A Operação Donos da Noite resgatou 22 mulheres de uma rede interestadual de tráfico de pessoas e exploração sexual que atuava na Paraíba, em Pernambuco e no Rio Grande do Norte. A ação, iniciada em 10 de junho e realizada ao longo de sete dias, foi conduzida por uma força-tarefa do Ministério Público do Trabalho (MPT), Auditoria-Fiscal do Trabalho, Polícia Federal (PF), Ministério Público Federal (MPF) e Defensoria Pública da União (DPU). Segundo as investigações, o esquema era comandado por uma família e impunha jornadas de até 14 horas seguidas, com casos de oferta de apenas uma refeição por dia e limitação da quantidade de alimentos. As vítimas eram submetidas a um sistema de servidão por dívida, com cobrança por bebidas e alimentos adicionais, e metas diárias e semanais impostas pelos proprietários dos estabelecimentos. Documentos e depoimentos apontam exigência de até 20 programas sexuais por dia e consumo mínimo de 40 doses de bebidas alcoólicas por semana, sob pressão psicológica constante, inclusive quando as trabalhadoras estavam doentes, indispostas ou menstruadas. A recusa reiterada resultava em multas e outras punições econômicas, posteriormente incorporadas às dívidas definidas unilateralmente pelos responsáveis. Ao todo, seis casas de prostituição foram alvo da operação e interditadas. As mulheres faziam rodízio entre os locais. Quatro vítimas foram encontradas em Goiana (PE) e outras 18 na Paraíba, onde se concentrava o principal núcleo da organização criminosa. Das 22 mulheres resgatadas, 14 tiveram o estado de origem identificado; quatro delas são do Ceará. Em alguns bordéis, as trabalhadoras permaneciam à disposição dos empregadores das 14h às 4h nos dias úteis e, nos fins de semana, do meio-dia até a saída do último cliente. Mesmo sem atendimento, eram obrigadas a permanecer nos salões, sem autonomia para definir horários ou descanso. As condições de alojamento eram insalubres, nos mesmos quartos onde as vítimas dormiam e atendiam os clientes, e a saída dos estabelecimentos dependia de autorização ou acompanhamento de integrantes do esquema. Em Nova Cruz (RN), embora o local fiscalizado estivesse fechado, os auditores encontraram cadernos de controle de dívidas, malas e outros indícios da exploração. Uma mulher apontada como chefe da organização foi formalmente notificada pela Auditoria-Fiscal do Trabalho por manter trabalho em condições análogas à escravidão. A fiscalização determinou a interrupção imediata das atividades, o pagamento dos direitos trabalhistas devidos, o custeio do retorno das vítimas aos seus locais de origem e a cessação das práticas abusivas. O MPT informou que atua para assegurar o pagamento de verbas trabalhistas sonegadas e indenizações por danos morais individuais e coletivos.
Fonte: G1 Globo
Source: G1 Globo

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