Após denúncia de falha, governador visita fazenda com 290 mil pés de maconha; família do proprietário nega vínculo

A família do dono da fazenda onde a polícia localizou uma plantação estimada em 290 mil pés de maconha em Acopiara, no interior do Ceará, negou qualquer envolvimento com a droga. Segundo Fabrício Holanda, o terreno pertence a seu tio, João Holanda Neto, filho da empresária e ex-vereadora Maria Luiza Lima, conhecida como “Luiza Rufino” ou “Luiza do Posto”. Ela foi candidata a vice-prefeita de Acopiara em 2024 pelo MDB, mas não foi eleita.

De acordo com Fabrício, João Holanda está em tratamento contra um câncer de pele e, por estar afastado das atividades, arrendou o terreno a outra pessoa. “O contrato está com minha família, foi feito em cartório e vamos entregar quando a polícia chamar”, afirmou. O sobrinho disse ainda que a família não sabia do uso da propriedade para cultivo da droga e não compactua com atividades ilícitas. Após o nome de Luiza Rufino circular nas redes sociais como suposta proprietária da fazenda, Fabrício publicou um vídeo para esclarecer o caso, que já ultrapassou 60 mil visualizações.

A Polícia Civil informou, na noite desta segunda-feira (29), que identificou o proprietário e o arrendatário do terreno, sem divulgar os nomes ou se eles serão responsabilizados. A corporação disse que mais detalhes serão fornecidos oportunamente para não prejudicar as investigações.

Também nesta segunda (29), o governador Elmano de Freitas (PT) visitou a área da fazenda após denúncias de que, depois da operação, o local teria sido deixado sem vigilância, com drogas e provas ainda no sítio. Elmano declarou que a Polícia Civil permanecerá no terreno até que toda a plantação seja destruída. Ele esteve acompanhado do secretário da Segurança Pública do Ceará, Roberto Sá; do delegado-geral da Polícia Civil, Márcio Gutierrez; do comandante-geral da Polícia Militar, Sinval Sampaio; e do prefeito de Acopiara, Francisco Vilmar Félix (PSB).

A denúncia de possível falha na custódia da área foi feita pelo deputado federal André Fernandes (PL), que esteve no sítio no sábado (27) e mostrou que grande parte da plantação seguia no local, assim como porções já colhidas. Na residência do sítio, havia itens como um celular e cadernos de anotações que, segundo a crítica, deveriam ter sido recolhidos como provas. A Polícia Civil divulgou vídeo que mostra parte da plantação sendo derrubada por tratores e incinerada no próprio local.

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) informou que vai apurar a denúncia de “falha nos procedimentos na custódia”, incluindo o motivo de o material ter permanecido na área sem segurança. A pasta afirmou que toda e qualquer falha será investigada e os responsáveis identificados e punidos conforme a lei. A Controladoria Geral de Disciplina (CGD) também abriu investigação, a pedido do governador, para apurar a conduta dos policiais responsáveis pela preservação do sítio.

O Ministério Público do Ceará (MPCE) acompanha o caso por meio do Gaesp e do Gaeco, que atuam de forma integrada para assegurar a devida apuração. Na manhã de segunda (29), André Fernandes informou ter protocolado a denúncia na Polícia Federal; a PF declarou que não comenta investigações em andamento. O governador questionou as declarações do deputado e disse que ele deve prestar depoimento à Polícia e apresentar o nome do suposto indivíduo que teria interferido na operação. A equipe do deputado foi procurada para comentar o pedido e a matéria será atualizada quando houver resposta.

A megaoperação que descobriu a plantação ocorreu na quinta-feira (29) e foi coordenada pelo Departamento de Polícia Civil do Interior Sul (DPJI Sul), pela 4ª Seccional do Interior Sul (Iguatu) e pela Delegacia de Polícia Civil de Acopiara. Os agentes localizaram cerca de 160 mil pés de maconha em fase de cultivo e outros 130 mil já colhidos, além de acampamentos usados pelos suspeitos, que fugiram com a chegada da polícia. Em um dos pontos, havia até feijão cozinhando em uma panela, indicando saída recente. A estimativa é de aproximadamente cinco toneladas do entorpecente apreendidas.

Fonte: G1

Source: G1

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