Um projeto da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) está levando a inserção de Dispositivo Intrauterino (DIU), a capacitação de profissionais e ações de educação sobre saúde menstrual a municípios do interior do estado. Batizada de Missão Mulher Saudável, a iniciativa é conduzida por estudantes de medicina sob coordenação do médico e professor Leonardo Bezerra e percorre centenas de quilômetros para alcançar populações com acesso limitado a atendimento especializado.
De acordo com o Ministério da Saúde, o DIU é um método contraceptivo de alta efetividade (cerca de 99%), com índice superior ao da pílula anticoncepcional e equivalente ao da laqueadura. A inserção pode ocorrer em qualquer momento da vida reprodutiva, inclusive em mulheres que não tiveram filhos, desde que esteja descartada a possibilidade de gravidez.
Além das inserções, o projeto atua em dois eixos complementares: a capacitação de profissionais da atenção básica — não apenas para o procedimento, mas para o atendimento integral relacionado à saúde menstrual — e a educação e conscientização de mulheres por meio de palestras e eventos em escolas e empresas.
A iniciativa surgiu quando a universitária Naomi Ferreira, 24 anos, então no 6º semestre, observou em um módulo de ginecologia a repetição de queixas ligadas à falta de informação e às dificuldades de acesso no interior. “Elas esperam nas filas das secretarias por longos meses para conseguir acesso aos especialistas. Saem de madrugada de casa; às vezes a consulta é só à tarde, mas precisam ir junto com o ônibus que leva todo mundo”, relatou.
As ações já chegaram a Quiterianópolis, Crateús e Jaguaretama, localizados a aproximadamente 400 km, 350 km e 240 km de Fortaleza, respectivamente. A seleção dos municípios considera critérios mencionados pelos organizadores, mas não detalhados no material consultado. Segundo estimativas do projeto, mais de 300 mulheres foram atendidas, 60 profissionais da atenção básica foram capacitados e cerca de 1.000 estudantes foram alcançados por atividades educativas.
Leonardo Bezerra afirma que a Missão Mulher Saudável também responde a demandas apresentadas por gestoras municipais à UFC, incluindo relatos sobre a falta de profissionais habilitados para aplicar o DIU mesmo com estoques disponíveis. Em Quiterianópolis, por exemplo, uma ex-prefeita informou que havia grande quantidade de dispositivos no município sem pessoal capacitado para inseri-los e orientar as pacientes — cenário que motivou a primeira ação da equipe.
A estratégia prevê continuidade após cada visita, com foco em preparar equipes do Programa Saúde da Família (PSF) para manter o serviço nas unidades locais. “Nosso objetivo é atender a demanda imediata com as inserções e, principalmente, habilitar os profissionais do município para que sigam realizando o procedimento depois da nossa saída”, disse o coordenador. A participação nas missões também integra a formação dos estudantes, ao aproximar o conhecimento acadêmico das necessidades da comunidade.
Pelo trabalho à frente do projeto, Naomi Ferreira foi uma das vencedoras do Prêmio Na Prática Protagonismo Universitário de 2025, que reconhece jovens de todas as regiões do país que transformam conhecimento em ação em frentes acadêmicas, sociais, empreendedoras, culturais, esportivas ou profissionais. Entre os exemplos de iniciativas elegíveis estão pesquisas científicas, projetos de tecnologia, ações de voluntariado, empreendedorismo, empresas juniores, produção artística e cultural, resultados esportivos, projetos em áreas como direito, comunicação, educação e ciências humanas, além de experiências profissionais com impacto comprovado.
As inscrições para a edição de 2026 estão abertas. Podem participar estudantes matriculados em cursos de graduação de qualquer instituição de ensino superior do país, bem como formandos do primeiro semestre de 2026.
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Fonte: G1 Globo
Source: G1 Globo

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