Cinco médicos e um estudante de medicina foram alvos de uma operação da Polícia Civil nesta terça-feira (19), em Juazeiro do Norte, no Cariri cearense, sob suspeita de envolvimento em fraudes em concursos públicos. A ação é um desdobramento da tentativa de fraude registrada no concurso da Polícia Civil do Ceará, em agosto de 2025, quando um médico, uma enfermeira, um advogado e um autônomo foram presos em flagrante com aparelhos eletrônicos durante a prova. A Polícia Civil não divulgou os nomes dos atuais investigados. Apuração do G1 indica, porém, que entre os cinco médicos estão Fernando França Fernandes e Victor Rocha Cabral de Lacerda. Ao todo, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos suspeitos. As equipes recolheram celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos, além de R$ 15 mil em espécie. Sete medidas cautelares foram impostas, incluindo monitoramento por tornozeleira eletrônica. Ainda segundo a polícia, um dos investigados foi recentemente aprovado para o cargo de perito em um concurso realizado em outro estado. Em redes sociais, imagens mostram os médicos citados (Reprodução/Instagram). Fernando França Fernandes é pós-graduado em psiquiatria e saúde mental, especialista em comportamento, e reúne mais de 100 mil seguidores nas redes, onde publica conteúdos sobre a área e oferece atendimentos e mentorias. Victor Rocha Cabral de Lacerda é especialista em clínica médica e exerceu mandato de vereador em Juazeiro do Norte até 2024. Os investigados não se manifestaram, e suas defesas não foram localizadas. O caso atual deriva das investigações sobre a tentativa de fraude no concurso para Oficial Investigador de Polícia (OIP) da Polícia Civil do Ceará, em agosto de 2025, em Fortaleza. Segundo a apuração policial, o grupo utilizou transmissor, ponto eletrônico e um mini celular para burlar o certame. Quatro pessoas — todas de Juazeiro do Norte — foram presas na ocasião. O primeiro detido foi Jaime de Mendonça e Silva Neto, que fazia prova na Universidade Estadual do Ceará (Uece), no bairro Itaperi, com ponto eletrônico no ouvido e dois celulares, um deles em versão mini, abertos no WhatsApp; ele também rompeu o lacre do saco plástico destinado aos pertences pessoais. Em seguida, a enfermeira Raphaely Leandro da Fonseca foi flagrada no anexo do IFCE, no bairro Benfica, com um ponto eletrônico e um transmissor; questionada sobre eventual ligação com Jaime, permaneceu em silêncio. O advogado Cícero Leandro dos Santos Belém foi identificado após um fiscal ouvir um chiado enquanto ele realizava a prova na Universidade Federal do Ceará (UFC), no campus do Pici. Ele foi abordado ainda dentro do campus e tentou descartar em uma lixeira um papel com um número de telefone que, posteriormente, a polícia confirmou ser do médico Robson Leite Sampaio. Robson chegou a ligar para Cícero quando o advogado já estava preso. A investigação também apontou a presença de Robson — marido de Raphaely — circulando de caminhonete nas imediações dos locais de prova. Em depoimento, ele negou participação e afirmou que sua esposa conhecia a esposa de Jaime. Diante dos indícios de conexão entre os investigados, a polícia solicitou à Justiça a quebra do sigilo dos aparelhos telefônicos para aprofundar a apuração. Os quatro suspeitos detidos em agosto de 2025 obtiveram liberdade mediante pagamento de fiança e passaram a cumprir medidas cautelares. À época, a defesa de Robson e Raphaely declarou que as acusações se baseavam em “interpretações equivocadas”.
Fonte: G1 Globo
Source: G1 Globo

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