão: Nascido em Fortaleza em 25 de setembro de 1972, atuou como empresário nos setores de hotelaria, segurança privada, transporte de valores e produção audiovisual. Em 2004, fundou a Associação Estação da Luz, voltada a projetos sociais. Em 2017, presidiu o Fortaleza Esporte Clube. No ano seguinte, disputou seu primeiro cargo eletivo e foi eleito senador pelo Ceará com 1,3 milhão de votos, superando o então presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB). Seu mandato começou em fevereiro de 2019 e termina em janeiro de 2027. Em 2024, concorreu à Prefeitura de Fortaleza e ficou em quinto lugar, com cerca de 14,8 mil votos (1,06% dos válidos). Em 2026, lançou-se candidato ao governo do Ceará e recebeu o apoio de Michelle Bolsonaro, apesar de o diretório estadual do PL ter optado por uma aliança com Ciro Gomes (PSDB).
No Senado, dois projetos de autoria de Girão foram transformados em lei: a instituição do Dia Nacional do Espiritismo, celebrado em 18 de abril, e, em julho de 2026, a proibição da produção e comercialização de alimentos obtidos por meio da alimentação forçada de animais. Ele também apresentou propostas para limitar gastos públicos com publicidade e estabelecer critérios de impessoalidade e eficiência na execução do Orçamento. Uma emenda de sua autoria foi incorporada à proposta aprovada na Comissão de Constituição e Justiça que extingue a reeleição, unifica as eleições e estabelece mandatos de cinco anos. Girão protocolou o requerimento que ampliou a CPI da Covid para incluir a aplicação de recursos federais por estados e municípios e, mais recentemente, coletou assinaturas para investigar suspeitas envolvendo o Banco Master.
Em posicionamentos públicos, defende a redução do tamanho do Estado, corte de cargos comissionados, controle de despesas e diminuição de impostos. É contrário à descriminalização do aborto, à legalização das drogas para uso recreativo e à liberação dos jogos de azar. Critica com frequência o Supremo Tribunal Federal, apresentou ou apoiou pedidos de impeachment de ministros da Corte e defende anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Até a última atualização, não havia registro público de investigação criminal em curso contra o senador.
Fonte: G1
Source: G1

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