‘Fiquei muito satisfeito’, diz agricultor após confirmação de petróleo em sítio no Ceará
A família do agricultor Sidrônio Moreira, que encontrou petróleo ao furar um poço em seu sítio no interior do Ceará, disse esperar que a exploração comercial da área seja possível. Sidrônio encontrou o líquido em 2024, quando perfurava o solo em busca de água, e estava no aguardo dos testes. Na quarta-feira (20), a Agência Nacional do Petróleo (ANP) confirmou que o líquido é realmente petróleo.
A substância foi encontrada na propriedade do agricultor na zona rural de Tabuleiro do Norte, município próximo na divisa do Ceará com o Rio Grande do Norte e próximo à chamada Bacia Potiguar, região onde já ocorre exploração de petróleo em terra no estado vizinho.
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Após a confirmação de que a substância era mesmo petróleo, a ANP enviou à família de Sidrônio orientações sobre a nova fase que se inicia: a agência vai avaliar o tamanho das reservas e se será possível extrair o petróleo encontrado no local.
Ao g1, o gerente de vendas Saullo Moreira, filho de Sidrônio, explicou que a família tem expectativas de que a exploração comercial do petróleo encontrado no sítio seja possível, embora compreenda que ainda existe um longo processo pela frente.
Sidrônio buscava água, mas encontrou líquido preto e denso. — Foto: Gabriela Feitosa/g1
À TV Verdes Mares, Sidrônio afirmou que recebeu a notícia na noite da quarta-feira com satisfação. “Já vinha esperando, eles tinham dito que eu esperasse que vinha notícia boa e eu tava esperando pela notícia. Vamos esperar o primeiro passo, que tudo corra em paz e isso saia logo”, disse o agricultor.
Mesmo com a descoberta feita dentro da própria propriedade, Sidrônio não terá a posse do petróleo. Isso porque a Constituição Federal determina que o subsolo e seus recursos minerais, incluindo petróleo e gás natural, pertencem à União.
Ainda assim, o agricultor poderá receber uma compensação financeira caso a área venha a ser explorada comercialmente no futuro. Segundo a legislação brasileira, proprietários de terrenos onde ocorre produção de petróleo podem receber um percentual sobre a exploração, valor que pode chegar a até 1%, dependendo de fatores técnicos e econômicos.
➡️ Em resumo: Sidrônio não poderá vender o petróleo por conta própria, mas poderá ser compensado financeiramente se houver exploração comercial da área.
Líquido achado em sítio no Ceará é petróleo cru, conclui ANP — Foto: Gabriela Feitosa/g1 Ceará
Com a confirmação de que o material encontrado em Tabuleiro do Norte é petróleo, a ANP deve iniciar agora uma fase de estudos para avaliar o tamanho das reservas e a viabilidade da exploração.
A agência destacou que “não há prazo estabelecido para a conclusão da avaliação técnica” e que não há garantia de que a área será explorada comercialmente, já que os interessados na exploração ainda vão analisar se a operação compensa financeiramente.
Antes da fase de exploração propriamente dita, a ANP divide a região da jazida em blocos de exploração, isto é, em diferentes áreas que serão leiloadas para as empresas realizarem a exploração de petróleo.
O processo como um todo, desde a descoberta até a conclusão das pesquisas, leilão, instalação da operação, obtenção de licenças ambientais, pode levar anos.
Sidrônio e família ao lado de primeiro poço perfurado para obter água. — Foto: Gabriela Feitosa/g1
A família havia comunicado à ANP sobre o possível achado em julho de 2025, e a equipe da agência visitou o sítio 7 meses depois, no dia 12 março de 2026, após o caso ser revelado pelo g1. Agora, no dia 19 de maio, a ANP concluiu os testes físico-químicos. Os resultados confirmaram que a substância é petróleo cru.
De acordo com a ANP, o resultado também foi enviado nesta quarta-feira (20) para a Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Estado do Ceará (Semcae), “que poderá avaliar a necessidade de medidas e/ou orientações ao proprietário sobre aspectos relacionados a questões ambientais”.
Os técnicos da agência não colheram uma amostra no local, mas levaram uma amostra feita pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE), que acompanha o caso desde o início. Ao g1, a equipe da agência disse que o achado causou espanto na equipe, pois é incomum que líquido semelhante a petróleo jorre de uma profundidade considerada rasa (40 metros).
Infográfico: Líquido achado em sítio no Ceará é petróleo cru, conclui ANP — Foto: Arte/g1
A substância foi encontrada em novembro de 2024 enquanto o agricultor Sidrônio Moreira perfurava o solo em busca de água para abastecimento da família — que não possui água encanada em casa. A ideia era formar um poço artesiano na propriedade. No lugar da água, Sidrônio viu jorrar um líquido preto, denso, viscoso e com cheiro de combustível.
📍 Localizado a cerca de 210 quilômetros de Fortaleza, Tabuleiro do Norte fica na divisa com o Rio Grande do Norte e faz parte da região do Vale do Jaguaribe. A região fica próxima à Bacia Potiguar, uma área de exploração de petróleo localizada entre o Ceará e o Rio Grande do Norte.
Um vídeo gravado pela família em novembro de 2024 mostra o momento em que Sidrônio e a equipe contratada furam o primeiro poço (veja no vídeo abaixo). Em determinado momento, um líquido escuro emerge do buraco e o agricultor chega a comemorar, pensando se tratar de água. Semanas mais tarde, porém, a família descobriu que o líquido pode ser petróleo.
Vídeo mostra momento em que agricultor encontra possível poço de petróleo ao perfurar solo
Após a descoberta do líquido, a família procurou o Instituto Federal do Ceará (IFCE), que começou a investigar o caso. Testes laboratoriais apontaram que a amostra do líquido encontrada tem as mesmas características físico-químicas do petróleo de jazidas da região vizinha, no Rio Grande do Norte. A confirmação, porém, foi feita pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), que possui a competência oficial para avaliar o material.
A ANP orientou que a área deve ficar isolada e que os moradores devem evitar contato com o material, pois pode trazer riscos. Os técnicos também disseram que ninguém mais pode acessar o poço e outras amostras não devem ser retiradas por ora.
Para tentar encontrar água no terreno, Sidrônio havia contratado um empréstimo de R$ 15 mil para pagar pela perfuração do solo. Em reunião com o banco, ele conseguiu o adiamento da cobrança da dívida por um ano.
Enquanto aguardava o laudo do órgão, a família seguia com problemas de acesso à água. No fim do mês de março, a família de Sidrônio voltou a receber água de uma adutora antiga da cidade, que funcionou por um bom tempo, mas não estava sendo suficiente. Com a repercussão do caso, a adutora voltou a atender a família do agricultor.
A ANP é responsável, no Brasil, por regular e fiscalizar todas as etapas da exploração de petróleo no país, desde a descoberta até o início do processo de extração. Nestes casos, após a descoberta de uma possível jazida, é feita uma notificação ao órgão, que pode iniciar estudos para averiguar se, de fato, há petróleo na região, em que quantidade e de qual qualidade.
Após a confirmação e delimitação das jazidas, a ANP divide a região em blocos de exploração, isto é, em diferentes áreas que serão leiloadas para as empresas realizarem a exploração de petróleo.
Engenheiro Adriano Lima comenta próximos passos após confirmação de petróleo no Ceará
Muitas vezes, ocorre de uma área já mapeada e liberada para exploração pela ANP não atrair interesse de investidores devido ao tamanho da jazida, a dificuldade de extração, o custo da instalação da operação ou mesmo a baixa qualidade do petróleo, que exigiria mais gastos no processo de refino.
Portanto, mesmo com a formação de um bloco de exploração, há a possibilidade de ele nunca ser arrematado para exploração.
Na foto estão Sidney Moreira (esquerda) e Sidrônio Moreira (direita) no sítio onde moram em Tabuleiro do Norte. — Foto: Gabriela Feitosa/g1
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Source: G1 Globo

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