A Universidade Federal do Ceará (UFC), cuja Reitoria fica no Bairro Benfica, em Fortaleza, demitiu um professor e um técnico-administrativo por assédio sexual praticado nas dependências da instituição contra estudantes e servidores. As decisões representam as primeiras demissões por esse motivo na universidade; em casos anteriores, a penalidade máxima aplicada havia sido suspensão de até três meses. A instituição informou que há outros 17 processos em andamento para apurar condutas de conotação sexual e impropriedades nas relações de trabalho.
No caso do técnico-administrativo, a denúncia foi apresentada por uma aluna por meio do Fala.br, plataforma de ouvidoria do Governo Federal, relatando agressões sexuais ocorridas em 2024. A estudante descreveu investidas não consentidas, conversas indesejáveis sobre sexo, insistência em convites para encontros, envio de presentes e perseguição em redes sociais.
A Comissão Permanente de Processo Administrativo Disciplinar (CPPAD) abriu investigação preliminar, recomendou o afastamento imediato do servidor e, em seguida, instaurou Processo Administrativo Disciplinar (PAD). O denunciado apresentou defesa, considerada insuficiente pela comissão, que sugeriu a demissão. O reitor, Custódio Almeida, confirmou a materialidade das denúncias e aplicou a penalidade. Do início da apuração até a decisão final, o trâmite durou cerca de um ano.
O segundo caso envolve 10 denúncias contra uma professora, apresentadas por homens e mulheres. Os relatos mencionam exposição de discentes a situações constrangedoras, comunicação agressiva e desrespeitosa com alunos e professores, além de comentários e simulações de atos de teor sexual diante dos estudantes. A maior parte das condutas teria ocorrido em sala de aula.
As vítimas incluem discentes e docentes de diferentes cursos. Foram reunidas dez denúncias para apuração conjunta, e a comissão ouviu cinco vítimas diretas; o número total de afetados é incerto, segundo a UFC. A primeira denúncia chegou à CPPAD em fevereiro de 2024, e o julgamento foi concluído em fevereiro de 2026, totalizando dois anos de apuração, conforme informou o secretário da comissão, Carlos Henrique Vasconcelos.
O presidente da CPPAD, professor Felipe Albuquerque, afirmou que há atualmente 17 processos ativos que tratam de condutas de conotação sexual e de comportamentos inadequados nas relações interpessoais de trabalho na UFC.
A universidade destacou que garantiu acolhimento e proteção aos denunciantes em todas as etapas. No caso do técnico, a vítima recebeu apoio durante o depoimento e acompanhamento psicológico. No caso da professora, o acolhimento inicial aos estudantes foi realizado pelas coordenações dos cursos, que orientaram sobre os procedimentos a seguir, segundo Carlos Vasconcelos.
Fonte: G1 Globo
Source: G1 Globo

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