Um laudo da Perícia Forense do Ceará (Pefoce) concluiu que o garçom Antônio Charlan Rocha Souza apresenta Transtorno psicótico não orgânico não especificado (CID-10 F29), com prejuízo total das capacidades de entendimento e autodeterminação no período do crime. Ele está preso há dois anos pelo ataque a faca que matou o vereador de Camocim, no Ceará, César Araújo Veras, de 51 anos, e feriu o dono do restaurante, Euclides Oliveira Neto, 55, e o cliente Fábio Roberto de Castro Sousa, 56. O g1 teve acesso ao laudo nesta quinta-feira (7). Segundo o documento, Charlan era inteiramente incapaz de compreender o caráter ilícito do ato, e o crime esteve relacionado a quadro psicótico com delírios e alucinações. O laudo integra um Incidente de Insanidade Mental apresentado pela defesa, que pede a inimputabilidade do réu. A defesa não foi localizada para comentar. Após a entrega do parecer pericial, a 1ª Vara da Comarca de Camocim abriu vistas à defesa, ao Ministério Público do Ceará (MPCE) e à assistência de acusação. Em nota, o advogado da família de César Veras, Leandro Vasques, reconheceu o trabalho pericial, mas defendeu o aprofundamento das apurações sobre o real estado de saúde mental do acusado e reiterou a necessidade de mantê-lo afastado do convívio social até a definição judicial. O crime ocorreu em 28 de abril de 2024. Imagens divulgadas posteriormente mostram momentos anteriores ao ataque: cerca de três horas antes, Charlan aparece próximo a um colega que amolava a faca que seria utilizada; pouco antes do ocorrido, ele retorna ao local, pega o objeto sem que o colega perceba, ataca o vereador e, em seguida, foge de carro. De acordo com o laudo, Charlan relatou ter ouvido uma voz masculina dizendo: “Vai! Vai! Se até o Rei Davi matou, por que tu não pode fazer isso?”. Ele também descreveu sensação de forte pressão externa controlando seus atos, afirmou não se recordar das agressões e disse ter retomado a consciência já dirigindo, com sangue nas mãos e a faca no veículo. O MPCE denunciou o garçom em junho de 2024 por homicídio e por tentativa de homicídio, sustentando que as vítimas foram surpreendidas sem chance de defesa e que a motivação foi fútil. A Polícia Civil apontou como possível motivação o suposto assédio moral no local de trabalho, versão contestada pela família do vereador, que apresentou novas imagens de câmeras de segurança. A Promotoria pediu a inclusão e análise dos vídeos no inquérito em até dois dias. Com autorização judicial, foram extraídos dados do celular de Charlan, que indicam pesquisas sobre temas trabalhistas como “funcionário pedindo demissão”, “desrespeito trabalhista”, “trabalhador demitido”, “pagamento errado” e “patrão desrespeitando funcionário”. Também houve buscas sobre “melancolia”, “tristeza permanente e profunda” e “pertinência”. A análise de 664 mensagens no WhatsApp não identificou conteúdo criminoso ou relacionado diretamente ao ataque. Funcionário havia trabalhado 13 anos no restaurante, conhecia as três vítimas e, segundo depoimentos de empregados e ex-empregados, o ambiente teria episódios de muita pressão. César Veras foi presidente da Câmara de Camocim entre 2019 e 2020.
Fonte: G1
Source: G1

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